Design thinking no desenvolvimento de software : indícios e evidências na indústria e na literatura
Aluno: Felipe Moura de Jesus Orientador: Prof. Dr.
Dissertao_Felipe___Design_Thinking_no_Desenvolvimento_de_Software__Indcios_e_.pdf
Documento PDF (3.6MB)
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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ALAGOAS
INSTITUTO DE COMPUTAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM INFORMÁTICA
Felipe Moura de Jesus
Design Thinking no Desenvolvimento de Software: Indícios e
Evidências na Indústria e na Literatura
Maceió - AL
2024
Felipe Moura de Jesus
Design Thinking no Desenvolvimento de Software: Indícios e
Evidências na Indústria e na Literatura
Dissertação
apresentada
ao
Programa
de Pós-Graduação em Informática da
Universidade Federal de Alagoas, como
requisito para obtenção do grau de Mestre
em Informática.
Orientador: Prof. Dr. Rodrigo Gusmão de
Carvalho Rocha
Maceió - AL
2024
Catalogação na fonte
Universidade Federal de Alagoas
Biblioteca Central
Divisão de Tratamento Técnico
Bibliotecária: Helena Cristina Pimentel do Vale – CRB4/661
J58d
Jesus, Felipe Moura de.
Design thinking no desenvolvimento de software : indícios e evidências na
indústria e na literatura / Felipe Moura de Jesus. – 2024.
96 f.: il.
Orientador: Rodrigo Gusmão de Carvalho Rocha.
Dissertação (mestrado em Informática) – Universidade Federal de Alagoas,
Instituto de Computação. Maceió, 2024.
Bibliografia: f. 78-83.
Apêndices: f. 84-96.
1. Design thinking. 2. Desenvolvimento de software. 3. Engenharia de sistemas.
computacionais. 4. Mapeamento sistemático. 5. Método Survey. I. Título.
CDU: 004.4
Dedico este trabalho a todos que contribuíram para minha jornada acadêmica e pessoal.
Agradeço especialmente a Nathália Teles pelo apoio, pelos conselhos valorosos, à minha mãe
Neilde Moura pelo incentivo à educação, aos amigos pela motivação, e ao orientador Rodrigo
G. de Carvalho Rocha pelos ensinamentos fundamentais para minha formação.
AGRADECIMENTOS
Gostaria de agradecer primeiramente a Deus, pois sempre me sustentou e guiou os
meus passos. Agradeço à minha esposa Nathália, que me incentivou a iniciar essa jornada,
me auxiliou e me apoiou, compreendendo momentos de dedicação e estudos até o fim dessa
jornada. Agradeço à minha família, Neilde (Mãe) e Jessica (Irmã), por sempre estarem comigo
e me apoiarem tanto em decisões pessoais quanto profissionais. A todos os amigos que
oraram e deram palavras de apoio durante a minha vivência acadêmica.
À Deus que em sua abundante graça, nunca me desamparou.
RESUMO
Em um cenário cada vez mais globalizado e motivado pela tecnologia, a indústria de
software busca atuar com máxima eficiência na criação de produtos inovadores alinhados
com as expectativas dos usuários. Neste contexto, o Design Thinking (DT) tornou-se uma
ferramenta fundamental para promover a inovação e melhoria da qualidade de software, pois
foca na experiência do usuário com abordagens que proporcionam multidisciplinaridade,
prototipação e colaboração ativa das partes interessadas. Nesse sentido, vários autores
investigam como o DT é utilizado em cenários reais de desenvolvimento de software e
quais são as partes essenciais neste contexto. O objetivo desta pesquisa é apresentar um
conjunto de indícios e evidências sobre DT no contexto de desenvolvimento de software,
considerando as perspectivas da indústria e da literatura. Identificando e mapeando as
principais abordagens do uso do Design Thinking na produção de sistemas computacionais.
A metodologia utilizada neste trabalho se fundamentou em dois estudos experimentais
fundamentados em questões de pesquisa, o mapeamento sistemático, que explorou a
literatura sob as diretrizes de Kitchenham, utilizando três bases científicas, IEEE, ACM e
SCOPUS, e, após verificação e análise dos resultados, foram identificados 95 estudos primários.
Em seguida, foi aplicada uma pesquisa com 105 profissionais de tecnologia de diferentes
organizações, buscando coletar de profissionais da área dados relevantes sobre o contexto de
Design Thinking. Este estudo evidenciou um conjunto de 116 práticas, 45 modelos, 60 papéis,
75 ferramentas e 28 desafios associados a adoção do Design Thinking no desenvolvimento de
software. Esses resultados podem ajudar profissionais e pesquisadores da área a entender
melhor os desafios e implementar soluções mais eficazes para melhorar suas tarefas no
desenvolvimento de software usando abordagens de Design Thinking. Dessa forma, este
trabalho contribui com recursos importantes para o ecossistema de construção de software,
permitindo o compartilhamento de conhecimento sobre os principais elementos de DT no
desenvolvimento de software.
Palavras-chaves: Design Thinking. Desenvolvimento de Software. Engenharia De Sistemas
Computacionais. Mapeamento Sistemático. Survey
ABSTRACT
In an increasingly globalized and technology-driven scenario, the software industry seeks to
act with maximum efficiency in creating innovative products aligned with user expectations.
In this context, Design Thinking (DT) has become a fundamental tool for promoting innovation and improving software quality, as it focuses on the user experience with approaches
that provide multidisciplinarity, prototyping and active collaboration of stakeholders. In this
sense, several authors investigate how DT is used in real software development scenarios and
what are the essential parts in this context. The objective of this research is to present a set of
indications and evidence about DT in the context of software development, considering the
perspectives of the industry and the literature. Identifying and mapping the main approaches
to the use of Design Thinking in the production of computer systems. The methodology used
in this work was based on two experimental studies based on research questions, systematic
mapping, which explored the literature under Kitchenham’s guidelines, using three scientific
databases, IEEE, ACM and SCOPUS, and, after verification and analysis of the results, 95
primary studies were identified. Then, a survey was applied to 105 technology professionals
from different organizations, seeking to collect relevant data from professionals in the area
about the context of Design Thinking. This study revealed a set of 116 practices, 45 models,
60 roles, 75 tools and 28 challenges associated with the adoption of Design Thinking in
software development. These results can help professionals and researchers in the area to
better understand the challenges and implement more effective solutions to improve their
tasks in software development using Design Thinking approaches. In this way, this work
contributes important resources to the software construction ecosystem, allowing the sharing
of knowledge about the main elements of DT in software development.
Keywords: Design Thinking. Software development. Computer Systems Engineering. Systematic Mapping. Survey
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1 – Fases do Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
Figura 2 – Exploração do Espaço de Problemas e Soluções no Design Thinking . . . . 21
Figura 3 – Processo de experimentação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
Figura 4 – Fluxo de etapas da pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
Figura 5 – Etapas do mapeamento sistemático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
Figura 6 – Classificação da qualidade dos artigos selecionados . . . . . . . . . . . . . . 44
Figura 7 – Número de publicações por ano dos artigos relacionados ao DT . . . . . . 44
Figura 8 – Tamanho da empresa dos participantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
Figura 9 – Distribuição de papéis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
Figura 10 – Experiência dos participantes com o desenvolvimento de software . . . . . 46
Figura 11 – Nível educacional dos participantes . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Figura 12 – Composição dos times de tecnologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
Figura 13 – Nível de Conhecimento em Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
Figura 14 – Tempo de Experiência com Design Thinking na Produção de Software . . . 48
Figura 15 – Adoção do Design Thinking na Produção de Software . . . . . . . . . . . . . 49
Figura 16 – Fases do Desenvolvimento de Software com a abordagem Design Thinking
50
Figura 17 – Modelos e Metodologias Aplicados na Produção de Software . . . . . . . . . 50
Figura 18 – Abordagens Empresariais para a Melhoria do Processo de Design Thinking
51
Figura 19 – Principais Desafios Enfrentados pelas Equipes na Utilização do Design
Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52
Figura 20 – Ferramentas Complementares ao Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . 52
Figura 21 – Utilização das Práticas de Design Thinking em Diferentes Fases do Projeto
56
Figura 22 – Categorias de Projetos que Incorporam Design Thinking . . . . . . . . . . . 57
Figura 23 – Papéis e Desafios na Adoção do Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . 58
Figura 24 – Desafios Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa . . . . . . . . . . . . . 60
Figura 25 – Citação dos modelos nos estudos selecionados . . . . . . . . . . . . . . . . . 61
Figura 26 – Citação dos Modelos Nos Estudos Selecionados . . . . . . . . . . . . . . . . 62
Figura 27 – Práticas Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa . . . . . . . . . . . . . 64
Figura 28 – Desafios Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa . . . . . . . . . . . . . 64
Figura 29 – Ferramentas Utilizadas por Diferentes Papéis no Desenvolvimento de
Software com Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
Figura 30 – Desafios - Citações no Survey e Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . 67
Figura 31 – Práticas - Citações no Survey e Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . . 68
Figura 32 – Modelos Integrados ao Design Thinking no Desenvolvimento de Software
69
Figura 33 – Design Thinking e Sua Adoção em Diversos Papéis . . . . . . . . . . . . . . . 69
Figura 34 – Ferramentas Integradas ao Design Thinking no Desenvolvimento de Software 70
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 – Artigos Derivados do Mestrado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Tabela 2 – Diferentes modelo de Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19
Tabela 3 – String para as questões de pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
Tabela 4 – Critérios de Inclusão/Exclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
Tabela 5 – Resultados do processo de seleção dos estudos primários . . . . . . . . . . 36
Tabela 6 – Desafios na adoção do Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
Tabela 7 – Papéis no Uso do Design Thinking no Desenvolvimento de Software . . . . 39
Tabela 8 – Principais práticas utilizadas no Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . 40
Tabela 9 – Principais Modelos associados ao Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . 41
Tabela 10 – Principais ferramentas associados ao Design Thinking . . . . . . . . . . . . 42
Tabela 11 – Percentual de ferramentas em artigos selecionados . . . . . . . . . . . . . . 43
Tabela 12 – Fases e Aperfeiçoamento do Processo de Design Thinking . . . . . . . . . . 54
Tabela 13 – Nível de Conhecimento em Design Thinking no Desenvolvimento de Software 54
Tabela 14 – Desafios associados a práticas - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
Tabela 15 – Evidências do Design Thinking nos Trabalhos Relacionados . . . . . . . . . 75
Tabela 16 – Evidências do Uso de Design Thinking nos Trabalhos Relacionados . . . . 76
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
DT
Design Thinking;
XP
Extreme Programing;
SLR
Systematic Literature Review;
SDLC
Software Development Lifecycle;
TI
Tecnologia da Informação;
SUMÁRIO
1
INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
1.1
Problematização . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2
Objetivos da Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2.1
Objetivo Geral . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
1.2.2
Objetivos específicos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.3
Justificativa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.4
Contribuições da Pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
1.5
Organização do Trabalho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
2
REFERENCIAL TEÓRICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.1
Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
2.1.1
Fases do Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20
2.1.2
Engenharia de Software Experimental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
2.1.3
Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
2.1.4
Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
3
MÉTODOS DE PESQUISA UTILIZADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
3.1
Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
3.1.1
Questões de pesquisa - Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . . . . . . 27
3.1.2
Termos chaves da pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 27
3.1.3
Strings de busca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.1.4
Fontes de busca . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.1.5
Critérios de inclusão e exclusão . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.1.6
Seleção dos estudos primários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28
3.1.7
Extração da informação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 29
3.1.8
Avaliação da qualidade do estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.1.9
Tipos de estudo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 30
3.1.10
Critérios de avaliação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.2
Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.2.1
Estruturação Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
3.2.2
Hipótese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.2.3
Questões de pesquisa - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.2.4
O Formulário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 32
3.2.5
Benefícios . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.2.6
Desfecho Primário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.2.7
Desfecho Secundário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
3.2.8
Cronograma de execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
4
RESULTADOS DOS ESTUDOS EXPERIMENTAIS . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.1
Resultados do Mapeamento Sistemático . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
4.1.1
Desafios da utilização de DT no desenvolvimento de Software . . . . . . . . 37
4.1.2
Papéis exercidos no Design Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
4.1.3
Práticas relacionadas ao Design Thinking para produção de software . . . . 39
4.1.4
Modelos de DT e processos de desenvolvimento de software . . . . . . . . . 40
4.1.5
Ferramentas para integrar o desenvolvimento de software com Design
Thinking . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42
4.1.6
Avaliação de qualidade e Alinhamento dos Estudos Primários . . . . . . . . 43
4.2
Resultados do Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.2.1
Dados Gerais - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
4.2.2
Resposta a Questão de pesquisa Nº1 - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53
4.2.3
Resposta a Questão de pesquisa Nº2 - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54
4.2.4
Resposta a Questão de pesquisa Nº3 - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
4.2.5
Resposta a Questão de pesquisa Nº4 - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
4.2.6
Resposta a Questão de pesquisa Nº5 - Survey . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57
5
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS PADRÕES DE EVIDÊNCIAS IDENTIFICADOS 59
5.1
Análise Geral dos Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 59
5.2
Análise dos Resultados dos Estudos Experimentais . . . . . . . . . . . . . . 62
5.3
Padrões de Evidências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
5.4
Limitações Gerais desta pesquisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 71
6
TRABALHOS RELACIONADOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
7
CONSIDERAÇÕES FINAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77
8
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80
APÊNDICES
86
APÊNDICE A – FORMULÁRIO PARA EXTRAÇÃO E AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DOS TRABALHOS . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87
APÊNDICE B – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 1 / DESAFIOS . . . . . . . . . 88
APÊNDICE C – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 2 / PAPÉIS ASSOCIADOS AO
DESIGN THINKING . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 91
APÊNDICE D – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 3 / PRÁTICAS . . . . . . . . . 92
APÊNDICE E – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 4 / PRINCIPAIS MODELOS . 94
APÊNDICE F – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 5 / FERRAMENTAS . . . . . . 96
14
1 INTRODUÇÃO
Existem várias empresas de software que desenvolvem diversos produtos. Apesar de
existirem várias empresas de desenvolvimento de software no mundo, muitos softwares ainda
falham em atender aos requisitos e, eventualmente, os clientes acabam não os utilizando.
Segundo IBRAIGHEETH (2020) a previsão de falha de projeto de software precocemente
pode ajudar a tomar medidas de aprimoramento que podem conduzir o resultado do projeto
do fracasso ao sucesso. Uma série de riscos pode afetar o projeto de software durante o
processo de desenvolvimento e pode levar ao fracasso do projeto. Isso geralmente ocorre
porque as equipes de software não conseguem entender completamente os requisitos
do usuário. O Design Thinking (DT) é uma ferramenta que facilita a compreensão das
necessidades do usuário, e tem se tornado uma boa alternativa para aqueles que buscam
produtividade e satisfação do usuário com o produto (BUCHAN, 2017). Nos últimos anos,
diversos estudos vêm sendo desenvolvidos para avaliar a efetividade da implantação do DT
no desenvolvimento de software e como a implantação destas abordagens trazem melhorias
na qualidade do software (PARIZI, 2022). A sua efetividade está atrelada ao envolvimento
do usuário em várias fases do processo de desenvolvimento do produto, podendo assim,
priorizar, testar e criar recursos mediante as necessidades informadas pelo usuário.
Nas últimas décadas, a participação do usuário no processo de desenvolvimento
de software, foi considerada uma das perspectivas mais importantes para a obtenção do
sucesso na estruturação de projetos (PEREIRA, 2021). Empresas de software vêm adotando
a abordagem centrada no usuário em seus projetos com o intuito de gerar cada vez mais
produtos inovadores, com valor agregado ao cliente (PERAIRE, 2019). A integração do DT na
produção de software, faz com que o usuário tenha sempre pequenas entregas do produto,
isto lhe possibilita avaliar os resultados de maneira constante, sem que tenha que aguardar a
finalização de todo o projeto para usufruir e avaliar o produto. A estrutura do Design Thinking
pode ser usada dentro do desenvolvimento de software para obter empatia do cliente e
superar esse problema (MIRZA, 2020).
Este trabalho tem como foco promover evidências sobre os padrões de utilização
do Design Thinking no desenvolvimento de software. Com base nisso, busca-se fornecer
subsídios conceituais, juntamente com práticas da engenharia de software, para a adoção
do Design Thinking em ambientes de desenvolvimento de software. Lidar com o desenvolvimento de projetos de software exige que as partes interessadas estejam bem alinhadas, além
de ter muito bem definido qual o público alvo que deseja-se atingir com o projeto, quais os
caminhos deverão ser percorridos e quais estratégias deverão ser utilizadas para êxito do
projeto. Porém, executar tudo isto exige muita paciência e organização (SUMAN, 2021). A
disposição dos assuntos nessa dissertação foi dividida em quatro partes e distribuída por 8
Capítulo 1. Introdução
15
capítulos da seguinte forma: 1 - Introdução, 2 - Referencial Teórico, 3 - Métodos de Pesquisa
Utilizados, 4 - Resultados dos Estudos Experimentais, 5 - Análise e Discussão dos Padrões de
Evidências Identificados, 6 - Trabalhos Relacionados, 7 - Considerações Finais, e por fim, 8 Referências Bibliográficas.
1.1
PROBLEMATIZAÇÃO
Uma das pesquisas realizadas pelo autor IBRAIGHEETH (2020), mostrou que uma
média de 65% dos projetos em um contexto global de software falharam nas últimas décadas.
O estudo também aponta que os projetos que falharam tem um ou mais das seguintes
características, qualidade desejada não alcançada e não atender aos requisitos do usuário,
levando ao abandono total do produto, mesmo que já tenha sido lançado. Conforme
evidências contidas no estudo de OSAMA et al. (2019), onde o autor aborda sobre o aumento
da demanda em agrupar as informações em ambientes digitais (Sistemas), isto promoveu
que empresas refletissem sobre como entender as necessidades de seus clientes, e explorar a
necessidade de desenvolver produtos inovadores para competir com o mercado, visto que os
clientes estão cada vez mais exigentes, e procuram soluções rápidas e eficazes para atender
às suas necessidades digitais.
O estudo realizado por DITTRICH et al. (2018), apontou que o mercado econômico
global tem requisitado abordagens User Center Design (UCD) dentro do desenvolvimento de
software, pois enfrentam desafios culturais, baixos recursos financeiros para a administração
de projetos, problemas estruturais, e uma diversificidade literal de seus clientes. Isto faz
com que as empresas busquem desenvolver produtos cada vez mais usuais e homogêneos,
trazendo uma melhor interação do usuário no processo de construção dos produtos. O
benefício dessa avaliação junto aos praticantes envolvidos no processo de desenvolvimento
apresentou melhorias na redução de retrabalhos, usuários satisfeitos, melhor colaboração
com as partes interessadas e uma compreensão próxima dos usuários e suas necessidades.
1.2
OBJETIVOS DA PESQUISA
1.2.1 Objetivo Geral
O presente trabalho tem como objetivo identificar, sintetizar e analisar padrões
de evidências do emprego de abordagens de Design Thinking no desenvolvimento de
software, através de um mapeamento sistemático e a execução de um survey, buscando
auxiliar profissionais e pesquisadores a compreender com maior profundidade os desafios e
implementar soluções mais eficazes para aprimorar suas atividades no desenvolvimento de
software, utilizando abordagens de design thinking.
Capítulo 1. Introdução
16
1.2.2 Objetivos específicos
Para alcançar o objetivo principal deste trabalho, alguns objetivos específicos foram
executados, sendo eles:
• Planejamento e Execução de um mapeamento sistemático da literatura;
• Planejamento e Execução de um survey com profissionais que atuam com desenvolvimento de software;
• Avaliação de Qualidade, Extração de Informação e Análise Geral das evidências;
• Apresentar e Analisar os padrões de evidências identificados nas perspectivas da
literatura e da indústria de software;
• Compreender como o Design Thinking afeta o processo de desenvolvimento de
software;
• Prover evidências que auxiliam em como utilizar recursos de DT de forma satisfatória
na indústria de software;
1.3
JUSTIFICATIVA
A necessidade de inovação e interação do usuário abrange desde o cenário corporativo
até os ambientes educacionais, e as diversas faixas etárias. GURAN et al. (2020) relataram que
as crianças que nascem no século atual (século XXI), são chamadas de nativos digitais, porém
as suas habilidades digitais estão abaixo das expectativas da futura força de trabalho, que
será tremendamente digital. Criar soluções que promovam a interação e auxiliem as pessoas
no desenvolvimento de habilidades digitais, tem se tornado uma necessidade cada vez mais
eminente no mercado tecnológico. Pesquisas sobre Design Thinking indicam que ele pode
impactar positivamente as atividades de desenvolvimento de software, de forma que a sua
adoção pode promover uma compreensão aprofundada do produto, dos usuários e de suas
necessidades. Alguns pesquisadores recomendam a aplicação contínua do Design Thinking
em todas as fases do desenvolvimento de software. Entretanto, ainda existe uma lacuna na
compreensão de como essa abordagem é adotada nos processos de software, assim como
sobre os recursos necessários para sua implementação (DOBRIGKEIT, 2021).
1.4
CONTRIBUIÇÕES DA PESQUISA
Durante o desenvolvimento desta pesquisa, alguns artigos foram desenvolvidos e
outros estão em andamento, como pode ser visto na Tabela 1.
Capítulo 1. Introdução
17
Tabela 1 – Artigos Derivados do Mestrado
Artigo
Design Thinking Evidence in Software Development: Results From a
Systematic Mapping
Design Thinking in Software Development: A Practical Approach in
Technology Labs
Practical Applications of Design
Thinking: Experiences from Software Development Teams
Design Thinking in Software Development: A Comprehensive Overview of Research
A evidence roadmap about Design
Thinking in Software Development
1.5
Revista / Conferência
Qualis Estágio
Ano
IEEE
International
Conference WETICE
A3
Publicado
2023
IEEE
International
Conference SMC
A2
Publicado
2024
IEEE
International
Symposium
on
Multimedia
A3
Submetido
2024
SN Computer Science
A2
Convidado
2024
A definir
-
A submeter
2024
ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
A organização deste trabalho tem como objetivo apresentar os dados de estudos expe-
rimentais realizados para a compreensão de padrões de Design Thinking no desenvolvimento
de software. No capítulo seguinte, serão apresentados os referenciais teóricos utilizados para
a execução desses experimentos, cujos conceitos foram fundamentais para garantir que as
diretrizes seguidas fossem seguras, a fim de gerar publicações consistentes com o estado
da arte. No Capítulo 3, serão descritas as etapas de execução desta dissertação de mestrado,
abordando as estratégias utilizadas para a realização do Mapeamento Sistemático e do Survey.
Durante o mapeamento sistemático, foram seguidas dez etapas metodológicas, e, para o
survey, foi estruturado um protocolo de pesquisa com base nas diretrizes apresentadas no
estudo de WAGNER et al. (2020).
No Capítulo 4, serão apresentados os resultados obtidos com a realização dos
estudos experimentais. No Capítulo 5, será feita uma análise geral das informações coletadas
durante a execução dos estudos. O Capítulo 6 discutirá quatro estudos classificados como
trabalhos relacionados, que tratam da aplicação do Design Thinking no desenvolvimento de
software. Por fim, no Capítulo 7, serão apresentadas as considerações finais desta dissertação,
juntamente com propostas para a continuidade desta pesquisa em estudos futuros.
18
2 REFERENCIAL TEÓRICO
Nesta seção, são apresentados os conceitos relevantes ao tema de pesquisa, proporcionando uma melhor contextualização. A seguir, serão abordados os conceitos de Design
Thinking, Engenharia de Software Experimental, Mapeamento Sistemático e Survey, os
quais foram fundamentais para a identificação de padrões no uso do Design Thinking nos
processos de desenvolvimento de software. O Processo de Desenvolvimento de Software,
ou Software Development Lifecycle (SDLC), é um processo que organiza as atividades de
desenvolvimento em fases distintas, facilitando o planejamento e a gestão (DHANDAPANI,
2016). O conceito básico do modelo SDLC abrange atividades principais, como Requisitos,
Projeto, Implementação, Teste, Depuração, Implantação e Manutenção. A maneira como
essas atividades são executadas, de forma sequencial ou em paralelo, é o que torna cada
abordagem única.
No processo de desenvolvimento de software, diversos modelos podem ser adotados
no ambiente corporativo, e as organizações podem escolher o mais adequado com base
em fatores como tempo e recursos disponíveis. Essa escolha, geralmente, é uma decisão
conjunta entre os gestores e a equipe de desenvolvimento, considerando aspectos gerenciais,
comerciais, técnicos e específicos de cada projeto. O desenvolvimento de software é orientado
pelos escopos definidos pelos gerentes de projeto, sendo essa a fase em que os requisitos
são transformados em soluções concretas no software em desenvolvimento (PETERS, 2018).
É essencial que o processo de desenvolvimento de software siga as melhores práticas de
engenharia de software, assim como outros requisitos centrados no usuário que foram
incorporados ao design, visando construir produtos eficientes e alinhados às necessidades
dos usuários.
2.1
DESIGN THINKING
O Design Thinking (DT) é um tema que vem despertando o interesse empírico sobre
a sua aplicação e benefícios quando adotado dentro do processo de desenvolvimento de
software (MAHÉ, 2019). As empresas de software têm utilizado o Design Thinking como
uma abordagem de design centrado no usuário (User Center Design - UCD), colocando o
usuário no centro do processo de desenvolvimento de software (PARIZI, 2022). Em linhas
gerais, DT é uma abordagem UCD que envolve o usuário no desenvolvimento de soluções de
software inovadoras (Pereira and Russo, 2018). Design Thinking ou pensamento de design, é
a abstração do modelo mental adotado pelos designers para gerar ideias e resolver problemas
(BROWN, 2008). O DT enfatiza a busca pela criatividade e sua implantação auxilia equipes
a lidar com os mais diversos problemas, sem estruturação ou até mesmo aqueles que não
Capítulo 2. Referencial Teórico
19
possuem definições claras e concisas (SENFT, 2019). O DT foi declarado pela primeira vez
em 1987 por ROWE (professor de arquitetura e design urbano na Universidade de Harvard)
em seu livro Design Thinking. O autor defendeu que os designers têm uma forma única
de abordar o seu trabalho, um processo único de resolução de problemas (KIMBELL, 2011;
LUPTON, 2011; TSCHIMMEL, 2012).
Os autores BRENNER et al. (2016) sugerem que o DT como um recurso organizacional
pode ser descrita em três níveis diferentes: como uma mentalidade, como um processo
ou como uma caixa de ferramentas. Essa caracterização tem sido amplamente aceita
na literatura (KUULA et al., 2020; LEVY e HULI, 2019; HEHN et al., 2019; MAHE et al.,
2019). O desenvolvimento de uma mentalidade de Design Thinking (DT) é um conceito
fundamental tanto para sua prática quanto para sua pesquisa. Certas mentalidades são
particularmente valiosas ao aprender ou aplicar o DT. Por exemplo, adotar uma mentalidade
empática é essencial para compreender as necessidades dos usuários e para promover a
colaboração em equipes diversificadas. O DT como mentalidade reconhece que a inovação é
um processo humano voltado para atender às necessidades humanas. Essa abordagem integra
pensamento divergente e convergente, adota a filosofia de aprender com falhas rápidas e
precoces, incentiva a criação de protótipos para experimentação e enfatiza a importância
de realizar testes antecipados com os clientes. (DOBRIGKEIT, 2019). O Design Thinking,
enquanto processo, é organizado como uma série de espaços de trabalho iterativos que
combinam pensamento divergente e convergente. DT como uma caixa de ferramentas se
refere ao uso de métodos e técnicas de design de engenharia, computação e psicologia para
resolver um problema (KUULA et al., 2020). A literatura apresenta diversos processos de
DT, frequentemente denominados modelos de Design Thinking (PARIZI et al., 2022). Cada
modelo caracteriza o DT como um conjunto de etapas ou espaços dedicados à compreensão
do problema e à criação de soluções inovadoras, a Tabela 2 destaca as variações desses
processos com base nas definições apresentadas por diferentes autores.
Tabela 2 – Diferentes modelo de Design Thinking
Autor
Brown (2008)
D.School
Stanford
(2010)
Brenner et al. (2016)
Modelos de Design Thinking
Inspiração / Ideação / Implementação
Empatia / Definir / Idear / Prototipagem / Teste
Necessidade e Síntese / Ideação / Protótipo / Teste / (Re)definir
problema
Nos últimos anos, autores têm discutido sobre a crescente demanda por sistemas de
informação, e como isso levou as empresas a repensar mais as necessidades de seus clientes e
a necessidade em desenvolver produtos inovadores para competir no mercado. Para alcançar
este objetivo, o Design thinking se torna uma metodologia que auxilia na construção de
software, pois é centrada no ser humano e que pode levar à criatividade e inovação dos
processos para aqueles que a adotarem (SOHAIB, 2019; PRESTES, 2020). Com base nos artigos
Capítulo 2. Referencial Teórico
20
classificados como objetos deste estudo, foi observado que houve um aumento significativo
no desenvolvimento de estudos de DT associado ao processo de desenvolvimento de software.
Aspectos como a necessidade de interação com o usuário, empreendedorismo, criação de
produtos inovadores (FRANZISKA, 2019), são fatores que impactam na busca de soluções
como o Design Thinking para atingir esses objetivos.
2.1.1 Fases do Design Thinking
Os autores FAWCETT et al. (2013) mencionam que o DT aplica muitas técnicas
criativas e inovadoras para desenvolver produtos modernos. Uma das vantagens da aplicação
do DT é que seus conceitos podem ser aplicados em qualquer cenário e fase (FARRAR, 2020).
A implementação do DT pode ocorrer de maneira interativa ou não linear (FRANZISKA, 2019). A utilização do DT auxilia as equipes a explorar alternativas e realizar novas
descobertas sobre determinado tema, permitindo que sejam motivadas a refletir sobre
premissas anteriormente adotadas antes da implantação do DT. A Figura 1, aborda a
representação dessas atividades, considerando um ciclo segmentado em fases.
Figura 1 – Fases do Design Thinking
Fonte: Adaptado de Falk (2020)
Capítulo 2. Referencial Teórico
21
Segundo as diretrizes de BROWN (2008) o processo de DT é considerado um sistema
composto por três espaços sobrepostos, e não uma sequência de etapas ordenadas: inspiração,
ideação e implementação. A inspiração refere-se à fase em que se identifica o problema ou
oportunidade que motiva a busca por soluções; a ideação representa o processo de geração,
desenvolvimento e teste de ideias; e, por fim, a implementação visa levar o projeto ao público
(JIMÉNEZ, 2021). Esses espaços não seguem uma ordem fixa, permitindo que a equipe volte
a qualquer um deles — inspiração, ideação ou implementação — repetidamente, à medida
que as ideias são refinadas (PETERSEN et al., 2017).
Na fase de inspiração, busca-se compreender as necessidades e desafios relacionados
ao problema que se deseja resolver. A coleta de informações pode ser realizada por meio
de entrevistas individuais ou em grupo, de forma presencial ou digital, além de estudos na
literatura sobre o tema em questão. Na fase de ideação, os dados coletados são analisados
e transformados em insights para soluções inovadoras. A análise pode ser conduzida por
meio da condensação sistemática dos dados principais, seguida da segmentação em temas
preliminares. A criação de protótipos também auxilia na abstração de soluções que atendam
às necessidades dos usuários.
Na fase de implementação, as ações são executadas, incluindo a realização de
testes, atividades essenciais focadas nas necessidades dos usuários, validações constantes
e melhorias no que já foi desenvolvido. A Figura 2 apresenta a relação entre as fases e os
espaços onde são exploradas as soluções e os problemas a serem tratados com a adoção do
Design Thinking.
Figura 2 – Exploração do Espaço de Problemas e Soluções no Design Thinking
Fonte: Adaptado de Gurusamy (2016)
Capítulo 2. Referencial Teórico
22
2.1.2 Engenharia de Software Experimental
Experimentação é o centro do processo científico. Somente experimentos verificam
as teorias. Somente experimentos podem explorar os fatores críticos e dar luz ao fenômeno
novo para que as teorias possam ser formuladas e corrigidas. (TRAVASSOS, 2002). O método
de experimentação consiste em avaliar novas invenções, comparando com as com inovações
já existentes, de modo que possuam alguma característica semelhante.
O método de engenharia de software experimental observa as soluções existentes,
sugere as soluções mais adequadas, desenvolve, mede e analisa, e repete até que nenhuma
melhoria adicional seja possível. Isto é uma abordagem orientada à melhoria evolutiva que
assume a existência de algum modelo do processo ou produto de software e modifica este
modelo com propósito de melhorar os objetos do estudo. A Figura 3 descreve o fluxo do
processo de experimentação.
Figura 3 – Processo de experimentação
Fonte: Adaptado de Wohlin (2012)
Sendo assim, os elementos principais do experimento são as variáveis, os objetos, os
participantes, o contexto do experimento, hipóteses e o tipo do projeto do experimento, que
pode ser qualitativa, quantitativa, ou ambas (TRAVASSOS, 2008).
Conforme apresentado na Figura 3, existem dois tipos de variáveis do experimento,
sendo elas as variáveis dependentes e as variáveis independentes. As variáveis dependentes,
referem-se à saída do processo de experimentação, ou seja, podem representar o efeito que é
causado pelos fatores do experimento, sendo comumente apresentada como o resultado da
experimentação. Enquanto as variáveis independentes, referem-se à entrada do processo de
experimentação, comumente chamadas de “fatores”, pois apresentam a causa que afeta o
resultado do processo.
Capítulo 2. Referencial Teórico
23
2.1.3 Mapeamento Sistemático
Uma revisão sistemática (Systematic Literature Review - SLR) é uma forma secundária
de estudo que utiliza uma metodologia bem definida para identificar, analisar e interpretar
toda a evidência disponível a respeito de uma questão de pesquisa específica, uma área ou
um fenômeno de interesse do pesquisador. Existem dois tipos de revisões que compreendem
a SLR: mapeamento sistemático (systematic mapping) e a revisão terciária (tertiary review)
(KITCHENHAM, 2007).
De acordo com os autores citados acima, um mapeamento sistemático permite que a
evidência seja analisada de uma forma macro, permitindo assim a identificação de clusters
de evidências o que pode direcionar o foco de futuras revisões sistemáticas e identificar áreas
de interesse para a condução de novos estudos primários.
PETERSEN et al. (2008) destacam que o principal objetivo de um mapeamento
sistemático é fornecer uma visão geral da área de pesquisa, identificar a quantidade, os
tipos de pesquisa na área, além dos resultados disponíveis nela. As principais diferenças entre
mapeamentos sistemáticos e revisões sistemáticas, de acordo com KITCHENHAM (2007),
são:
• Mapeamentos sistemáticos geralmente possuem questões de pesquisa mais amplas,
e também podem ter várias questões de pesquisa;
• Os termos de pesquisa (search terms) em mapeamentos são menos focados que em
SLR e provavelmente retornarão um grande número de documentos. Dada a natureza do
mapeamento, isto não é um problema já que o objetivo aqui é uma cobertura mais ampla;
• O processo de extração dos dados no estudo de mapeamento é muito mais amplo
do que em uma SLR. O objetivo nesta etapa será classificar os estudos selecionados com
detalhes suficientes para responder às questões de pesquisa;
• O estágio de análise no mapeamento serve para resumir os dados que vão responder
às questões de pesquisa. É improvável que sejam feitas análises detalhadas com técnicas
complexas. Representação gráfica pode ser uma boa forma de expor os dados;
• Por fim, a divulgação dos resultados de um mapeamento pode ser mais limitada do
que a divulgação de um SLR.
2.1.4 Survey
A pesquisa foi concebida com o objetivo de reunir evidências sobre a adoção do
Design Thinking em cenários reais de desenvolvimento de software, por meio da avaliação
de profissionais da área de TI. Os instrumentos de pesquisa baseados em surveys são
métodos sistemáticos utilizados para coletar informações em estudos quantitativos (por
meio de questionários) e qualitativos (por meio de entrevistas). Esses instrumentos permitem
Capítulo 2. Referencial Teórico
24
avaliar percepções sobre um determinado tema dentro de uma amostra populacional,
possibilitando a realização de inferências sobre a população como um todo (WOHLIN et al.,
2012). Para garantir uma abordagem sólida e consistente, utilizou-se as diretrizes de pesquisa
estabelecidas no guia desenvolvido por WAGNER et al. (2020) e conduzimos cuidadosamente
as seguintes etapas:
Etapa 1. Design da Pesquisa. Realizou-se um mapeamento sistemático sobre a
utilização do Design Thinking no desenvolvimento de software (JESUS, 2023), a fim de
fornecer as bases teóricas para a formulação das perguntas e opções de resposta. A partir disso,
a pesquisa inicial foi elaborada com base nas evidências preliminares do estudo mencionado,
visando obter respostas específicas para atender às questões de pesquisa do survey.
Etapa 2. Revisão do Design da Pesquisa. A pesquisa foi revisada e ajustada com
base em discussões online e no feedback registrado por pesquisadores de Engenharia de
Software da Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e da Universidade Federal do Agreste de
Pernambuco (UFAPE). Em seguida, a pesquisa também foi revisada pelos autores do estudo.
Etapa 3. Avaliação inicial da estruturação da pesquisa. Esta avaliação consistiu em
uma revisão preliminar realizada por entrevistados selecionados aleatoriamente. Um grupo
de 10 profissionais que atuam no desenvolvimento de software foi convidado a fornecer
feedback sobre a clareza das perguntas e a registrar o tempo de resposta. Essa fase resultou
em pequenos ajustes relacionados à clareza das perguntas do formulário da pesquisa. As
respostas foram descartadas antes do lançamento oficial da pesquisa.
Etapa 4. Refinamento do Conteúdo da Pesquisa. Esta fase envolveu a avaliação por
especialistas no tema da população-alvo. Foram selecionados quatro profissionais seniores
em desenvolvimento de sistemas, que na sequência foram solicitados a responder a pesquisa
e transmitirem seus respectivos feedbacks. Os participantes não tiveram dificuldades em
responder à pesquisa, que levou, em média, cinco minutos. Após essa etapa, a pesquisa foi
considerada pronta para divulgação.
25
3 MÉTODOS DE PESQUISA UTILIZADOS
Neste capítulo estão descritas as características dos tipos de pesquisa adotadas neste
trabalho. Inicialmente, os conceitos iniciais dizem respeito a um estudo de mapeamento
sistemático, e na sequência fazem referência a execução de um protocolo survey. Por meio do
estudo teórico de mapeamento sistemático foi realizada uma análise do que se havia feito
na literatura a respeito da adoção do Design Thinking em processos de software. Com base
nestas evidências, um estudo aprofundado com o intuito de avaliar as evidências dos achados
do mapeamento sistemático em cenários reais de desenvolvimento de software foi executado
por meio de um formulário de pesquisa online.
A Figura 4 apresenta as macro etapas realizadas durante o desempenho desta pesquisa
de mestrado englobando as fases de planejamento e execução do mapeamento sistemático
e do survey. Para que fosse possível atender os objetivos descritos neste trabalho, as etapas
descritas foram executadas de forma sequencial, com o intuito de realizar análises após
cada etapa finalizada. A publicação dos resultados dos experimentos foram efetuadas em
conferências internacionais conforme apresentado na Tabela 1.
Figura 4 – Fluxo de etapas da pesquisa
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
3.1
26
MAPEAMENTO SISTEMÁTICO
O mapeamento sistemático foi realizado seguindo as diretrizes estabelecidas para a
realização de revisões sistemáticas da literatura sugeridas por Kitchenham (2007), que são um
meio comprovado para chegar a um censo completo das pesquisas existentes dentro de um
domínio. Nesta seção são apresentados as etapas de execução do mapeamento sistemático.
Quanto ao método adotado para a condução do estudo, foram utilizados os conceitos de uma
revisão sistemática da literatura, a partir dos objetivos definidos no escopo definido na seção
de objetivos, que visa sintetizar em um modelo de evidências a respeito de como o Design
Thinking pode afetar o processo de desenvolvimento de software. Dez etapas metodológicas
foram empregadas. A primeira etapa teve como objetivo definir as estratégias de busca do
mapeamento sistemático. A segunda etapa consistiu em definir os termos chaves da pesquisa.
A terceira envolveu a estruturação e criação da string de busca da pesquisa. A quarta etapa
compreendeu em definir as bases de dados para a execução do mapeamento. A quinta
envolveu a definição dos critérios de inclusão e exclusão dos resultados. A sexta etapa teve
como ação realizar a seleção dos artigos primários encontrados. A sétima, consistiu em
documentar o processo de busca, sendo as próximas etapas definidas em avaliar a qualidade
do estudo, avaliar os tipos de estudos encontrados e execução dos critérios de avaliação,
respectivamente. Essas etapas estão demonstradas na Figura 5 e serão descritas nas próximas
seções.
Figura 5 – Etapas do mapeamento sistemático
Fonte: Adaptado de KITCHENHAM (2010)
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
27
3.1.1 Questões de pesquisa - Mapeamento Sistemático
A realização deste estudo buscou responder à seguinte questão geral de pesquisa:
(QG): Como o Design Thinking afeta o processo de desenvolvimento de software? Neste
sentido, também foram formuladas questões específicas de pesquisa, considerando quatro
questões de pesquisa, buscando evidências que mapeiem e componham as atividades de
desenvolvimento de software e DT.
Q1. Quais são os desafios da utilização do Design Thinking no processo de desenvolvimento de Software?
Q2. Quais são os papéis exercidos no Design Thinking associados durante o desenvolvimento de software?
Q3. Quais são as boas práticas utilizadas no Design Thinking em desenvolvimento de
software?
Q4. Quais são os modelos de processos de Design Thinking encontrados no desenvolvimento de software?
Q5. Quais são as ferramentas de DT utilizadas no desenvolvimento de software?
3.1.2 Termos chaves da pesquisa
Após a definição do projeto, tendo como base as diretrizes de KITCHENHAM (2007),
como população, intervenção, questões de pesquisa e resultados, faz-se necessário a inclusão
de palavras-chave, com o intuito de facilitar a identificação da ideia central do documento.
Após a determinação dos termos principais de pesquisa, seleciona-se um conjunto
de sinônimos e posteriormente realiza-se a tradução para o inglês por ser o idioma usual de
revistas e artigos científicos. Além disso , palavras que possuem flexão de número (singular e
plural), estão demarcadas com o símbolo asterisco (*). Os termos e sinônimos identificados
são apresentados abaixo:
• Desenvolvimento de Software: Software development; Tailoring software process,
development stages;
• Emprego de Design Thinking no desenvolvimento de projetos: use of design
development of software projects ,User-centered design, User centric design;Design Thinking,
Design session;
• Desafios: Challenge*, Difficult* , problem;
• Papéis: functions, assignments, roles;
• Boas Práticas: Good Practice, best practice, practice;
• Modelos: Models, Prototypes;
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
28
• Ferramentas: Tool*;
3.1.3 Strings de busca
Segundo KITCHENHAM (2007), as strings de pesquisa são derivadas apropriadamente
das questões de pesquisa. Portanto, as strings de busca foram geradas a partir da combinação
dos operadores booleanos “OR” (ou) e “AND” (e), e as palavras chaves associadas às questões
de pesquisa, englobando também os seus respectivos sinônimos. A string utilizada para
responder às questões será listada a seguir: (Tabela 3).
Tabela 3 – String para as questões de pesquisa
Questão de pesquisa
Q1, Q2, Q3, Q4 e Q5
String
(((“Design Thinking”) OR (”user-centered design”))
AND ((“software development”) OR (”software process”)) AND ((“challenges”) OR (“roles”) OR (“models”) OR (“practices”) OR (”tools”)))
3.1.4 Fontes de busca
Existem várias fontes de bancos de dados acadêmicos. Para definições destas fontes de
dados foram levados em consideração alguns aspectos, dentre eles: Importância e relevância
das fontes; Disponibilidade de consulta dados online; Compatibilidade de mecanismos de
busca usando palavras-chave (keywords). Portanto, as fontes de pesquisa utilizadas para a
busca dos estudos primários foram:
• IEEE Xplore Digital Library (https://ieeexplore.ieee.org/)
• ACM Digital Library (https://portal.acm.org)
• Scopus (https://www.scopus.com)
3.1.5 Critérios de inclusão e exclusão
Para garantir a seleção imparcial de artigos, foi utilizado um processo multiestágio que
envolveu dois pesquisadores, onde foram documentadas as razões para inclusão/exclusão
de cada artigo, conforme sugerido por KITCHENHAM (2007). A Tabela 4 apresentada abaixo,
retrata os critérios de inclusão e exclusão adotados neste estudo.
3.1.6 Seleção dos estudos primários
O processo de seleção dos estudos é constituído por várias etapas, cujo a finalidade
é avaliar se o resultado é condizente com o que se deseja encontrar, pontos estes que são
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
29
Tabela 4 – Critérios de Inclusão/Exclusão
Tipo
Inclusão
Inclusão
Exclusão
Exclusão
Exclusão
Exclusão
Exclusão
Exclusão
Descrição
Trabalhos relacionados ao DT no desenvolvimento
de software
Artigos publicados entre 2000 e 2023
Trabalhos que não discutem DT no desenvolvimento
de software
Documentos não disponíveis para download
Trabalhos não escritos em inglês
Artigos que não foram revisados por pares
Capítulos de livros
Artigos Incompletos
definidos pelas questões de pesquisa. Em seguida, definiu-se as estratégias utilizadas para a
busca dos estudos primários, englobando os critérios de inclusão e exclusão. As etapas desta
abordagem serão explanadas a seguir:
• Dois pesquisadores (Mestrando e Orientador) inicialmente realizam as buscas dos
estudos, neste momento são levados em consideração o título dos estudos e as palavraschaves dos artigos encontrados. Havendo compatibilidade com as questões de pesquisas,
estes artigos são classificados para a próxima etapa de seleção, caso contrário são excluídos
do processo;
• Após a etapa anterior foi obtida uma lista de estudos relevantes em relação às
questões de pesquisas que foram definidas na composição do mapeamento sistemático.
Nesta etapa, foi efetuado uma análise mais robusta dos artigos, avaliando os resumos e a
seção de conclusão dos trabalhos.
• Após a análise dos resumos e conclusões, realizou-se a classificação dos artigos como
aptos ou não aptos para composição dos resultados deste mapeamento sistemático.
• Na etapa final, foi efetuado a extração dos dados e avaliação da qualidade dos
trabalhos realizados.
3.1.7 Extração da informação
Tendo como base as diretrizes de KITCHENHAM (2007), essa seção aborda as
limitações e adaptações que ocorrem no processo de busca definido para essa revisão.
Observou-se limitações quanto às fontes de busca, algumas ainda não contemplam as
abordagens utilizadas e relatadas nesta revisão, e outras possuem limitações quanto ao
número de operadores booleanos utilizados, tendo a necessidade de realizar adaptações nas
strings de busca. Em complemento, a literatura científica está em constante evolução, o que
pode exigir atualizações frequentes no mapeamento para incluir novos estudos publicados
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
30
após a execução inicial.
Outro desafio encontrado é que os resultados encontrados nem sempre incluem
todos os dados relevantes. Tendo a necessidade de verificar com muita cautela várias etapas
do artigo, por exemplo, a seção de métodos e resultados, tornando o processo de análise
demorado e rigoroso.
3.1.8 Avaliação da qualidade do estudo
KITCHENHAM (2007:26-28) destaca a importância de avaliação de qualidade de
trabalhos quantitativos e qualitativos, em que são apresentados critérios gerais e específicos
para submeter e avaliar a relevância da pesquisa. KITCHENHAM (2007) argumenta ainda
que a execução da avaliação de qualidade dos estudos incluídos é crítica por alguns motivos,
que incluem: fornecer ainda mais detalhes para aplicar os critérios de exclusão/inclusão;
investigar se as diferenças de qualidade explicam as diferenças dos resultados dos estudos;
a avaliação de qualidade caracteriza-se como uma maneira de dar pesos na importância
de estudos individuais quando os resultados são sintetizados; esta etapa pode guiar a
interpretação dos resultados encontrados e determinar a força das inferências; e pode guiar a
recomendação de trabalhos futuros.
No apêndice A, estão contidas as perguntas utilizadas para a avaliação da qualidade
dos artigos selecionados. Foram utilizadas 8 perguntas com o intuito de avaliar se os artigos
respondem a cada uma das questões de pesquisa individualmente. Para cada pergunta, as
notas foram efetuadas com os seguintes critérios:
• 1.0 - Significa que o estudo cumpriu o critério COMPLETAMENTE.
• 0.5 - Significa que o estudo cumpriu PARCIALMENTE o critério
• 0.0 - Significa que o estudo NÃO cumpriu o critério.
3.1.9 Tipos de estudo
Uma Revisão Sistemática de Literatura é uma forma de identificar, avaliar e interpretar
todas as pesquisas disponíveis que são relevantes para uma particular questão de pesquisa,
ou área, ou fenômeno de interesse”. Segundo KITCHENHAM (2007), existem algumas
características que diferenciam uma revisão sistemática de uma revisão da literatura de
uma revisão convencional. As revisões sistemáticas possuem um escopo e um protocolo
de execução específico, voltado à responder questões de pesquisas estabelecidas. Além de
possuir critérios de inclusão e exclusão para avaliar cada estudo primário de relevância.
Enquanto a convencional segue os processos mais abrangentes de análise.
KITCHENHAM (2007), relata que o objetivo dos estudos empíricos em engenharia de
software é “Fornecer os meios pelos quais as melhores evidências atuais de pesquisa podem
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
31
ser integradas com a experiência prática e valores humanos no processo de tomada de decisão
sobre o desenvolvimento e manutenção de software”. Neste contexto, a evidência é definida
como uma síntese da melhor qualidade estudos científicos sobre um tópico específico ou
questão de pesquisa. O principal método de síntese é uma revisão sistemática da literatura
(SLR), que é o que foi proposto neste trabalho.
3.1.10 Critérios de avaliação
KITCHENHAM (2007) destaca a importância do uso dos critérios, que podem ser
gerais referentes a escrita e apresentação da pesquisa (Exemplo: se os objetivos da pesquisa
estão apresentados de forma coerente e clara; se há discussão dos resultados), e critérios
mais específicos para a questão de pesquisa da revisão sistemática (Exemplo: se houve
determinação clara das questões de pesquisa; explicitação e utilização dos critérios de
inclusão ou exclusão). O objetivo de definir os critérios é identificar os estudos primários
que fornecem evidências diretas a respeito das questões de pesquisa (KITCHENHAM, 2007).
Mediante isto, foram avaliados esses aspectos absorvendo o conteúdo de cada artigo, visando
distinguir se os mesmos estavam de acordo com as questões de pesquisa definidas.
3.2
SURVEY
Para confrontar os resultados a partir do Mapeamento Sistemático, foi realizado a
execução de uma pesquisa com profissionais de Tecnologia da Informação, com o intuito de
investigar sobre a aplicação do Design Thinking no desenvolvimento de software. A partir
disso, buscou-se compreender quais são as evidências do DT nas fases do desenvolvimento
de software. Esta seção descreve o protocolo utilizado para a execução de um survey, cujo
objetivo principal é investigar os desafios da utilização do Design Thinking no processo de
desenvolvimento de software por meio de profissionais da área de TI.
3.2.1 Estruturação Survey
Nesta seção são apresentados as etapas de execução do formulário de pesquisa.
Quanto ao método adotado para a condução da pesquisa, foram elaborados a partir dos
objetivos definidos no escopo definido na seção de objetivos, que visa identificar a aplicação
do Design Thinking no processo de desenvolvimento de software. Foi utilizado o aplicativo de
gerenciamento de pesquisa Google Forms para projetar e hospedar nossa pesquisa on-line,
que esteve disponível para participação entre os meses de Maio a Agosto de 2024. De acordo
com as diretrizes de ética, os entrevistados podem solicitar a remoção de suas respostas do
estudo a qualquer momento, desde que encaminhe formalmente a solicitação de exclusão
por e-mail. Para atingir o número máximo de respostas, os convites foram enviados para
listas de e-mails associadas a fóruns de tecnologia e também grupos do Telegram.
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
32
No formulário, as perguntas foram estruturadas com algumas estratégias, buscando
identificar a caracterização da empresa e do participante, desafios, práticas e metodologias
do desenvolvimento de software, bem como desafios e ferramentas associadas ao tema.
3.2.2 Hipótese
A aplicação do Design Thinking no desenvolvimento de software pode resultar em
produtos usuais, centrados no usuário e adaptáveis às necessidades em constante mudança
dos clientes.
3.2.3 Questões de pesquisa - Survey
O objetivo primário desta pesquisa buscou responder a questão geral de pesquisa
(QG): Como utilizar recursos de DT de forma satisfatória na indústria de software? Para
tanto, as demais questões secundárias da pesquisa foram formuladas. A pesquisa parte para
cinco questões de investigação mais específicas que possam responder essas perguntas, na
busca por uma abordagem que apoie com práticas e ferramentas eficazes no processo de
desenvolvimento de software.
Q1. Quais são as evidências de DT no cenário de desenvolvimento de software?
Q2. Quais os principais desafios encontrados na utilização de DT na produção de
software?
Q3. Quais os possíveis recursos de DT costumam ser utilizados para otimizar a
construção de software?
Q4. Quais são os tipos de projeto em que DT é utilizado?
Q5. Quais os papéis que costumam atuar mais com DT e software?
3.2.4 O Formulário
A indústria de software precisa de produtos inovadores que atendam cada vez mais
as perspectivas dos usuários, com boa usabilidade e funcionalidades que atendam às suas
reais demandas. Nesse sentido, o conceito de Design Thinking tem se consolidado como
um poderoso recurso para desenvolvimento de software, trazendo vantagens competitivas e
impactando diretamente na qualidade do produto. Para execução desta pesquisa, perguntas
foram formuladas a partir dos objetivos definidos no escopo definido na seção de objetivos.
O formulário utilizado para captura dos dados foi elaborado por meio da plataforma Google
Forms, e pode ser acessado através do link https://forms.gle/3EQ19uE1MfQvVqsB7.
O formulário possui um total de 18 perguntas , sendo 17 obrigatórias e 1 opcional.
O mesmo visa ser aplicado para pessoas que atuam profissionalmente no cenário de
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
33
desenvolvimento de software. Para caracterização da empresa e do participante as seguintes
perguntas foram desenvolvidas:
1 - E-mail do participante (Opcional)
2 - Qual a localidade da empresa em que atua? (Cidade / Estado / País).
3 - Quantos funcionários sua empresa tem?
4 - Qual a sua função ou os papéis que desempenha na empresa?
5 - Há quanto tempo atua com desenvolvimento de software?
6 - Qual o seu nível de formação ?
7 - Quais papéis/funções costumam compor as equipes na sua empresa?
8 - Em uma escala de 1 a 5, qual o seu grau de conhecimento sobre Design Thinking?
1 corresponde a pouco conhecimento e 5 corresponde a muito conhecimento sobre Design
Thinking na produção de software.
9 - Há quanto tempo atua com Design Thinking na produção de software?
Para caracterização do processo, práticas e metodologias do desenvolvimento de
software as seguintes perguntas foram desenvolvidas:
10 - Em uma escala de 1 a 5, como você considera a adoção de DT na produção de
software na sua empresa? Onde 1 corresponde a pouca utilização dos conceitos de DT e 5
corresponde a muita utilização dos conceitos de Design Thinking na produção de software.
11 - Em quais fases do desenvolvimento de software a empresa tem utilizado o Design
Thinking?
12 - Em sua atuação com o Design Thinking, quais são as práticas mais utilizadas em
seus projetos? Como a empresa busca por novas práticas, metodologias e processos para
melhorar seu processo de Design Thinking?
13 - Combinadas com o Design Thinking, quais metodologias/modelos são utilizados
na empresa em que atua?
14 - Como a empresa busca por novas práticas, metodologias e processos para
melhorar seu processo de Design Thinking?
15 - Em seu contexto profissional, como metodologias/modelos associados ao Design
Thinking atendem às necessidades do seu projeto? Onde 1 corresponde a um baixo grau de
atendimento e 5 corresponde a um alto grau de atendimento.
Por fim, para a identificação dos desafios e ferramentas da adoção no Design Thinking
no desenvolvimento de software as seguintes perguntas foram desenvolvidas:
16 - Quais são os principais desafios do time ao utilizar o Design Thinking?
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
34
17 - Quais ferramentas alinhadas ao DT são utilizadas em seus projetos para o
desenvolvimento de softwares?
18 - Em sua atuação profissional na empresa com DT, quais são os tipos de projeto de
software desenvolvidos?
A partir das respostas do formulário, uma análise de dados deverá ser executada,
buscando sintetizar em um modelo de evidências a respeito de como o Design Thinking pode
afetar o processo de desenvolvimento de software.
3.2.5 Benefícios
Os benefícios desta pesquisa contemplam mapear evidências de abordagens UCD
(User Center Design) no desenvolvimento de software, buscando promover produtos que
atendam as necessidades dos clientes, além de levantar possíveis caminhos para entender os
requisitos necessários para resolução desta problemática, e como isso pode se tornar cada
vez mais comum entre empresas do ramo de tecnologia da informação.
3.2.6 Desfecho Primário
De forma geral, este trabalho busca desenvolver um conjunto de evidências que
enfatizam o uso de DT no processo de software, as perguntas buscam identificar e analisar
quais desafios, funções, práticas, modelos e ferramentas do Design Thinking são usados
no desenvolvimento de software. Este formulário foi desenvolvido por meio da plataforma
do Google Forms, e tem como ênfase a aplicação em cenários reais de desenvolvimento de
software através da respostas de profissionais que já atuam na área de forma profissional.
3.2.7 Desfecho Secundário
Os resultados identificados serão compilados e analisados, e a partir disto algumas
discussões e análises mais profundas foram realizadas entre os pesquisadores responsáveis
pela pesquisa (Mestrando e Orientador). Este corpo de evidências cobre uma literatura
atual sobre DT e os resultados poderão ajudar profissionais e pesquisadores da área de
desenvolvimento de software para entender melhor os desafios e implementar soluções mais
eficazes para melhorar suas tarefas usando abordagens de design thinking.
3.2.8 Cronograma de execução
Além de promover a organização, o cronograma é uma ferramenta indispensável
para gerenciar o tempo de um projeto. O cronograma apresenta a relação das atividades
a serem realizadas, indicando-se a previsão de tempo necessário para a execução de cada
etapa da pesquisa. As fases de execução das etapas desta pesquisa consistiram na elaboração
Capítulo 3. Métodos de pesquisa utilizados
35
do formulário de pesquisa, desenvolvido no Google Forms, estruturação do protocolo de
pesquisa a ser desempenhado, aplicação do survey, análise dos dados, escrita dos resultados
finais e publicação no estado da arte.
36
4 RESULTADOS DOS ESTUDOS EXPERIMENTAIS
O propósito deste capítulo é apresentar os dados obtidos durante a execução dos
estudos experimentais. Os dados expostos consistem em informações provenientes do Mapeamento Sistemático e do Survey. Inicialmente, são apresentadas as principais características
do Mapeamento Sistemático (Seção 4.1) e as principais características do Survey (Seção 4.2).
Em seguida, os resultados obtidos serão apresentados, discutidos e correlacionados, além de
serem debatidos à luz da literatura.
4.1
RESULTADOS DO MAPEAMENTO SISTEMÁTICO
A seguir, serão apresentados as informações sobre os desafios da utilização do Design
Thinking no processo de desenvolvimento de Software. A segunda seção apresenta os
resultados referente aos papéis exercidos no Design Thinking durante o desenvolvimento de
software. A Seção 4.1.1 fornece os resultados referente aos desafios encontrados na utilização
do Design Thinking durante o processo de desenvolvimento de software, enquanto a Seção
4.1.2 apresenta os papéis exercidos no Design Thinking. A Seção 4.1.3 apresenta as práticas
relacionadas ao Design Thinking para produção de software, enquanto a Seção 4.1.4 apresenta
o relacionamento dos modelos de DT na produção de software. A Seção 4.1.5 apresenta as
ferramentas utilizadas no desenvolvimento de software relacionadas com o Design Thinking,
e por fim, a seção 4.1.6 apresenta a avaliação da qualidade dos artigos selecionados.
Mediante a execução da string de busca, foram selecionadas 890 publicações para
análise inicial (1º seleção). As buscas pelos estudos primários foram realizadas mediante o
protocolo apresentado na seção de métodos. Após a realização para seleção dos estudos, 95
artigos foram selecionados como relevantes ao tema. A Tabela 5 apresenta os resultados do
processo de seleção.
Tabela 5 – Resultados do processo de seleção dos estudos primários
A primeira coluna aborda as bases de dados acadêmicos utilizadas neste estudo, onde
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
37
foram realizadas as buscas manuais. A segunda coluna apresenta o número total de artigos
encontrados no processo de busca. A terceira coluna mostra o número de artigos selecionados
após a primeira etapa do processo de seleção, que consistiu na avaliação do título, resumo e
palavras-chave para excluir estudos irrelevantes para este mapeamento sistemático. A quarta,
apresenta o número de artigos excluídos após a 1º etapa do processo de seleção. Por fim, a
última coluna apresenta o percentual do número de artigos incluídos no mapeamento de
acordo com a base de dados acadêmicos. A seguir, apresentamos os resultados encontrados
para as questões de pesquisa propostas neste estudo.
4.1.1 Desafios da utilização de DT no desenvolvimento de Software
Alguns autores informam que a implementação do DT no processo de desenvolvimento de software é um desafio, pois em muitos casos, é necessário lidar com diferentes
culturas, idiomas, costumes, fatores econômicos e entre outros fatores (PEREIRA, 2021). A
abordagem se torna ainda mais complexa quando o DT é implementado a outros métodos
(CARROLL, 2016), onde os agentes participantes precisam ter domínio a respeito do conceito
do DT em conjunto com outros modelos. Fatores associados à dificuldade em identificar
os interesses dos usuários durante as fases do DT também foram encontrados durante a
execução deste estudo (SURESH et al., 2021). A Tabela 6 apresenta os principais desafios
encontrados durante o mapeamento sistemático. Foram encontrados 29 desafios, sendo a
sua maioria, com uma forte relação ao aspecto de desenvolvimento de software, podendo
observar que existem muitos problemas estruturais que podem ser encontrados desde a fase
de planejamento até a fase de desenvolvimento e testes. Embora os desafios associados ao
processo de desenvolvimento sejam maioria, existem fatores ligados à abordagem UCD, como
por exemplo a transparência na comunicação entre as partes interessadas (Stakeholders) e os
times, fatores culturais, senso de urgência e relevância e entre outros. A listagem completa
dos desafios encontrados na realização deste mapeamento sistemático pode ser apreciada no
apêndice B deste trabalho.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
38
Tabela 6 – Desafios na adoção do Design Thinking
ID Desafio
Descrição
Envolver o cliente no processo de desenvolvimento,
1 O envolvimento do cliente
visando compreender as suas necessidades.
A falta de interação das partes interessadas no
Participação das Partes Inte2
processo de desenvolvimento pode se tornar um
ressadas
desafio.
Implementação de Design
Implementação de Design Thinking com outros
3 Thinking com outros métométodos.
dos.
Identificar hábitos/interes4
Identificação de hábitos e interesses dos usuários.
ses de consumo do usuário
Envolver o cliente no processo de desenvolvimento,
5 Valor agregado
visando entender suas necessidades.
Senso de Urgência e Relevân- A falta de senso de urgência e priorização de
6
cia
requisitos pode se tornar um desafio.
Envolver o cliente e chamar sua atenção para algo
7 Envolvimento do Cliente
que ele deseja é um processo desafiador.
Orçamentos limitados podem se tornar desafios imi8 Orçamento limitado
nentes no processo de desenvolvimento de software.
Desafios Geográficos e Cultu- Interação entre pessoas geograficamente distantes e
9
rais
diversidades culturais podem se tornar um desafio.
Separação do trabalho de UX Segmentar trabalhos associados a designers e traba10
Designer e Desenvolvedores lhos relacionados a desenvolvedores.
4.1.2 Papéis exercidos no Design Thinking
A Tabela 7 retrata os principais papéis encontrados ao implementar DT no processo de
Software, o contexto Ágil tem se tornado cada vez comum no processo de desenvolvimento de
software, em virtude da sua capacidade de mudanças durante as fases dos projetos (Dobrigkeit
2019), associados a esta metodologia, temos as figuras do Scrum Master, Product Owner, e
Development Teams, que buscam cada vez mais entender as necessidades de seus respectivos
usuários e implementá-las aos projetos. UX Designer são papéis cada vez mais comuns
no processo de software, visto que a prototipagem faz parte de uma das suas principais
atribuições. Neste mapeamento também encontramos papéis que estavam diretamente
ligados ao desenvolvimento de software, sendo eles desenvolvedores, QA Specialist, Software
Engineer, e entre outros. Apesar de não haver nenhum impedimento destes papéis em utilizar
o design thinking durante as suas atividades, isto ainda é uma variante, pois estão mais ligados
ao desenvolvimento software do que as necessidades do usuário, ao todo foram encontrados
60 papéis que possuem relação com o Design Thinking e o desenvolvimento de software,
estas evidências estão contidas no apêndice C deste documento.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
39
Tabela 7 – Papéis no Uso do Design Thinking no Desenvolvimento de Software
ID
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
Papel
Descrição
O designer é o profissional responsável pela concepção
de um produto. Ele compreende os conceitos artísticos e
Designer
funcionais, projeta e idealiza um objeto utilitário com fins
definidos.
Responsáveis por realizar o trabalho de desenvolvimento
Development Team
do produto de ponta a ponta.
Usuário
Responsável pela utilização do produto.
O Scrum Master é o responsável por garantir que o Time
Scrum Master (SM)
Scrum se oriente pelos valores e práticas do Scrum.
O Product Owner representa os interesses de todos os
Product Owner (PO)
envolvidos (Stakeholders), define as funcionalidades do
produto e prioriza os itens de Product Backlog.
Responsável por planejar e executar a estratégia por trás
Product Manager
do produto, determinar suas funcionalidades e viabilizar o
acesso aos recursos necessários para a sua produção.
Responsável por estar à frente de um projeto, liderando
Project Manager
e coordenando todas as atividades. Trata-se do líder do
projeto, que conduz a equipe na busca pelo resultado.
Responsável por projetar e guiar o desenvolvimento de
Software Engineer
sistemas, aplicativos e programas
Responsável por conduzir a pesquisa de usuário, protoUser experience Desig- tipagem e outros processos para garantir o máximo de
ner
usabilidade, utilidade e acessibilidade na experiência do
usuário.
Responsável por implementar todas as técnicas que farão
Marketing Analyst
o consumidor se atrair por uma marca e querer comprar o
produto ou serviço ofertado.
4.1.3 Práticas relacionadas ao Design Thinking para produção de software
O Design Thinking possui uma abordagem centrado no usuário, logo busca compreender as necessidades dos mesmos, autores como BEKELE (2019) e DA SILVA (2011) abordaram
três práticas importantes ao serem adotadas no processo de desenvolvimento de software,
sendo elas: Entender e especificar o contexto de uso do produto, especificar os requisitos do
usuário, produzir soluções de design para atender aos requisitos do usuário e efetuar avaliação
do design em relação aos requisitos. Através dos resultados do nosso estudo, foi possível listar
um conjunto das principais práticas associadas a DT que podem ser implementadas no
processo de desenvolvimento de software, conforme retrata a Tabela 8 deste documento. No
apêndice D foram listadas o conjunto de práticas encontradas durante a realização deste
estudo. É importante destacar que tivemos ao todo 116 práticas encontradas durante a
execução do mapeamento sistemático, sendo estas, de grande impacto ao desenvolvimento
de software.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
40
Tabela 8 – Principais práticas utilizadas no Design Thinking
ID
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
Prática
Descrição
A prototipagem é a criação de um protótipo, que permite
Prototipagem
que uma ideia de produto seja colocada em prática.
É uma técnica de avaliação e pesquisa que analisa se a
Estudos de Usabilidade experiência é boa, ruim, fácil, difícil, lenta ou demorada
por meio de tarefas simples que o usuário precisa realizar.
Comunicação feita entre duas ou mais pessoas, em que
Feedbacks
uma delas é avaliada pelas demais em relação às suas
ações, comportamentos, tarefas, entre outros.
Entrevistas prelimina- Estas são as primeiras entrevistas feitas no processo de
res
criação e idealização de projetos/produtos.
Persona é a representação fictícia do cliente ideal de um
Personas
negócio.
É uma atividade destinada a explorar o potencial criativo
Brainstorming
de um indivíduo ou de um grupo.
São organizadores gráficos como uma série de ilustrações
ou imagens dispostas em sequência com o objetivo
Storyboards
de visualizar um filme, animação ou gráfico animado,
incluindo elementos interativos em sites.
Para projetar e criar ótimas experiências de usuário,
precisamos entender as necessidades do usuário e, para
Foco nas necessidades
isso, focar nelas. Com isso em mente, podemos aprender,
reais do usuário
desenvolver e alcançar o fluxo de trabalho perfeito para os
usuários.
É o uso de técnicas de design de jogos que utilizam a
mecânica do jogo e o pensamento orientado para o jogo
Gamificação
para enriquecer diversos contextos normalmente não
relacionados aos jogos.
A coleta de dados é o processo de coletar, medir e analisar
Coleta de dados com
dados de várias fontes para obter insights. Os dados podem
usuários
ser coletados através de várias fontes
Uma meta de experiência do usuário é uma escolha feita
Objetivos da experiên- por sua equipe de produto sobre que tipo de experiência
cia do usuário
você deseja que seus usuários tenham com seu produto
ou serviço.
Estes são os principais formatos de documentação de
Histórias de usuários requisitos. Embora as histórias de usuário descrevam
com critérios de aceita- exatamente o que o usuário deseja que o sistema faça, o
ção
objetivo dos critérios de aceitação é explicar as condições
que uma história de usuário específica deve satisfazer.
4.1.4 Modelos de DT e processos de desenvolvimento de software
Com o avanço da necessidade de interação global para as práticas de desenvolvimento
de software, o modelo ágil tem se tornado cada vez mais evidente neste cenário (MARRU,
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
41
2021), mas o DT não fica limitado apenas a este modelo, ele também pode ser implementado
a projetos com outros modelos, e projetos que utilizam a abordagem UCD (User Center
Design) para desenvolvimento de suas tarefas (GURAN, 2020). Durante a execução deste
estudo, 47 modelos foram encontrados, a Tabela 9 destaca os principais modelos encontrados
no mapeamento sistemático. No apêndice E, representamos todos os modelos encontrados
durante a realização deste estudo.
Tabela 9 – Principais Modelos associados ao Design Thinking
ID
Modelo
1
Design Thinking Model
2
UCD - User Centred
Design
3
Iterative Model
4
Human Computer Interaction (HCI)
5
Agile Model
6
Model-based Systems
Engineering (MBSE)
7
Design And Development Research (DDR)
8
ADDIE Model
9
Nordstrom Model
10
Model-driven engineering (MDE)
Descrição
Abordagem centrada no ser humano para a inovação ancorada na compreensão das necessidades do cliente,
prototipagem rápida e geração de ideias criativas.
Coleção de processos que se concentram em colocar
os usuários no centro do design e desenvolvimento do
produto.
Desenvolvimento iterativo e incremental é qualquer combinação de design iterativo ou método iterativo e modelo
de construção incremental para desenvolvimento.
Ele se concentra no design da tecnologia de computador
e, em particular, na interação entre humanos (os usuários)
e computadores.
É um processo de desenvolvimento de software incremental e iterativo onde cada iteração é considerada um
“quadro” curto de tempo, que normalmente dura de duas
a quatro semanas.
É a aplicação formal de modelagem para dar suporte
aos requisitos do sistema, projeto, análise, verificação e
atividades de validação começando na fase de projeto
conceitual e continuando através do desenvolvimento e
estágios posteriores do ciclo de vida.
O foco do DDR está no uso, design, desenvolvimento,
implementação e avaliação de produtos, ferramentas,
programas e modelos usando modelos e estruturas de
design instrucional.
É uma estrutura de design de sistemas instrucionais
que muitos designers instrucionais e desenvolvedores de
treinamento usam para desenvolver projetos.
Combinação de Design Thinking, Metodologia Ágil e Lean
Startup.
Criação de modelos para artefatos da engenharia de
software, utilizados para analisar, simular e raciocinar
sobre as propriedades do sistema em desenvolvimento.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
42
4.1.5 Ferramentas para integrar o desenvolvimento de software com Design
Thinking
Tabela 10 – Principais ferramentas associados ao Design Thinking
ID
Ferramenta
Tipo
1
Figma
Prototipagem
2
Sketch
Prototipagem
3
Adobe Xd
Design / Edição
de Mídia
4
Illustrator
Design / Edição
de Mídia
5
Photoshop
Design / Edição
de Mídia
6
Microsoft Visual
Studio
IDE
7
Phyton
Linguagem de
Programação
8
Google ApresenGestão de Tarefas
tações
9
Miro
Gestão de Tarefas
10
Javascript
Linguagem de
Programação
Descrição
Figma é um editor gráfico de vetor e prototipagem de projetos de design baseado principalmente no navegador web.
Sketch é um editor de gráficos vetoriais para o
sistema operacional macOS.
Adobe XD é uma ferramenta de design de
experiência do usuário baseada em vetores
para aplicativos da web e aplicativos móveis.
Adobe Illustrator é um aplicativo de gráficos
vetoriais padrão do setor que permite criar
logotipos, ícones, desenhos, tipografia e ilustrações complexas para qualquer meio.
É um software desenvolvido pela Adobe Systems, para edição de imagens.
O Visual Studio permite que você conclua todo
o ciclo de desenvolvimento em um único lugar.
Por exemplo, você pode editar, depurar, testar,
controlar a versão e implantar na nuvem
O Python é uma linguagem de programação
amplamente usada em aplicações da Web,
desenvolvimento de software, ciência de dados
e machine learning (ML).
O Apresentações Google é um programa de
apresentação incluído como parte do pacote
gratuito de editores de documentos do Google
baseado na Web oferecido pelo Google.
O Miro é uma plataforma de comunicação
visual que funciona como uma lousa interativa
digital.
JavaScript é uma linguagem de programação
interpretada estruturada, de script em alto
nível com tipagem dinâmica fraca e multiparadigma. Juntamente com HTML e CSS, o JavaScript é uma das três principais tecnologias da
World Wide Web.
Após executar o mapeamento sistemático, um conjunto de 75 ferramentas foram encontradas, incluindo ferramentas para a criação de protótipos, ferramentas de comunicação,
gerenciador de tarefas, editores de texto e mídias, etc. Todas essas categorias de ferramentas
podem ser utilizadas para o desenvolvimento de atividades de DT. Na Tabela 10, destacamos
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
43
as principais ferramentas encontradas. A maior parte das ferramentas estão associadas ao
processo de prototipação, fase esta que serve para validar com os usuários finais, se os
passos a serem desenvolvidos satisfazem os interesses das partes interessadas. Em seguida,
as linguagens de programação aparecem compondo 13% dos resultados de citação nos
estudos selecionados, elas são as precursoras no processo de desenvolvimento de software.
Ferramentas de Edição de Mídia e Design possuem também um alto grau de relevância,
compondo 33% de citação nos resultados obtidos através do mapeamento sistemático. As
IDE’s ( Integrated Development Environment), compõem 8% das citações dos artigos, e estão
relacionadas unicamente à fase de desenvolvimento de software. As ferramentas que não
se encaixam em nenhuma dessas classificações, compõem 13% das citações dos artigos
relacionados, sendo estas, associadas a editores de textos, ferramentas de gestão de tarefas,
softwares educacionais e etc. A Tabela 11 descreve a porcentagem de citação de ferramentas
nos resultados deste estudo.
Tabela 11 – Percentual de ferramentas em artigos selecionados
Tipo de Ferramenta
Prototipagem
Linguagem de programação
Design / Edição de Mídia
IDE
Outros
Citação em artigos selecionados(%)
33%
13%
33%
8%
13%
4.1.6 Avaliação de qualidade e Alinhamento dos Estudos Primários
Esta seção descreve a avaliação dos artigos selecionados, bem como as suas respectivas classificações. Em nosso estudo tivemos um quantitativo de 95 artigos selecionados,
estes foram classificados em Regular, Bom ou Ótimo. Os artigos classificados como “Regular
possuem notas compreendidas de 0 até 3.5, enquanto os artigos classificados como “Bom”
possuem notas compreendidas entre 4 até 5.5, por fim, os artigos classificados como “Ótimo”,
possuem notas de 6 até 8, sendo 8 a pontuação máxima para a classificação. A Figura 6
apresenta o quantitativo dos artigos mediante a sua classificação.
As notas foram atribuídas mediante a resposta do formulário de extração, que tem
como objetivo avaliar individualmente se o artigo responde às questões de pesquisas
definidas, além de classificar a qualidade de cada um deles. O apêndice A apresenta o
formulário para avaliação dos artigos.
Em relação ao número de publicações de estudos primários relacionados ao Design
Thinking, a imagem a seguir (Figura 7) aborda, mediante os resultados encontrados neste
trabalho, a quantidade de artigos publicados nos últimos 23 anos que apresentam o DT no
desenvolvimento de software.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
44
Figura 6 – Classificação da qualidade dos artigos selecionados
Apesar de uma pequena amostragem baseada nos artigos selecionados deste estudo,
pode-se observar um aumento no número de artigos publicados que empregam conceitos
e práticas de Design Thinking em suas atividades, além de apresentar quais ferramentas,
modelos, práticas e desafios encontrados ao adotar DT no desenvolvimento ágil de software.
Este resultado confirma que os usuários de softwares estão cada vez mais em busca de
recursos e serviços que atendam às suas necessidades digitais de maneira eficiente. Um dos
meios de atender estas expectativas é através do desenvolvimento de soluções centradas nas
necessidades do usuário, o que comumente neste estudo é referenciado como abordagens
UCD (User Center Design).
Figura 7 – Número de publicações por ano dos artigos relacionados ao DT
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
4.2
45
RESULTADOS DO SURVEY
Os resultados obtidos a partir da realização do survey em empresas de desenvolvi-
mento de software forneceram uma visão sobre práticas, modelos, papéis, ferramentas e
desafios enfrentados na adoção do Design Thinking na produção de software. Essa abordagem
permitiu avaliar a adoção de metodologias e práticas, e compreender como diferentes papéis
utilizam o Design Thinking nas organizações. Os dados coletados possibilitam análises
detalhadas, contribuindo para o entendimento do uso do DT no desenvolvimento de software.
A Seção 4.2.1 apresenta os resultados gerais obtidos com a aplicação do survey. A Seção 4.2.2
aborda as respostas à Questão de Pesquisa Nº1, enquanto a Seção 4.2.3 discute as respostas à
Questão de Pesquisa Nº2. As Seções 4.2.4, 4.2.5 e 4.2.6 detalham as respostas às Questões de
Pesquisa Nº3, Nº4 e Nº5, respectivamente.
4.2.1 Dados Gerais - Survey
Esta seção apresenta os resultados gerais da pesquisa realizada. As respostas às
perguntas são fornecidas em formatos textuais e gráficos, facilitando uma compreensão
abrangente dos dados. Em relação à primeira pergunta relacionada às localizações dos
participantes, a maioria das respostas foi do Brasil, com apenas um pequeno número de
participantes indicando sua atividade profissional em outros países. Em relação ao tamanho
da empresa, os dados indicaram que a maioria dos entrevistados eram empregados por
organizações com mais de 250 funcionários. Em seguida, vieram empresas com 50 a 249
funcionários. Além disso, uma proporção menor de participantes trabalhavam em empresas
com 10 a 49 funcionários, enquanto apenas uma minoria estava associada a organizações
com até 9 funcionários, conforme apresentado na Figura 8. Essa distribuição de tamanhos de
empresa fornece um contexto valioso para a compreensão dos ambientes organizacionais
onde o Design Thinking pode ser utilizado.
Figura 8 – Tamanho da empresa dos participantes
A análise de dados do questionário pré-eliminatório revelou as funções mais proeminentemente representadas em ambientes de desenvolvimento de software que empregam
metodologias de Design Thinking. Os resultados são ilustrados na Figura 9. A questão foi
elaborada para obter múltiplas respostas para obter uma compreensão abrangente das
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
46
várias funções que cada participante ocupava. Os resultados revelaram que a maioria dos
entrevistados se identificou como desenvolvedores, seguidos por analistas de sistemas, líderes
técnicos e arquitetos de software.
Figura 9 – Distribuição de papéis
Além disso, este estudo buscou entender o nível de experiência dos participantes em
empresas de desenvolvimento de software, retratadas na figura 10. Os níveis de senioridade
dos participantes são uma consideração crítica para aqueles que buscam implementar os
modelos ou práticas de Design Thinking. A maioria dos participantes relatou ter de 1 a 4
anos de experiência em desenvolvimento de software, enquanto um número significativo
indicou entre 5 e 10 anos de experiência. Além disso, um grupo menor possuía de 11
a 20 anos de experiência, e apenas uma minoria tinha mais de 20 anos na área. Essa
distribuição de experiência fornece um contexto valioso para analisar as perspectivas e
insights compartilhados pelos participantes em relação ao uso do Design Thinking no
desenvolvimento de software.
Figura 10 – Experiência dos participantes com o desenvolvimento de software
Os dados indicam que a maioria dos entrevistados concluiu o ensino superior, seguido
por profissionais com qualificações de pós-graduação. Além disso, é digno de nota que alguns
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
47
participantes possuíam apenas o diploma de ensino médio, enquanto outros concluíram o
diploma de nível técnico. Essa variação nas formações educacionais ressaltam as diversas
qualificações dos participantes, o que pode influenciar em suas perspectivas e experiências
neste contexto. Essas informações são apresentadas na Figura 11 e essa composição de
papéis destaca a natureza colaborativa da dinâmica de equipe nas organizações e os diversos
conjuntos de habilidades que contribuem para o sucesso do projeto.
Figura 11 – Nível educacional dos participantes
Além disso, em resposta à pergunta “Quais papéis/funções normalmente compõem
as equipes em sua empresa?”, as descobertas indicaram que a maioria das equipes incluía
as seguintes funções: Gerente de Projeto, Desenvolvedor, Líder Técnico, Product Owner
(PO), Product Manager (PM), Designer, Diretor Executivo, Arquiteto de Software, Analista de
Sistemas, Analista de Dados, Analista de Segurança da Informação, Analista de Infraestrutura,
Patrocinador, Gerente de Recursos e Garantia de Qualidade de Software, entre outros. A figura
12 apresenta o conjunto de respostas dos participantes para este assunto.
Figura 12 – Composição dos times de tecnologia
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
48
O estudo em questão também revelou o grau de conhecimento sobre Design Thinking
entre os participantes da pesquisa. Os respondentes tiveram a oportunidade de indicar, em
uma escala de 1 a 5, seu nível de familiaridade com o tema, sendo 1 equivalente a pouco
conhecimento e 5 a um conhecimento elevado. Observa-se que a maioria dos participantes
indicou possuir um nível intermediário de conhecimento em Design Thinking, conforme
apresentado na figura a seguir (figura 13). Essa distribuição indica uma familiaridade variada
com o conceito entre os participantes, o que pode influenciar sua capacidade de se envolver
e implementar metodologias de Design Thinking em suas respectivas funções.
Figura 13 – Nível de Conhecimento em Design Thinking
Em resposta à pergunta “Há quanto tempo você trabalha com Design Thinking na
produção de software?”, a figura 14 apresenta que aproximadamente 46,2% dos participantes
indicaram que não se envolvem com Design Thinking em suas funções atuais. Enquanto isso,
13,5% relataram ter de 4 a 7 anos de experiência usando Design Thinking, e 40,4% declararam
que aplicaram os princípios do Design Thinking em seu trabalho por 1 a 3 anos. Essa
distribuição destaca uma proporção significativa de participantes que não estão utilizando
Design Thinking atualmente, ao mesmo tempo em que mostra uma gama diversificada de
experiência entre aqueles que o fazem.
Figura 14 – Tempo de Experiência com Design Thinking na Produção de Software
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
49
De forma semelhante à questão que avalia o grau de conhecimento sobre Design
Thinking entre os participantes, a realização do estudo também buscou compreender como
eles percebem a adoção dessa metodologia na produção de software nas empresas em que
atuam. O objetivo desta pergunta foi verificar se há uma alta utilização dos conceitos de
Design Thinking na produção de software. Os participantes responderam a essa questão em
uma escala de 1 a 5, sendo 1 correspondente a pouca utilização dos conceitos de Design
Thinking e 5 a uma utilização intensa desses conceitos na produção de software, a figura 15
destaca percepções variadas da adoção do Design Thinking em diferentes organizações.
Figura 15 – Adoção do Design Thinking na Produção de Software
A questão subsequente abordou as fases do desenvolvimento de software nas quais a
empresa implementou o Design Thinking, confirmando que o Design Thinking é comumente
aplicado em todos os estágios do processo de desenvolvimento. Os resultados indicam que
as fases de Análise de Requisitos e Design são as mais frequentemente associadas ao Design
Thinking, seguidas de perto pelas fases de Estudo de Viabilidade e Codificação. Essa aplicação
generalizada do Design Thinking em vários estágios ressalta seu papel integral no ciclo de
vida do desenvolvimento de software. Essas informações são apresentadas na Figura 16.
Em resposta à questão “Em sua atuação com o Design Thinking, quais são as práticas
mais utilizadas em seus projetos?”, tivemos como resultado as seguintes práticas: Prototipação
(64%), Estudos de Usabilidade (49,5%), Cultura de Feedback (47,6%), Brainstorming (43,7%),
Foco nas Necessidades do Cliente (50,5%), Entrega Contínua de Versões (45,6%), Definição
de Objetivos de Negócio (33,0%), Planejamento Adequado (29,1%), Storyboards (23,3%),
Personas (23,3%), Entrevistas Preliminares (23,3%), Suporte Executivo (6,8%), Gamificação
(4,9%), Grupo Focal (1,0%) e “Não é utilizada” (3,0%). Este resultado destaca os termos que
mais se destacam entre os participantes e reflete a ênfase deles nas principais práticas de
Design Thinking.
Em resposta à distribuição de metodologias e frameworks utilizados neste estudo,
destacou-se quais modelos são mais frequentemente utilizados em conjunto com o Design
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
50
Figura 16 – Fases do Desenvolvimento de Software com a abordagem Design Thinking
Thinking em contextos de desenvolvimento de software, incluindo as seguintes respostas:
Modelo Ágil (86,3%), The Hybrid Agile Process Framework (6,9%), Human Computer Interaction (HCI) (8,8%), UCD - User Centred Design (5,9%), Design And Development Research
(DDR) (6,9%), Model-based Systems Engineering (MBSE) (4,9%), Stanford Design (1,0%) e
Não Utilizado (1,0%). A figura 17 destaca a predominância do Modelo Ágil em conjunto com
o Design Thinking.
Figura 17 – Modelos e Metodologias Aplicados na Produção de Software
A questão “Como a empresa busca novas práticas, metodologias e processos para
aprimorar seu processo de Design Thinking?” teve como objetivo explorar de que maneira
as organizações procuram novos recursos para atender às necessidades dos usuários de
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
51
seus produtos. Os resultados indicam que a maioria das empresas se envolve em pesquisas
com usuários, bem como em prototipagem e testes para aprimorar suas práticas de Design
Thinking. Além disso, muitas organizações utilizam sessões de brainstorming, monitoram
tendências e participam de eventos como parte de sua busca por metodologias inovadoras.
Isso evidencia uma abordagem proativa por parte das empresas para refinar seus processos de
Design Thinking em resposta às demandas dos usuários. A Figura 18 retrata esta abordagem.
Figura 18 – Abordagens Empresariais para a Melhoria do Processo de Design Thinking
A pergunta seguinte, “Como as metodologias e modelos associados ao Design
Thinking atendem às necessidades do seu projeto?” teve como objetivo avaliar as percepções
dos participantes em relação à eficácia do alinhamento entre as metodologias do Design
Thinking e o sucesso de seus projetos. Esta investigação buscou elucidar o quão bem essas
metodologias ressoam com os requisitos do projeto dos participantes. A investigação sobre
os principais desafios encontrados pelas equipes ao utilizar o Design Thinking teve como
objetivo identificar e corroborar questões que foram discutidas anteriormente na literatura.
Os desafios mais frequentemente citados incluíram o senso de urgência e relevância, a
necessidade de envolver os usuários no processo, a reconciliação do Design Thinking com
as atividades de desenvolvimento de software e a participação das partes interessadas ao
longo do processo. Essas descobertas destacam barreiras críticas que as equipes enfrentam
na implementação eficaz das metodologias do Design Thinking. A Figura 19 apresenta os
principais desafios enfrentados pelas equipes ao usar o Design Thinking.
A pergunta “Quais ferramentas alinhadas ao Design Thinking são utilizadas em seus
projetos de desenvolvimento de software?” provocou uma variedade de respostas, com
inúmeras ferramentas sendo mencionadas em diferentes fases, incluindo prototipagem,
planejamento e execução de tarefas. A Figura 20 ilustra a gama diversificada de ferramentas
empregadas em conjunto com o Design Thinking em contextos de tecnologia. Esta visualização destaca a natureza multifacetada da integração do Design Thinking nas ferramentas de
desenvolvimento de software.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
52
Figura 19 – Principais Desafios Enfrentados pelas Equipes na Utilização do Design Thinking
Figura 20 – Ferramentas Complementares ao Design Thinking
Na pergunta final, sobre “Quais tipos de projetos de software são desenvolvidos?”,
os resultados indicaram que os cinco tipos de projetos mais frequentemente encontrados
incluem aplicativos da web, aplicativos móveis, sistemas ERP, sistemas de inteligência artificial
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
53
e sistemas de gerenciamento de banco de dados. Essa distribuição fornece insights valiosos
sobre as tendências predominantes no cenário de desenvolvimento de software e enfatiza a
gama diversificada de projetos sendo realizados por organizações.
As descobertas deste estudo são baseadas nas respostas de profissionais de tecnologia
ativamente envolvidos em ambientes de desenvolvimento de software. À medida que a
demanda global por produtos que efetivamente atendam às necessidades do usuário continua
a crescer, os insights coletados neste estudo posicionam o Design Thinking como uma
abordagem viável que foi adotada em vários segmentos de empresas de tecnologia. Esta
implementação do Design Thinking reflete um compromisso contínuo com o aprimoramento
de soluções centradas no usuário em resposta aos requisitos de mercado em evolução.
4.2.2 Resposta a Questão de pesquisa Nº1 - Survey
Em resposta à questão de pesquisa Nº1: “Quais evidências apoiam o uso do Design
Thinking no desenvolvimento de software?”, examinamos até que ponto a empresa incorporou o Design Thinking em várias fases do desenvolvimento de software, juntamente com
os esforços das empresas para aprimorar seus processos de Design Thinking por meio da
adoção de novas práticas e metodologias. Uma observação significativa é que o Design
Thinking é altamente enfatizado na fase de Análise de Requisitos (72,9%), o que se alinha
estreitamente com o foco na Pesquisa do Usuário (58,5%) como um método para melhorar
as práticas do Design Thinking. Ambos refletem uma forte ênfase na compreensão das
necessidades do usuário no início do processo de desenvolvimento. Em contraste, a aplicação
do Design Thinking nas fases de Codificação (35,3%) e Teste (27,1%) é menos expressiva. No
entanto, a prática relacionada de Prototipagem e Teste (55,3%) é altamente priorizada para
melhorias, sugerindo que, embora o Design Thinking não esteja totalmente integrado aos
estágios posteriores do desenvolvimento, as empresas estão ativamente buscando formas de
aprimorá-lo por meio da prototipagem. Outra lacuna importante é observada nas fases de
Implantação e Manutenção, onde o Design Thinking é minimamente aplicado. Essa limitação
pode ser superada com um maior foco no monitoramento de tendências e na realização de
brainstorming, visando identificar abordagens inovadoras que possam ser incorporadas após
o desenvolvimento. A Tabela 12 apresenta essas informações.
A Tabela 13 apresenta os dados fornecidos pelos participantes da pesquisa quanto
ao nível de conhecimento sobre Design Thinking. Pode-se observar que há uma limitação
na compreensão do uso do DT em relação à produção de software, pois apenas 8% dos
participantes relataram ter um nível excelente de conhecimento sobre Design Thinking. Esta
informação torna-se relvante visto que a falta de entendimento dos processos de Design
Thinking por permitir uma adoção do mesmo conturbada ou ineficiente, o que pode acarretar
em fraco aproveitamento dos seus benefícios dentro da produção de software.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
54
Tabela 12 – Fases e Aperfeiçoamento do Processo de Design Thinking
Fases de desenvolvimento de software em
que as empresas utilizaram o Design Thinking
Análise de Requisitos - (72.9%)
Estudo de viabilidade - (49.4%)
Design - (56.5%)
Codificação - (35.3%)
Teste - (27.1%)
Manutenção - (20%)
Como as empresas buscam novas práticas,
metodologias para aprimorar seu processo
de Design Thinking
Pesquisa do usuário - (58.5%)
Prototipagem e Testes - (55.3%)
Brainstorming - (40.4%)
Monitoramento de tendências - (35.1%)
Workshops - (31.9%)
Não utiliza - (3.3%)
Tabela 13 – Nível de Conhecimento em Design Thinking no Desenvolvimento de Software
Conhecimento sobre Design Thinking
Excelente (8%)
Muito bom (23%)
Intermediário (30%)
Um pouco bom (24%)
Nenhum (15%)
As respostas ao formulário evidenciam a prevalência do modelo ágil nas metodologias
utilizadas por empresas que atuam no desenvolvimento de software. Embora tenha sido
disponibilizado um campo aberto para que os participantes adicionassem outros modelos
utilizados em suas empresas, não foram recebidas respostas adicionais. Também buscou-se
compreender como as empresas dos participantes adotam novas práticas, metodologias e
processos para aprimorar seu processo de Design Thinking.
4.2.3 Resposta a Questão de pesquisa Nº2 - Survey
Em resposta à questão de pesquisa nº 2: “Quais são os principais desafios encontrados
na utilização de Design Thinking (DT) na produção de software?”, identificou-se que os
principais desafios no desenvolvimento de software envolvem a definição de um senso de
urgência e relevância nas atividades do projeto, bem como o engajamento do usuário no
processo de criação do software.
A relação entre esses desafios e o uso do Design Thinking está diretamente conectada,
uma vez que as dificuldades enfrentadas geralmente dizem respeito à compreensão dos
interesses dos envolvidos no projeto e à superação de suas expectativas. No entanto, observase que, segundo os participantes da pesquisa, a adoção do Design Thinking apresenta um
grau intermediário de eficácia na superação dos desafios mencionados. Essa pespectiva pode
estar associada com a evidência da questão anterior, onde nem todos os participantes da
pesquisa possuem um entendimento aprofundado sobre Design Thinking.
Como alternativa para visualizar os desafios identificados, a Tabela 14 apresenta
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
55
o relacionamento entre as práticas associadas a cada desafio do Survey. Por meio dessa
abordagem, é possível observar como cada desafio se manifesta no desempenho das práticas
associadas ao Design Thinking no contexto do desenvolvimento de software. Compreender a
relação entre cada desafio permite definir estratégias mais eficazes para os usuários do Design
Thinking, a fim de otimizar a aplicação dessas práticas nos processos de desenvolvimento de
software.
Tabela 14 – Desafios associados a práticas - Survey
4.2.4 Resposta a Questão de pesquisa Nº3 - Survey
Em relação à questão de pesquisa nº 3: “Quais recursos do Design Thinking costumam
ser utilizados para otimizar a construção de software?”, observou-se que a etapa do desenvolvimento de software em que o Design Thinking é mais comumente aplicado é a de análise
de requisitos. Essa aplicação está fortemente associada ao conceito de ideação no Design
Thinking, uma vez que, na fase de ideação, conforme descrito na Seção 2, ocorre o processo
de geração, desenvolvimento e teste de ideias — etapas fundamentais para a definição dos
requisitos dos projetos.
Outro aspecto importante é a prototipação, que apresentou o maior percentual de
respostas dos participantes ao serem questionados sobre as práticas mais utilizadas em
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
56
seus projetos. Esse fator é positivo, pois reflete os conceitos centrais do Design Thinking
que podem ser incorporados ao processo de desenvolvimento de software. A Figura 21
apresenta o conjunto de práticas mencionadas nas respostas do formulário da pesquisa,
relacionando-as com as fases dos projetos em que estão evidenciadas. As fases dos projetos
foram definidas como: Brainstorming, Prototipagem, Desenvolvimento e Teste. Embora tenha
sido disponibilizado um campo aberto para que os participantes sugerissem novas práticas
associadas ao uso do Design Thinking, não foram registradas contribuições nesse sentido.
Figura 21 – Utilização das Práticas de Design Thinking em Diferentes Fases do Projeto
4.2.5 Resposta a Questão de pesquisa Nº4 - Survey
Em resposta à pergunta de pesquisa “Quais são os tipos de projeto em que DT é
utilizado?”, constatou-se que 90% dos participantes atuam em projetos de desenvolvimento
de aplicações web, seguidos por projetos de aplicações mobile. Alinhados aos dados contidos
em nossa Seção 1.1 que menciona a necessidade constante das empresas em desenvolver
produtos cada vez mais usuais e homogêneos, aplicações web e mobile são comumente
associadas à conceitos de UX Design e práticas de prototipação para que possam promover
maior interatividade entre os usuários. Observou-se uma quantidade relevante de respostas
a sistemas ERP, que são sistemas de gerenciamento empresarial, isto porque o Design
Thinking também está imerso no contexto empresarial, trazendo abordagens centradas
no usuário para o ambiente corporativo. A Figura 22 apresenta o percentual de respostas
relacionadas aos tipos de projetos de software nos quais os participantes atuam. Os projetos
foram categorizados em três grupos principais: Desenvolvimento Web, Desenvolvimento
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
57
Mobile e Software Empresarial. Para cada grupo, foram definidos subgrupos com base nas
respostas dos participantes, sendo eles: Aplicações Web, Aplicativo Mobile, Sistema ERP,
Banco de Dados, Sistemas Embarcados e Controle de Versão. Houve também um único
participante que indicou sua atuação no desenvolvimento de software SaaS (Software as a
Service); no entanto, como sua representatividade foi muito baixa, esse resultado não está
sendo apresentado na Figura em questão. Nesta questão de pesquisa, os participantes podiam
selecionar mais de uma opção. Conforme ilustrado na Figura 22, entre os 105 participantes,
90% indicaram atuação em projetos de aplicações Web, 55% em projetos Mobile, e 23% em
projetos relacionados a sistemas ERP, entre outras categorias mencionadas.
Figura 22 – Categorias de Projetos que Incorporam Design Thinking
4.2.6 Resposta a Questão de pesquisa Nº5 - Survey
Em resposta à pergunta de pesquisa “Quais papéis são mais frequentemente envolvidos no Design Thinking dentro do desenvolvimento de software?”, observou-se neste
estudo uma expressiva participação de desenvolvedores de software, seguidos por analistas
de sistemas, conforme ilustrado na Figura 9. Esses resultados indicam que o Design Thinking
pode ser aplicado em empresas, abrangendo tanto áreas técnicas quanto setores responsáveis
pela gestão e governança de projetos.
Capítulo 4. Resultados dos Estudos Experimentais
58
Com base no corpo de evidências da aplicação deste estudo, observou-se como os
papéis estão associados aos desafios encontrados na adoção do Design Thinking no processo
de software. Estes papéis estão associados a várias frentes de atuação do processo de software,
mostrando que o sucesso no uso de Design Thinking requer uma colaboração ampla entre
equipes de gestão, desenvolvimento e design, além de uma coordenação estratégica entre
as lideranças da empresa. Para a maioria dos desafios, os papéis cobrem tanto gestores
estratégicos (CEO, CTO) quanto profissionais de desenvolvimento técnico e design. Isso
sugere que a solução de problemas e implementação de métodos de design exigem uma
interação forte entre as áreas. O envolvimento de diretores de tecnologia (CTO, CIO) em quase
todos os desafios evidencia a necessidade de decisões estratégicas e bem informadas sobre a
direção do projeto e a adoção de metodologias, como o Design Thinking. Conciliar o Design
Thinking com métodos tradicionais de desenvolvimento de software, bem como envolver o
usuário no processo, são desafios centrais. Isso demonstra a importância de uma integração
forte entre a equipe técnica e a equipe de design. A Figura 23 apresenta os papéis relacionados
a cada um desses desafios. Os papéis repetem-se em grande parte, sugerindo uma visão
multifuncional e destacando a importância da colaboração em equipes com diferentes perfis.
Figura 23 – Papéis e Desafios na Adoção do Design Thinking
59
5 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS PADRÕES DE EVIDÊNCIAS IDENTIFICADOS
O objetivo deste capítulo é apresentar as análises realizadas com base nos padrões
de evidências obtidos ao longo da execução deste estudo. Os dados expostos consistem
nas análises derivadas dos resultados do Mapeamento Sistemático e do Survey. Os temas
abordados estão organizados nas seguintes seções: Análise Geral dos Resultados (Seção 5.1),
Análise dos Resultados dos Estudos Experimentais (Seção 5.2), Padrões de Evidências (Seção
5.3), e por fim, Limitações Gerais desta Pesquisa (Seção 5.4).
5.1
ANÁLISE GERAL DOS RESULTADOS
Esta seção tem como objetivo analisar de forma geral os resultados obtidos neste
estudo, à luz dos objetivos propostos e da literatura revisada. A análise permitirá identificar
padrões e implicações dos achados para o campo de estudo. Os resultados indicaram
que a adoção de Design Thinking no desenvolvimento de software impacta diretamente
a colaboração entre equipes, a solução criativa de problemas e redução de custos a mitigação
de problemas de usabilidade dos projetos. Além disso, identificou-se a necessidade de um
conjunto ferramentas que auxiliem o processo de prototipação e ideação em ambientes de
desenvolvimento de software.
Em comparação com estudos de autores como DOBRIGKEIT (2019) e PEREIRA (2018)
abordados no capítulo de Trabalhos Relacionados (Capítulo 6), nossos resultados reforçam a
importância do Design Thinking para o engajamento das equipes de desenvolvimento. No
entanto, diferentemente de ALMEIDA (2019), que aponta dificuldades em definir indicadores
específicos para projetos de DT, nossos resultados indicam uma adaptação mais fluida
quando os conceitos de DT são utilizados nas fases de análise de requisitos e estudos de
usabilidade. Apesar dos resultados positivos, algumas limitações devem ser consideradas. Por
exemplo, a atualização das bases científicas limitando o quantitativo dos achados associados
aos estudos primários do Mapeamento Sistemático, a diversidade da composição dos times
de tecnologia, especialmente em organizações com diferentes níveis de conhecimento sobre
Design Thinking. Além disso, os dados qualitativos sugerem que a integração de DT com
metodologias ágeis, porém a efetividade do uso de DT com outras metodologias merece uma
investigação mais aprofundada visto que houve uma baixa quantidade de evidências neste
sentido.
Esses conjuntos de evidências sugerem que a adoção dos conceitos de DT pode
trazer benefícios consideráveis para o desenvolvimento de software, especialmente em
cenários onde deseja-se aumentar a colaboração entre equipes de tecnologia e cultivar ideais
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
60
associadas as perspectivas dos usuários nos requisitos de software dos projetos. No campo
teórico, os resultados abrem novas possibilidades para estudos futuros que investiguem a
adaptação do Design Thinking com outros métodos de desenvolvimento de software em
diferentes contextos organizacionais.
Diante disso, as questões de pesquisa dos experimentos serão explanadas a seguir. No
Survey, a questão geral “Como utilizar os recursos de Design Thinking de forma satisfatória na
indústria de software?” foi discutida e avaliada por meio das respostas às questões objetivas,
e principalmente sobre o uso do Design Thinking nas fases do desenvolvimento de software.
O objetivo foi compreender em quais etapas do processo o Design Thinking apresentava
maior evidência de aplicação. Os resultados indicaram que o Design Thinking mostrou-se
promissor, especialmente nas fases de definição e planejamento de projetos, uma vez que sua
abordagem colaborativa permite o agrupamento de ideias e facilita a definição de requisitos
com base em sua metodologia UCD (User Center Design), que coloca o usuário no centro do
projeto. Embora haja uma tendência de utilização do Design Thinking nas fases iniciais, sua
abordagem permite a absorção em outras etapas do desenvolvimento de software; contudo,
os resultados nessas fases foram menos promissores. Com o intuito de avaliar a satisfação
dos participantes quanto ao uso adequado do Design Thinking, a questão objetiva “Em seu
contexto profissional, como metodologias/modelos associados ao Design Thinking atendem
às necessidades do seu projeto?” obteve uma resposta intermediária da maior parte dos
participantes, conforme ilustrado no gráfico da Figura 24.
Figura 24 – Desafios Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa
Na questão geral do Mapeamento Sistemático, “Como o Design Thinking afeta o
processo de desenvolvimento de software?”, observou-se que o Design Thinking (DT) surge
como uma alternativa para promover interações entre o usuário final e os demais membros
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
61
da equipe de desenvolvimento de software, visando a produção de resultados que atendam
às necessidades dos usuários. Embora haja uma grande variação nos modelos em que os
estudos primários aplicam o Design Thinking, o contexto ágil apresenta o maior percentual
de citações e utilizações entre os estudos selecionados, conforme ilustrado na figura 25.
Figura 25 – Citação dos modelos nos estudos selecionados
Com base nesses resultados, constatou-se que o Design Thinking também contribui
para o processo de desenvolvimento de software em diferentes fases do projeto. Por meio do
uso de ferramentas, essas etapas podem ser melhor trabalhadas com o objetivo de trazer à
tona as perspectivas do usuário, mitigando a produção de soluções inadequadas. A Figura 26
apresenta as ferramentas associadas ao Design Thinking que foram comumente utilizadas
em cada fase do desenvolvimento de software, confirmando como o DT pode impactar
positivamente todas as etapas, especialmente nas fases de planejamento e definição de
soluções.
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
62
Figura 26 – Citação dos Modelos Nos Estudos Selecionados
5.2
ANÁLISE DOS RESULTADOS DOS ESTUDOS EXPERIMENTAIS
Os resultados obtidos através da execução do mapeamento sistemático mostram o
que vem sendo utilizado no cenário mundial de desenvolvimento de software, onde o usuário
precisa cada vez mais estar em evidência no processo de desenvolvimento de software para
que os produtos tenham boa aceitação por seus consumidores. Com isso, muitas práticas,
modelos e ferramentas têm sido utilizadas para suprir essa necessidade de superar os desafios
em projetar produtos que promovam melhores experiências para o usuário. No entanto,
trazer o usuário para o centro do desenvolvimento de software não é uma tarefa simples, os
processos e papéis que atuam neste cenário precisam ser bem definidos para que isso não
impacte no resultado final do produto. Dentro da engenharia de software, que compõe a linha
de pesquisa deste estudo, a DT tem se tornado uma alternativa para solução de problemas ao
adicionar o usuário ao processo de desenvolvimento de software.
Este corpo de evidências é uma proposição de mapeamento e é construído a partir
das evidências empíricas encontradas nos estudos primários e em respostas ao formulário
Survey aplicado para profissionais da área de TI, o que fornece algum nível de confiança
em sua validade. Além disso, as evidências declaradas são apenas exemplos de possíveis
relações entre tópicos fundamentais no processo de desenvolvimento de software, neste caso,
referindo-se às outras quatro questões de pesquisa. A lista final abrangendo os 95 estudos
selecionados pode ser avaliada no site a seguir: (https://abrir.link/QhnEF).
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
63
Por meio dos resultados encontrados no Mapeamento Sistemático após as fases de
seleção foi possível observar que a maioria dos autores adotaram a metodologia de estudo de
caso para estruturação dos artigos, correspondendo a 56% dos estudos encontrados após a
segunda fase de seleção do mapeamento. Métodos de experimentação corresponderam a
36% dos resultados e questionários corresponderam a 8%.
A Figura 27, mostra a relação entre as práticas encontradas neste estudo e os resultados
encontrados em outras questões de pesquisa. A primeira coluna aborda conceitualmente as
boas práticas associadas à DT no processo de desenvolvimento de software. As colunas seguintes apresentam os identificadores dos desafios listados no conjunto de evidências, bem como
os identificadores das funções, modelos e ferramentas, os identificados mencionados podem
ser visualizados através dos Apêndices B, C, D, E e F. Em geral, as práticas apresentadas podem
ser facilmente implementadas em muitos cenários, incluindo desenvolvimento de software.
Além disso, há a possibilidade de usar várias combinações entre os resultados encontrados.
A adoção dessas práticas também pode ajudar a lidar com os desafios encontrados para
abordagens centradas no usuário no processo de software. De forma semelhante, a Figura
28, aborda como os desafios encontrados no processo de desenvolvimento de software com
Design Thinking estão associados às demais questões de pesquisa. Por meio das evidências
listadas, é possível observar que existem ferramentas e práticas que auxiliam a minimizar os
desafios enfrentados durante o processo de software com DT, além disso, existem modelos
de DT que podem orientar a melhor execução deste processo e os papéis desempenhados
tentando garantir mais qualidade no processo de software.
Com relação ao Survey, os dados obtidos com a realização da aplicação do formulário
permitiu coletar uma ampla gama de informações sobre os efeitos da utilização do Design
Thinking na indústria de software. Ao apresentar estes resultados buscou-se agrupar padrões
do uso do DT que atendam as necessidades e expectativas dos usuários, minimizando custos
e mantendo as empresas em competição de mercado com a produção de soluções inovadoras.
Análises descritivas foram realizadas para reunir insights sobre métricas de utilidade e
satisfação. Ao empregar essas metodologias, a pesquisa não apenas identifica a prevalência
do Design Thinking no processo de desenvolvimento de software, mas também fornece
uma compreensão aprofundada das etapas de desenvolvimento de software, ferramentas
e papéis associados, contribuindo, em última análise, com conhecimento valioso para o
campo. A execução do Survey promoveu uma confirmação em grande parte dos achados
do Mapeamento Sistemático, com diferenças observadas apenas em resultados onde os
participantes indicaram a não utilização dos conceitos de Design Thinking no desenvolvimento de software. No entanto, o percentual dessas respostas foi significativamente baixo
em comparação com as demais opções da pesquisa. Apesar da pesquisa promover uma
interação com os participantes, promovendo campos onde os mesmos poderiam indicar
novas variações de respostas, não houve nenhum avanço neste aspecto, tendo uma variação
muito pequena entre o que realmente acontece na prática da indústria de software que utiliza
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
Figura 27 – Práticas Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa
Figura 28 – Desafios Relacionadas a Outras Questões de Pesquisa
64
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
65
o Design Thinking em seus processos, em relação ao que foi disponibilizado como opções de
resposta no formulário da pesquisa.
A análise das respostas dos participantes do Survey revelou como os diferentes
papéis utilizam as ferramentas associadas ao Design Thinking e em quais fases do processo
de desenvolvimento de software essas ferramentas são mais comumente aplicadas. Essa
abordagem permite compreender a adoção do Design Thinking em várias etapas do processo
de desenvolvimento e destaca inovações no uso das ferramentas em diferentes cenários da
indústria de software. A Figura 29 apresenta uma classificação das fases do desenvolvimento
de software, que incluem: Análise de Requisitos, Estudo de Viabilidade, Design, Codificação,
Teste, Deploy e Manutenção. Para cada fase, foram identificadas as ferramentas comumente
utilizadas, bem como os papéis responsáveis por seu uso ao longo do ciclo de produção de
software.
Figura 29 – Ferramentas Utilizadas por Diferentes Papéis no Desenvolvimento de Software
com Design Thinking
Em resumo, os papéis associados ao desenvolvimento de software, conforme destacados na Figura 29, cobrem uma ampla gama de responsabilidades que vão desde a liderança
estratégica até a execução técnica. A utilização de ferramentas eficientes pelos profissionais
de TI é fundamental para superar os desafios enfrentados em cada fase do ciclo de vida
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
66
do software. A abordagem centrada no usuário, combinada com o gerenciamento eficaz de
recursos, ferramentas e atuação dos papéis garante que o software atenda às necessidades de
negócio e dos usuários, ao mesmo tempo em que mantém uma base técnica sólida e escalável.
Isso evidencia a importância de uma equipe multidisciplinar utilizando um conjunto de
ferramentas para cada etapa do processo de software e integrando metodologias como o
Design Thinking com o desenvolvimento de software para viabilizar o sucesso do projeto.
5.3
PADRÕES DE EVIDÊNCIAS
Com a execução dos estudos experimentais, podê-se obter um conjunto de informa-
ções que aparecem de forma recorrentes nos resultados obtidos associados ao Mapeamento
Sistemático e ao Survey. A análise destas informações permite identificar tendências na
utilização do Design Thinking no desenvolvimento de software. Essas evidências podem
fornecer insights para tomada de decisão entre profissionais ou pesquisadores interessados
na área desta dissertação, onde é possível avaliar as principais características associadas
a adoção do DT no contexto da produção de software. O processo de desenvolvimento de
software é complexo e envolve uma série de desafios técnicos e organizacionais, abrangendo
desde a fase de estruturação e planejamento do projeto até sua conclusão. Para obter os
resultados esperados dentro do projeto e trazer as perspectivas dos usuários para dentro do
processo é necessário o auxílio de ferramentas, modelos e práticas para que possam cumprir
este objetivo de maneira eficiente, angariando assim características de inovação para que
possam romper os seus desafios, e consequentemente realizar entregas que atendam as
necessidades dos usuários na utilização do software.
Neste trabalho, os desafios encontrados tiveram uma forte relação com o processo de
desenvolvimento de software. De maneira geral, os desafios encontrados no Mapeamento
Sistemático e no Survey apontam dificuldades em envolver as partes interessadas (Stakeholders), além da implantação da abordagem UCD (User Center Design) que consiste em trazer
o usuário para o centro do processo de software, isto pode estar fortemente associado a um
dos principais desafios informados pelos participantes do survey que é definir o senso de
urgência e relevância das atividades do projeto, isto porque ter uma etapa de levantamento de
requisitos mal direcionada pode trazer sérios danos ao produto, entretanto, a utilização dos
princípios do Design Thinking surge como alternativa para esta necessidade (CARROLL, 2016).
A utilização dos conceitos de Design Thinking para a estruturação dos processos associados
a etapa de definição de requisitos e priorização de tarefas pode se tornar uma alternativa
para definir modelos automatizados que auxiliem as inconsistências da priorização das
tarefas em projetos de desenvolvimento de software. A Figura 30 apresenta os principais
desafios encontrados durante a execução dos experimentos. Observa-se que há uma maior
concentração de dados do Survey na referida figura, o que se deve ao fato de o percentual de
citações associadas ao Mapeamento Sistemático ter sido calculado com base no número de
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
67
artigos selecionados que abordam os desafios apresentados.
Figura 30 – Desafios - Citações no Survey e Mapeamento Sistemático
Em relação às práticas observadas nos estudos experimentais, a prototipação e os
estudos de usabilidade se destacaram de forma significativa em ambos os experimentos.
Estudos apontam que, na maior parte dos projetos de software, problemas como usabilidade
não levam o software ao sucesso. Em contrapartida, abordagem de design centrada no
usuário podem oferecer suporte ao processo de desenvolvimento de software para lidar com
problemas de usabilidade (INAL, 2020; ANWAR, 2014). A indústria de software tem buscado
aplicar práticas que forneçam uma experiência do usuário (UX) mais significativa e ajudem
a manter um negócio sustentável (MARTINELLI, 2022). Os resultados desta dissertação
confirmam que há uma crescente busca para encontrar novas práticas e processos associadas
ao Design Thinking dentro das empresas, sendo a pesquisa de usuário o caminho mais
evidente entre os resultados dos experimentos. A Figura 31 apresenta um comparativo
da utilização das práticas associadas ao Design Thinking no desenvolvimento de software,
conforme os achados dos experimentos. As informações referentes ao Survey correspondem
às respostas do questionário de pesquisa, enquanto os dados relativos ao Mapeamento
Sistemático foram gerados com base nos artigos que mencionam essas práticas.
Os resultados do Survey indicam que o modelo Ágil é o mais destacado em cenários
de desenvolvimento de software que integram o Design Thinking. No entanto, os achados
do Mapeamento Sistemático revelaram uma diversidade de modelos utilizados em conjunto
com os mecanismos do Design Thinking. Essa variação abrange desde modelos tradicionais,
como o modelo Cascata e o Stanford Design, até modelos híbridos, como o Scrumban, que
combina abordagens Scrum com conceitos do Kamban. A Figura 32 compara as respostas
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
68
Figura 31 – Práticas - Citações no Survey e Mapeamento Sistemático
associadas aos modelos utilizados no processo de desenvolvimento de software pelos
participantes do Survey com os achados do Mapeamento Sistemático. Esta abordagem
confirma a predominância do modelo Ágil em ambos os experimentos. Cabe destacar que o
gráfico não apresenta o modelo Design Thinking, uma vez que o objetivo, na estruturação do
questionário Survey, foi identificar quais modelos podem ser utilizados em conjunto com o
Design Thinking. Portanto, essa perspectiva do gráfico se baseia nessa abordagem.
Com o aumento exponencial no uso de serviços e aplicações baseados na internet,
há também uma crescente demanda por web designers e desenvolvedores (MACHADO,
2021). Os dados relativos aos papéis que compõem as equipes de tecnologia em ambos os
experimentos reforçam essa afirmação. Nesse contexto, a Figura 33 apresenta o nível de
adoção do Design Thinking entre os diferentes papéis envolvidos no desenvolvimento de
software. Essa abordagem visa identificar o grau de conhecimento e aplicação do Design
Thinking em diversos segmentos do processo de software, levando em consideração os
papéis que podem ser integrados nas fases de planejamento estratégico, abrangendo desde
os papéis gerenciais (Gerente de Projetos, Líder Técnico, CEO) até os papéis de execução
(Desenvolvedores, Analistas de Sistemas, Arquitetos de Software, entre outros). A Figura 33
foi gerada com base nas respostas dos participantes do Survey, e as definições dos papéis
foram elaboradas conforme a maior frequência de citações entre os artigos selecionados no
Mapeamento Sistemático.
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
69
Figura 32 – Modelos Integrados ao Design Thinking no Desenvolvimento de Software
Figura 33 – Design Thinking e Sua Adoção em Diversos Papéis
As ferramentas derivadas destes estudos apresentam grande similaridade nos resultados, evidenciando uma forte utilização de ferramentas de prototipagem e ideação,
como Figma, Miro e Adobe XD. A Figura 34 apresenta um comparativo da utilização dessas
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
70
ferramentas entre os achados dos experimentos. Essa análise foi baseada nas respostas dos
participantes do Survey e nos estudos primários que apontam as ferramentas mencionadas
no gráfico. No Mapeamento Sistemático, foram identificadas 75 ferramentas a partir dos
artigos selecionados, que estão disponíveis no Apêndice F deste documento. No entanto, o
gráfico da Figura 34 foi elaborado exclusivamente com base nas ferramentas mencionadas no
Survey, sendo realizado o comparativo entre os estudos.
Figura 34 – Ferramentas Integradas ao Design Thinking no Desenvolvimento de Software
A realização conjunta do Mapeamento Sistemático e do Survey permitiu uma análise
abrangente sobre o uso do Design Thinking no desenvolvimento de software. Enquanto
o mapeamento sistemático ofereceu uma visão consolidada da literatura, identificando
recursos de DT no processo de desenvolvimento de software, o Survey complementou essa
perspectiva ao captar insights práticos e percepções diretamente das empresas. Os resultados
convergiram ao destacar a crescente adoção do Design Thinking como um recurso eficaz
para promover inovação, colaboração e foco nas necessidades dos usuários no contexto do
desenvolvimento de software. Essa convergência reforça a relevância da prática, tanto em
termos teóricos quanto práticos, como um diferencial estratégico para adoção do DT em
cenários reais de desenvolvimento de software.
Capítulo 5. Análise e Discussão dos Padrões de Evidências Identificados
5.4
71
LIMITAÇÕES GERAIS DESTA PESQUISA
A execução do Mapeamento Sistemático enfrentou algumas limitações, por exemplo,
considerou apenas os artigos publicados a partir do ano 2000, mas o conceito de DT surgiu
nos anos 90, muitos artigos não responderam a todas as questões de pesquisa, alguns artigos
duplicados entre as bases de dados utilizadas e, finalmente, a maioria dos dados estavam
associados apenas ao desenvolvimento de software. Vários trabalhos devem ser desenvolvidos
para refinar e testar este corpo de evidências e outros que podem ser derivados como um
novo tipo de modelo. Finalmente, os resultados deste estudo são limitados a uma abordagem
teórica por meio de evidências encontradas nos estudos primários selecionados durante
a execução deste mapeamento sistemático. Em geral, os dados aqui apresentados podem
promover direções de pesquisa com base em resultados encontrados por outros autores ao
adotar o Design Thinking em projetos de desenvolvimento de software.
Referente a execução do Survey, observou-se que muitos profissionais de tecnologia
da informação ainda possuem familiaridade limitada com técnicas de Design Thinking. Em
segundo lugar, embora a pesquisa tenha um escopo internacional, a maioria dos participantes
atua em empresas brasileiras, o que pode restringir a generalização dos resultados para outros
contextos organizacionais.
72
6 TRABALHOS RELACIONADOS
Esta seção apresenta quatro estudos que foram publicados nos últimos 5 anos, que
apresentam dados importantes sobre a utilização do Design Thinking dentro dos processos
de desenvolvimento de software. A pesquisa “Design thinking in practice: understanding
manifestations of design thinking in software engineering” (DOBRIGKEIT, 2019), destaca a importância do Design Thinking (DT) como ferramenta de apoio à equipe de desenvolvimento,
pois facilita a assimilação das necessidades e requisitos do usuário. Como estudo de caso, os
autores trabalharam com três equipes de uma empresa global de software, fazendo uso de
extensas observações e conduzindo entrevistas semiestruturadas com cada equipe. Os autores
afirmam que novos conhecimentos significativos chegam à literatura emergente sobre como
harmonizar o processo de DT e o desenvolvimento de software. O estudo também discute
que a DT pode ser descrita em três níveis de manifestação, a saber, como uma mentalidade,
como um processo ou como uma caixa de ferramentas. Este trabalho tenta responder a duas
questões de pesquisa: (1) como as equipes de software da indústria aplicam DT em seus
projetos e (2) como os membros da equipe estão envolvidos com o uso de DT. Esta pesquisa
de mestrado possibilitou identificar as principais evidências do uso do DT em cenários reais
de desenvolvimento de software, sendo prioritariamente encontradas por meio de evidências
no estado da arte, por meio do mapeamento sistemático descrito nas seções anteriores, e da
aplicação do survey focado em respostas de profissionais de TI de diferentes empresas. Isto
difere-se do estudo de DOBRIGKEIT (2019) que limitou-se a aplicação formulários dentro de
um contexto corporativo.
O estudo “Integrating design thinking in extreme Programming” (SOHAIB, 2019)
aborda a integração de práticas de DT em Extreme Programming a fim de obter a qualificação
do produto de software para usuários e o desenvolvimento de inovações em processos
de metodologia ágil. Os dados coletados neste trabalho foram coletados em entrevistas
semiestruturadas e abertas com dez participantes em duas empresas de software em Sydney.
Por fim, o estudo apresentou uma estrutura integrada baseada nos conceitos de Design
Thinking e Extreme Programming, contribuindo para esse conhecimento da pesquisa de
design thinking em software, porém restrita a esse método de desenvolvimento de software.
O estudo “Alignment of stakeholder expectations about user involvement in agile
software development” (BUCHAN, 2017) direcionou o estudo para o papel do envolvimento
do usuário no desenvolvimento de software. Os autores realizaram um estudo de caso
exploratório de expectativas sobre o envolvimento do usuário no desenvolvimento ágil.
Dados qualitativos foram coletados por meio de entrevistas para projetar um novo método
para avaliar o alinhamento das expectativas sobre o envolvimento do usuário por meio da
aplicação de Repertory Grids. O estudo em questão avalia se a interação com o usuário durante
Capítulo 6. Trabalhos Relacionados
73
a estruturação do projeto é benéfica para os processos. No entanto, este artigo envolve apenas
evidências de envolvimento do usuário, não incluindo evidências envolvendo diretamente a
equipe de desenvolvimento.
O estudo “Design Thinking Integrated in Agile Software Development: A Systematic
Literature Review” (PEREIRA, 2018) apresenta uma revisão sobre como a abordagem do
Design Thinking é usada integrada às metodologias do Desenvolvimento Ágil de Software.
Os autores realizaram uma Revisão Sistemática da Literatura que comprovou resultados
benéficos do envolvimento do usuário no processo de desenvolvimento de software. O estudo
teve 29 artigos relacionados a este tópico. Os resultados mostraram que a maioria dos modelos
integrados ao processo de desenvolvimento são aplicados ao longo do ciclo de vida do
software, e o Scrum como metodologia utilizada com mais frequência. Em geral, este trabalho
trata de como o design thinking e o processo de desenvolvimento de software são abordados
na literatura, apresentando um conjunto de desafios e modelos neste contexto. Assim, esse
conjunto de dados pode facilitar a adoção prática de DT no cenário de desenvolvimento de
software.
Este estudo “Definition of indicators in the execution of educational projects with
design thinking using the systematic literature review” (ALMEIDA, 2019), investiga o uso
de métricas e indicadores para avaliar a eficácia do Design Thinking (DT) em projetos
educacionais. Os autores conduziram uma revisão sistemática da literatura e a execução de
um survey para determinar a compreensão conceitual do DT e seus indicadores associados
entre profissionais de TI e estudantes. Os resultados destacam a dificuldade em definir
indicadores específicos para projetos de DT devido à falta de conhecimento e experiência
com a metodologia. O artigo conclui que mais pesquisas são necessárias para desenvolver
uma compreensão mais profunda do DT e suas aplicações, particularmente em ambientes
acadêmicos e industriais, para estabelecer indicadores robustos e aplicáveis para medir o desempenho. No entanto, suas descobertas são afetadas por um pequeno tamanho de amostra,
potencial viés no design do questionário e uma interpretação subjetiva dos indicadores. A
falta de uma estrutura abrangente para definir e aplicar indicadores, juntamente com um foco
na compreensão geral em vez de aplicações específicas, restringe o valor prático do artigo.
Mais pesquisas são necessárias para abordar essas limitações e desenvolver uma metodologia
mais robusta para usar indicadores em projetos de DT.
A principal distinção entre este artigo e trabalhos relacionados está em sua ênfase
e abordagem metodológica. Os quatro primeiros estudos focam em estruturas teóricas e
análises de caso que investigam aspectos específicos do Design Thinking (DT), incluindo
estratégias de integração, métricas de eficácia, manifestações em contextos da indústria
e o refinamento de processos de elicitação de requisitos. Esses estudos utilizam predominantemente revisões sistemáticas de literatura, estudos de caso e análises qualitativas
para destacar os desafios e limitações de suas descobertas. Em contraste, esta pesquisa
Capítulo 6. Trabalhos Relacionados
74
visa identificar padrões de evidências da utilização do Design Thinking em cenários de
desenvolvimento de software do mundo real, enfatizando os desafios encontrados, as
ferramentas utilizadas e as melhores práticas implementadas pelos profissionais. Enquanto
os estudos anteriores exploram principalmente construções teóricas e propõem estruturas
para aprimorar a compreensão do DT, este estudo fornece insights acionáveis enraizados
nas experiências de profissionais da indústria. Esses insights reforçam a aplicação prática do
Design Thinking dentro da indústria de software. Além disso, este estudo oferece evidências
convincentes que apoiam a adoção de conceitos projetados para atender às necessidades
do usuário em contextos do mundo real, como por exemplo um conjunto de práticas e
ferramentas que podem ser utilizadas ao adotar o Design Thinking no desenvolvimento de
software. Alinhando-se com as descobertas apresentadas na literatura existente, as evidências
geradas por esta pesquisa permitem que acadêmicos e profissionais avaliem descobertas
relevantes em ambientes reais de desenvolvimento de software e adaptem esses insights às
suas circunstâncias específicas.
A Tabela 15 apresenta uma comparação entre a quantidade de evidências encontradas em trabalhos relacionados e as propostas deste estudo. Cada trabalho relacionado
é classificado de acordo com a quantidade de evidências do uso do Design Thinking no
desenvolvimento de software, considerando modelos, práticas, papéis, ferramentas e desafios.
A Tabela 16 apresenta os resultados detalhados de cada trabalho relacionado. De modo
geral, nota-se uma escassez de evidências nos trabalhos mencionados sobre como o Design
Thinking pode ser utilizado no processo de desenvolvimento de software, bem como os
benefícios de sua adoção. Este trabalho de mestrado busca preencher essa lacuna, fornecendo
um conjunto de padrões de evidências que auxiliam no processo de adoção do Design
Thinking em cenários de produção de software. Em virtude da limitação de espaço na Tabela
16, as informações associadas aos experimentos desta dissertação não foram incorporadas,
uma vez que os dados referentes a 116 práticas, 75 ferramentas, 60 papéis, 47 modelos e 28
desafios tornariam a tabela ilegível nesse formato. Como alternativa, os dados relacionados a
este estudo podem ser consultados nos apêndices deste documento.
Capítulo 6. Trabalhos Relacionados
75
Tabela 15 – Evidências do Design Thinking nos Trabalhos Relacionados
Autor
Dobrigkeit and
Paula
Sohaib et al.
Pereira
and
Russo
Almeida et al.
Este estudo
Modelos
8
Quantitativo de evidências
Práticas Papéis
Ferramentas
0
0
2
Desafios
0
Tipo
CS
3
12
23
10
7
2
1
0
1
3
CS
SLR
1
47
0
116
10
60
0
75
0
28
SLR
SM+SV
Legenda: SLR - Systematic Literature Review / SM - Systematic Mapping / CS - Case Study / FG Focus Group / SV - Survey
Capítulo 6. Trabalhos Relacionados
Tabela 16 – Evidências do Uso de Design Thinking nos Trabalhos Relacionados
76
77
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A indústria de software precisa de produtos inovadores que atendam cada vez mais
as perspectivas dos usuários, com boa usabilidade e funcionalidades que atendam às suas
reais demandas. Nesse sentido, o conceito de Design Thinking tem se consolidado como
um poderoso recurso para desenvolvimento de software, trazendo vantagens competitivas
e impactando diretamente na qualidade do produto. O Design Thinking se destaca como
uma metodologia que aborda esses desafios priorizando usuários e clientes. Este conceito é
definido por sua ênfase na colaboração multidisciplinar e processos tangíveis, orientando, em
última análise, as organizações em direção a soluções de negócios inovadoras e viáveis. Essa
abordagem estratégica ao design reflete uma perspectiva holística voltada para a inovação,
alavancando princípios de design para atender às necessidades do usuário por meios tecnológicos. O objetivo é criar soluções que não sejam apenas tecnicamente viáveis, mas também
estrategicamente alinhadas com os objetivos de negócios, entregando valor aos clientes.
Conforme mencionado anteriormente, a adoção do Design Thinking no desenvolvimento
de software produz benefícios significativos, incluindo uma compreensão mais clara dos
requisitos, identificação precoce de erros por meio de prototipagem e implementação mais
suave facilitada pela contribuição do cliente em protótipos.
A realização deste estudo teve como principal objetivo identificar padrões de evidências relacionados à adoção do Design Thinking em cenários de desenvolvimento de
software, por meio da análise de práticas, modelos, papéis, desafios e ferramentas nesses
contextos. Esses conjuntos de evidências podem auxiliar profissionais e pesquisadores da
área de desenvolvimento de software a compreender melhor os desafios enfrentados e a
implementar soluções mais eficazes, utilizando abordagens de Design Thinking, resultando
em benefícios diretos e relevantes.
A metodologia deste estudo iniciou-se com a busca por padrões de evidências
presentes na literatura e no setor industrial de produção de software, que enfatizam o uso de
DT no processo de desenvolvimento de software por meio de estudos experimentais, como
Mapeamento Sistemático e Survey. Durante a execução dos experimentos, foram seguidas
as diretrizes de KITCHENHAM (2010), que oferecem subsídios para avaliar criticamente e
agregar todos os artigos de pesquisa relevantes (denominados estudos primários) sobre uma
questão ou tópico específico de pesquisa. Para o Survey, foram adotadas as diretrizes de
pesquisa propostas por WAGNER et al. (2020), contemplando as seguintes etapas: desenho
inicial da pesquisa, revisão do desenho da pesquisa, avaliação preliminar da estruturação do
estudo e, por fim, o refinamento do conteúdo da pesquisa.
Capítulo 7. Considerações Finais
78
As perguntas do mapeamento sistemático buscavam identificar e analisar quais
desafios, funções, práticas, modelos e ferramentas do Design Thinking são usados no
desenvolvimento de software. Este mapeamento sistemático utilizou 3 bases científicas
(IEEE, ACM e SCOPUS) para buscas compreendendo pesquisas publicadas no período de
2000 a 2023, resultando em um total de 95 artigos selecionados após a sua execução. Esses
resultados foram identificados, compilados e analisados, e então algumas discussões e
análises mais profundas foram realizadas. De forma sequencial, a partir da execução do
survey foi examinado a adoção do Design Thinking em contextos de desenvolvimento de
software em indústrias de software. Consistindo em 18 perguntas direcionadas, a pesquisa foi
distribuída para vários locais específicos frequentados por profissionais de TI. Para garantir
amplo alcance, a pesquisa foi disseminada por meio de listas de e-mail em universidades
de tecnologia, bem como, por meio de grupos de desenvolvimento e design de software
em plataformas de mídia social e diretamente para profissionais conhecidos do setor. A
pesquisa permaneceu aberta para respostas até agosto de 2024, atraindo a participação de
105 profissionais de TI. Por meio deste estudo, pretendemos aprofundar o entendimento de
como o Design Thinking é integrado às práticas de desenvolvimento de software e identificar
os benefícios e desafios associados enfrentados pelos profissionais da área.
Com base nas respostas recebidas, diversas observações e análises foram realizadas.
Inicialmente, foi conduzida uma análise descritiva, com foco em fatores como o porte da
empresa, o nível educacional e a experiência profissional dos participantes. Em seguida,
foram realizadas análises de tabulação cruzada e correlações, investigando, por exemplo,
a relação entre as funções dos participantes e seu nível de conhecimento, bem como a
conexão entre o porte da empresa e o grau de adoção do Design Thinking. Além disso, as
análises exploraram a correlação entre conhecimento e adoção, bem como o impacto da
experiência profissional na implementação de práticas. Adicionalmente, análises qualitativas
e comparativas examinaram os desafios enfrentados e a busca por novas práticas, além de
avaliar metodologias combinadas e o uso de ferramentas em diferentes tipos de projetos.
Este corpo de evidências cobre uma literatura atual sobre DT e esses resultados
podem ajudar profissionais e pesquisadores da área de desenvolvimento de software para
entender melhor os desafios e implementar soluções mais eficazes para melhorar suas
tarefas usando abordagens de design thinking. Esses resultados também fornecem um
mapeamento elementar sobre padrões de design thinking em desenvolvimento de software,
identificando áreas onde mais pesquisas precisam ser realizadas. Em virtude disto, podem
ajudar profissionais e pesquisadores da área a entender melhor os desafios e implementar
soluções mais eficazes para melhorar suas tarefas no desenvolvimento de software usando
abordagens de design thinking. Esses resultados também fornecem um mapeamento simples
da pesquisa sobre design thinking no desenvolvimento de software, identificando áreas onde
mais pesquisas são necessárias.
Capítulo 7. Considerações Finais
79
Como pesquisa futura, os próximos trabalhos podem explorar várias vias para
aprimorar ainda mais o entendimento neste contexto. Uma área potencial de foco pode
ser o impacto longitudinal do Design Thinking nos resultados do projeto, avaliando como
sua implementação influencia o sucesso do produto e a satisfação do usuário ao longo do
tempo. Além disso, a pesquisa pode examinar a integração do Design Thinking com outras
metodologias contemporâneas, como Agile ou DevOps, para identificar as melhores práticas
que fomentam a inovação e a eficiência.
80
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85
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Apêndices
87
APÊNDICE A – FORMULÁRIO PARA EXTRAÇÃO E
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DOS TRABALHOS
88
APÊNDICE B – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 1 /
DESAFIOS
APÊNDICE B. Questão de Pesquisa Nº 1 / Desafios
89
APÊNDICE B. Questão de Pesquisa Nº 1 / Desafios
90
91
APÊNDICE C – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 2 / PAPÉIS
ASSOCIADOS AO DESIGN THINKING
92
APÊNDICE D – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 3 /
PRÁTICAS
APÊNDICE D. Questão de Pesquisa Nº 3 / Práticas
93
94
APÊNDICE E – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 4 /
PRINCIPAIS MODELOS
APÊNDICE E. Questão de Pesquisa Nº 4 / Principais Modelos
95
96
APÊNDICE F – QUESTÃO DE PESQUISA Nº 5 /
FERRAMENTAS
APÊNDICE F. Questão de Pesquisa Nº 5 / Ferramentas
97
APÊNDICE F. Questão de Pesquisa Nº 5 / Ferramentas
98
