Processos de Handover em Redes Móveis 5G com Redes Definidas por Software
Discente: Geymerson dos Santos Ramos / Orientador: André Luiz Lins de Aquino
TCC - Geymerson - EC.pdf
Documento PDF (1.4MB)
Documento PDF (1.4MB)
Trabalho de Conclusão de Curso
Processos de Handover em Redes Móveis 5G com
Redes Definidas por Software
Geymerson dos Santos Ramos
geymerson@ic.ufal.br
Orientador:
Prof. Dr. André Luiz Lins de Aquino
Maceió, 21 de maio de 2019
Geymerson dos Santos Ramos
Processos de Handover em Redes Móveis 5G com
Redes Definidas por Software
Monografia apresentada como requisito parcial para
obtenção do grau de Bacharel em Engenharia de Computação do Instituto de Computação da Universidade
Federal de Alagoas.
Orientador:
Prof. Dr. André Luiz Lins de Aquino
Maceió, 21 de maio de 2019
Monografia apresentada como requisito parcial para obtenção do grau de Bacharel em Engenharia de Computação do Instituto de Computação da Universidade Federal de Alagoas,
aprovada pela comissão examinadora que abaixo assina.
Prof. Dr. André Luiz Lins de Aquino - Orientador
Instituto de Computação
Universidade Federal de Alagoas
Rian Gabriel Santos Pinheiro - Examinador
Instituto de Computação
Universidade Federal de Alagoas
Ivan César Martins - Examinador
Instituto de Computação
Universidade Federal de Alagoas
Maceió, 21 de maio de 2019
Agradecimentos
Filho de pais simples, nascido em uma cidade do interior de Alagoas. Ao final dos meus 16
anos concluí meu ensino médio. Passei meus 17 anos ajudando minha mãe em uma lanchonete que ela mantinha. Aos 18 anos, comecei a trabalhar em uma usina de açúcar da cidade.
Fiquei empregado por 8 meses até ser demitido e lembrar que aquilo não era algo que eu queria para minha vida, eu gostava de computadores, lembrei-me que queria ser um cientista da
computação.
Ao pesquisar os cursos da Universidade Federal de Alagoas, percebi que havia um curso
de engenharia de computação no qual eu poderia passar 1 ano a mais aprendendo, optei pela
mudança. Com os estudos já defasados, passei a me preparar para ingressar na universidade
estudando praticamente 10 horas por dia em casa, até perceber que estava sem disciplina para
as matérias que eu não tinha interesse.
Felizmente, o dinheiro que ganhei trabalhando, guardei. Consegui me manter por 1 ano em
Maceió, estudando manhã e tarde em um cursinho. No mesmo período, o Instituto Federal de
Alagoas inaugurou um campus na cidade onde morava, fiz o processo seletivo para o curso
técnico de segurança no trabalho, achei que ajudaria meus estudos. Fui aprovado, tive que
estudar em três horários, manhã e tarde em Maceió, a noite em São Miguel dos Campos. No
final do mesmo ano, consegui ingressar na Universidade.
O caminho foi longo, mas atingi meu objetivo, estou em vias de me graduar no curso de engenharia de computação. Transitei entre diferentes fases na universidade. Senti estresse, raiva,
tristeza, privação de sono, felicidade, orgulho, satisfação. Tive a oportunidade de conhecer pessoas incríveis e extremamente esforçadas que me inspiraram. Lembro-me do meu primeiro dia
de aula, quando fui perguntado o que eu esperava da universidade, a resposta foi instantânea:
"Orientação".
Ao acaso um professor me encontrou nos corredores do instituto de matemática, um dos
momentos cruciais de minha vida como pessoa e aluno. Fui apresentado ao Laboratório de
Computação Científica e Análise Numérica, o LaCCAN, onde passei boa parte dos meus dias.
Eu não mais estava restrito às salas de aula, agora tinha acesso à atividades de um laboratório
constituído por pessoas extremamente competentes no que faziam. Eu tive o privilégio de
participar de discussões e ver não professores, mas os profissionais da computação dispostos
i
ii
a transmitir conhecimento.
Eu precisava disso, estava perdido. A universidade em primeira instância não se demonstrou
diferente do ensino médio. Eu queria ver a engenharia, eu precisava ver as pessoas que me
transmitissem o sentimento de que, se eu pudesse, algum dia, eu seria ao menos um pouquinho
como elas.
O professor do corredor se tornou meu orientador. André Luiz Lins de Aquino. Para minha
sorte, uma pessoa de excelência. Sempre entre os melhores colocados nos ranques de seleção
de projetos. Recebi mais do que orientação, recebi conselhos, vi-o tratar as pessoas com
humanidade. Coisas que assimilei para mim. Agora ao final do curso, obtive mais ganhos
pessoais do que conhecimento técnico, e por isso também sou extremamente grato. Guardarei
as experiências boas, para que me guiem no caminho da bondade e da responsabilidade. E
guardarei da mesma forma as experiências ruins, para me lembrar do que não devo ser.
Quero encerar este longo texto expressando minha gratidão. Sou grato aos meus pais, pela
paciência e compreensão, por minha criação. Eu certamente não chegaria até aqui sem ajuda e
apoio de vocês. Tentarei, mas dificilmente conseguirei retribuir tudo que me foi dado. Sinto-me
feliz também por minhas irmãs, por serem alunas de curso superior e técnico de instituições
federais. Agradeço aos meus avôs e avós, que infelizmente não presenciarão minha formação.
Agradeço aos meus amigos e professores, em especial do LaCCAN, pelas conversas e por
fazerem meus dias mais animados. Espero crescer como pessoa de valor para meu círculo
social e familiar, que eu tenha forças para ajudá-los quando precisarem.
À minha mãe, pai, irmãs, avós, avôs, orientador, amigos e pessoas que me inspiram, admirálos-ia por toda eternidade, não fosse minha breve existência.
If you live a pathological life, you pathologize your society, and if enough people do
that, then it’s hell.
– Peterson, J. B.
Resumo
Este trabalho apresenta uma modelagem matemática para alocação de usuários em torres de
redes de telefonia móvel, levando em consideração sua implementação em aplicações que utilizam redes definidas por software no cenário 5G. O modelo utiliza menor distância, média de
handover, largura de banda disponível por torre, quantidade mínima exigida pelos usuários e
além disso, modelagens de minimização de handover entre áreas de cobertura e menor custo
de comunicação entre torres e data centers. Através de dados coletados pelo GPS do dispositivo de um usuário, bases de dados com coordenadas de torres e um cenário simulado, foi
verificado que em conformidade com o modelo, as alocações consideram menores distâncias,
média de handover e disponibilidade de largura de banda.
Palavras-chave: Handover, Redes Definidas por Software, Redes 5G.
iii
Abstract
This work presents a mathematical model for the allocation of users in cell towers of mobile
networks, considering its implementation with 5G applications that use software-defined networks. The model uses the shortest distance, handover average, tower available bandwidth,
user’s minimal bandwidth requirements, and models of handover minimization between service
areas and cost minimization between towers and data centers. With data collected from a user’s
GPS, tower coordinates from a database and a simulated scenario, it was verified in the results
that the allocations considered the shortest distance, handover average, and network bandwidth
availability, as established by our mathematical model.
Keywords: Handover, Software-Defined Networking, 5G networks.
iv
Sumário
Lista de Figuras . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Lista de Tabelas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
vi
vii
1
Introdução
1.1 Motivação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.2 Trabalhos Relacionados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.3 Objetivo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.4 Contribuições . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1.5 Estrutura do texto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
1
1
3
4
4
5
2
Tecnologias e Conceitos
2.1 Redes 5G . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.2 Redes Definidas Por Software . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.2.1 Controladores . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
2.3 Handover . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
6
6
10
13
14
3
Nossa proposta
3.1 Descrição do modelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
3.1.1 Modelo proposto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
16
16
18
4
Resultados e Discussões
4.1 Resultados . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.1.1 Tempo de execução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.1.2 Alocação de usuários . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
4.1.3 Gerenciamento de largura de banda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
21
21
21
22
23
5
Considerações Finais
26
Referências bibliográficas
27
v
Lista de Figuras
1.1 Handover de um usuário conectado a torre 1 na área de cobertura 1 para a torre 2. 2
2.1 Projeções para número de dispositivos ou conexões no cenário global por tipo de
rede e volume de dados em exabytes por mês. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
7
2.2 Arquitetura para redes 5G composta de macrocélula com pequenas células fixas
e móveis, comunicação D2D e direta. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .
8
2.3 Arquitetura de aplicações de redes definidas por software. . . . . . . . . . . . . 11
2.4 Arquitetura simplificada de aplicação do OpenFlow. . . . . . . . . . . . . . . . . 12
2.5 Handover intra-macrocélula, inter-macrocélula e multi-RAT. . . . . . . . . . . . . 15
3.1 Arquitetura EPS para redes LTE. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
3.2 Disposição das eNBs ao longo do eixo de posições. . . . . . . . . . . . . . . . 18
4.1 Rota seguida pelo UE ao longo do tempo, partindo do ponto inicial e seguindo no
sentido das eNBs de maior numeração. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.2 Alocação do usuário nas eNBs ao longo do tempo. . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.3 Torre (eNBi ) cujo usuário (UE1 ) está alocado em função de sua posição (x). . . . 24
4.4 Quantidade de usuários alocados e largura de banda disponível em cada eNB.
Um usuário está se deslocando e alterando a configuração da rede para cada
instante (t). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 24
vi
Lista de Tabelas
2.1
2.2
2.3
3.1
4.1
Comparativo das diferentes gerações de tecnologia de comunicação móvel sem fio. 7
Raio de alcance e quantidade de usuários atendidos por tipo de célula. . . . . .
9
Lista de controladores open source com suporte ao OpenFlow. . . . . . . . . . 14
Notação de constantes e variáveis utilizadas na modelagem do problema. . . . . 20
Tempo médio de execução para diferentes combinações de pesos. Número de
diferentes instâncias computadas = 30, N = 60, DC = 10, U = 10. . . . . . . . . 22
vii
1
Introdução
1.1
Motivação
A evolução das tecnologias de comunicação impactaram de forma significativa protocolos e soluções de transferência de dados. Com o advento da Internet das Coisas (Al-Fuqaha et al.,
2015), os dispositivos estão cada vez mais integrados e as redes sem fio (Akyildiz et al., 2002)
se apresentam como recursos extremamente importantes. Usuários com equipamentos como
smartphones podem se comunicar de praticamente qualquer lugar, usufruir de serviços de localização e trocar informações utilizando tecnologias como Wi-Fi, Bluetooth, 3G, 4G e a mais
recente proposta 5G (Panwar et al., 2016). A quinta geração promete maiores velocidades,
conexão ubíqua, suporte a redes mais densas, heterogêneas e escaláveis. Entre os pilares
fundamentais das redes 5G estão:
• Conexão contínua e ininterrupta: usuários poderão permanecer conectados a todo momento e em qualquer lugar;
• Latência zero: será oferecido suporte à aplicações de tempo real, sistemas críticos e
serviços com baixa tolerância a atraso, as restrições de latência da 5G são da ordem de
1 milissegundo;
• Conexão de alta velocidade: para suportar aplicações que dependem de latências virtualmente nulas, a velocidade de conexão será da ordem de Gigabit por segundo.
O novo cenário oferece oportunidade de inovações, melhorias de soluções existentes e a
utilização de novos paradigmas computacionais, a exemplo das redes definidas por software,
ou SDN (Software-Defined Networking) (Nunes et al., 2014). Empresas de impacto do setor
tecnológico como Microsoft (Hong et al., 2013) e Google (Jain et al., 2013) já estudam e utilizam
1
INTRODUÇÃO
2
SDNs em seus data centers. No contexto de redes definidas por software, existe uma separação entre o plano de dados, que contém dispositivos responsáveis unicamente por encaminhar
mensagens, e o plano de controle, concentrando a inteligência de software da rede. A separação simplifica e alivia infraestruturas convencionais, que embutem o controle em dispositivos
como roteadores, comutadores e gateways.
SDNs permitem programabilidade flexível, gerência de recursos, escalabilidade, privacidade, segurança, controle de tráfego, virtualização e realocação de serviços. Desacoplando
implementações de software do hardware, a rede pode ser tratada como uma grande infraestrutura virtual que dispõe virtualização de suas funcionalidades (Network Functions Virtualization — NFV) (Han et al., 2015). Uma vez que a tecnologia 5G exigirá arquiteturas e aplicações
mais rápidas, eficientes, heterogêneas e escaláveis, as SDNs atuarão como meio viabilizador
essencial.
Soluções existentes precisarão ser melhoradas ou repensadas para atuação em latência
zero. Os processos de handover são alguns dos problemas que podem ser abordados e que
estão na lista de recebimento de melhoras. Handovers (Yan et al., 2010) ocorrem mediante a
transferência de usuários entre pontos de acesso ou áreas de coberturas, como mostra a figura
1.1. Os impactos do processo abrangem experiência de mobilidade, percepção de descontinuidade e comutação entre diferentes tecnologias de comunicação, isto é, Bluetooth, 4G, Wi-Fi,
etc. Portanto, é interessante que handovers ocorram imperceptivelmente, em curtos intervalos de tempo e para regiões que não influenciem negativamente a experiência de mobilidade e
conectividade.
Figura 1.1: Handover de um usuário conectado a torre 1 na área de cobertura 1 para a torre 2.
Neste trabalho, apresentaremos uma modelagem matemática para alocação de usuários
(User Equipment - UE) em torres (Evolved Node B - eNB). Será considerada menor distância
entre UEs e eNBs, média de handover, largura de banda disponível por torre e a quantidade
mínima exigida pelos usuários. Um conjunto de dados de GPS de um UE em deslocamento foi
utilizado para realocações conforme sua proximidade e distanciamento de diferentes eNBs. O
INTRODUÇÃO
3
modelo tem base na proposta em Taleb et al. (2015), que apresenta soluções para minimização
de handovers entre áreas de cobertura e minimização do custo de comunicação entre eNBs e
data centers (sem considerar usuários e largura de banda).
1.2
Trabalhos Relacionados
Os autores em Kuklinski et al. (2015) apresentam uma discussão de como aplicar tecnologias
de SDN para aumentar a eficiência de redes móveis, levando em consideração o processo de
handover em três tipos de arquitetura: i) centralizada: utiliza apenas um controlador; ii) semicentralizada: múltiplos controladores, atuando em diferentes domínios ou regiões geográficas;
iii) hierárquica: contém múltiplas camadas de modo que um controlador mestre no topo da
hierarquia se conecta a controladores distribuídos em níveis inferiores.
O trabalho de Prados-Garzon et al. (2016) propõe uma implementação de handover em
uma rede LTE (Long Term Evolution) parcialmente virtualizada e baseada em SDNs. Os autores implementaram a troca de mensagens envolvida no processo e simularam os atrasos de
transmissão, propagação e processamento da rede, assim como o tempo de preparação e finalização do handover.
No contexto de Veículos Aéreos Não Tripulados (VANT), Sharma et al. (2017) disponibilizam
uma arquitetura melhorada de SDNs, de modo que VANTs são utilizados sob demanda como
comutadores, realizando encaminhamento de mensagens. Com a arquitetura, os autores diminuíram latência de handover, atraso de comunicação ponto-a-ponto e overhead de mensagens
de sinalização.
Um esquema de handover em SDNs para 5G considerando informações de mobilidade dos
usuários é apresentado em Lee and Yoo (2017). O controlador recebe dados de mobilidade
e informações advindas de estações base para selecionar onde os usuários serão alocados
(células). Através de simulação, foi verificado que a proposta consegue realizar escolha das
células com maior força de sinal, menor carga e de acordo com a direção do movimento do
usuário.
Uma solução para um problema multiobjetivo de handover em ambientes híbridos 5G é dada
em Qiang et al. (2016). Os autores consideraram a maximização da taxa de dados recebidos
e minimização da probabilidade de bloqueio (falha) do processo. As chances de bloqueio são
calculadas com base em informações limitadas (restrições de privacidade) e no comportamento
de outros usuários da rede. No trabalho de Qiang et al. (2014) para SDNs, um controlador é
encarregado de realizar o processo utilizando informações privadas.
A proposta em Duan and Wang (2015) preza pela privacidade e mecanismos de autentificação de processos de handover em redes heterogêneas 5G com SDN. Para autentificação,
são utilizados atributos como localização, direção e características da camada física para gerar
identificadores únicos, sem a necessidade de soluções criptográficas e portanto simplificando o
INTRODUÇÃO
4
procedimento de autentificação. Para proteção à privacidade, transmissões parciais de dados
são realizadas por diferentes caminhos de uma SDN.
Como diferencial às abordagens citadas, a proposta desse trabalho considerará uma modelagem matemática para alocação de usuários em torres da arquitetura de redes móveis Evolved
Packet System, levando em consideração sua implementação em aplicações que utilizam redes
definidas por software no cenário 5G. O modelo utiliza menor distância, média de handover,
largura de banda disponível por torre, quantidade mínima exigida pelos usuários e além disso,
modelagens de minimização de handover entre áreas de cobertura e menor custo de comunicação entre torres e data centers.
1.3
Objetivo
A finalidade deste trabalho é a melhora de experiência de mobilidade em redes 5G através
da utilização de redes definidas por software. Como proposta, uma modelagem matemática é
apresentada para alocação de usuários em torres de telefonia móvel, de modo que transferências (handovers) ocorram sempre considerando menor distância, média de handover, largura
de banda disponível em cada torre e a mínima exigida pelos usuários, que devem ter liberdade para se deslocar e transitar entre áreas de cobertura sem experienciar descontinuidades,
perdas abruptas de qualidade de serviço ou deixarem de ser atendidos.
1.4
Contribuições
A contribuição deste trabalho é uma modelagem matemática para alocação de usuários em
torres de telefonia móvel. Na modelagem também serão considerados os modelos de minimização de handovers entre áreas de cobertura e de minimização de custo de comunicação entre
torres e data centers. Espera-se portanto que experiência de mobilidade apresente melhorias
em termos de:
• Ganho de qualidade de comunicação entre torres de telefonia móvel e usuários, que são
alocados sempre considerando menor distância, média de handover, e largura de banda
para garantia de atendimento;
• Ganho de qualidade de comunicação entre torres e data centers pela minimização do
custo de comunicação entre estas duas entidades, o que garante respostas em intervalos
de tempo menores;
• Redução da quantidade de handovers que ocorrem na rede, através da organização das
torres em áreas de cobertura maiores.
INTRODUÇÃO
1.5
5
Estrutura do texto
A estrutura do texto segue com o Capítulo 2 discutindo sobre tecnologias e conceitos envolvidos
no trabalho apresentado. No Capítulo 3 temos a apresentação da nossa proposta e subsequentemente se apresentam os resultados no Capítulo 4. Por fim, o Capítulo 5 contém a conclusão
e considerações finais.
2
Tecnologias e Conceitos
2.1
Redes 5G
Até o ano de 2020, é previsto que o número de dispositivos conectados chegue a 50 bilhões
(Ericsson, 2011). A quantidade já vem gradativamente aumentando e em função do agressivo
crescimento no volume de dados, novas vertentes computacionais também surgiram, a exemplo
da Computação na Nuvem (Mell and Grance, 2010) e Big Data (Chen et al., 2014), reinventando
formas de armazenamento e obtenção de informação. As tecnologias de comunicação sem fio,
que deveriam suportar aplicações no novo panorama, se encontraram em um cenário inóspito
frente à redes demasiadamente densas, heterogêneas e com altas exigências de conectividade.
É mediante este cenário que a quinta geração se apresenta para telecomunicação móvel. As
redes 5G abrirão caminho para implementação de paradigmas computacionais que viabilizam
expansão das tecnologias de informação e comunicação (TICS), fundamentalmente importantes para Cidades Inteligentes (Mohanty et al., 2016). Se comparada à quarta geração, algumas
melhorias a serem elencadas são: até 100 vezes mais dispositivos conectados; 1000 vezes
mais volume em dados de dispositivos móveis; 100 vezes mais veloz; latência de 1 milissegundo; disponibilidade e cobertura de aproximadamente 100%; processamento de informações
em tempo real e menor consumo energético (GSMA Intelligence, 2014). Portanto, a quinta geração vem oferecer conexão ubíqua, escalabilidade, heterogeneidade, e além disso, fatores que
impactam significativamente na redução de custos operacionais de infraestrutura.
A tabela 2.1 contém um comparativo das gerações de tecnologia móvel, da 1a à 5a . Os
primeiros serviços de telefonia ofereceram majoritariamente vias de comunicação para voz com
sinais analógicos. As soluções de handover eram precárias e horizontais, isto é, transferências entre pontos de acesso não ocorriam entre tecnologias de comunicação sem fio diferentes
(por exemplo, 1G para 2G). Além da baixa velocidade, a primeira geração apresentava graves
problemas de segurança, visto que as conversas eram reproduzidas nas torres, o que consequentemente as tornavam suscetíveis ao acesso por terceiros (Vora, 2015). A tecnologia 2G
6
2.1. REDES 5G
7
superou a geração anterior em velocidade, adoção de sinais digitais, envio de mensagens de
texto e imagens. Sua obsolescência se tornou clara conforme a Internet e a disseminação de
dados multimídia ganhavam popularidade, iniciando a era 3G.
Geração
Características
Velocidade
Latência (ms)
Handover
Limitações
1G
2G
Sinais analógicos, mensagens de voz
Sinais digitais, mensagens de voz, texto e imagens
Mensagens de voz,
acesso à Internet por telefonia fixa e móvel,
vídeo chamadas
< 2.4 Kbps
< 64 Kbps
< 1000
Horizontal
Horizontal
Baixa segurança
Pouco suporte a serviços de internet
< 3.1 Mbps
< 500
Horizontal
e Vertical
Baixa velocidade
3G
4G
Maiores velocidades de conexão
< 300 Mbps
< 100
5G
Conexão ubíqua e de alta velocidade,
escalabilidade, heterogeneidade
> 1 Gbps
<1
Horizontal
e Vertical
Horizontal
e Vertical
Baixa escalabilidade e conectividade,
suporte a redes densas
-
Tabela 2.1: Comparativo das diferentes gerações de tecnologia de comunicação móvel sem fio.
No período 3G, as conexões chegaram a velocidades da ordem de Megabit por segundo,
e já era possível realizar acesso à Internet por telefonia fixa ou móvel. Os serviços de streaming multimídia tiveram grande aumento em demanda. Com relação aos processos de handover, além de horizontal, também passaram a ser utilizadas arquiteturas verticais, possibilitando
transferências entre pontos de acesso com tecnologia de comunicação sem fio diferentes (3G
para 2G, por exemplo). As demandas subsequentes incidiram sobre a velocidade da rede, que
como resultado impulsionou o desenvolvimento da 4G. Desde então, a quarta geração vem se
tornando o principal meio de acesso, com limite teórico de até 300 Mbps.
De acordo com as predições globais de tráfego de dados de dispositivos móveis da CISCO
(CISCO, 2019), figura 2.1(a), desde 2017 com uma porção de 34.7%, o número de usuários
da rede 4G já supera a geração anterior. As projeções aumentam este número para 54.3%
até o ano de 2022. O gráfico também inclui conexões LPWA (Low-Power Wide-Area), que
representam aplicações de baixa largura de banda e podem cobrir áreas extensas, com uso
essencial em comunicação M2M (Machine-to-Machine) não encobertas por redes de telefonia
móvel, a exemplo de postes de iluminação inteligentes com comunicação sem fio.
(a) Conexões globais por tipo de rede.
(b) Projeção de crescimento de dados de dispositivos
móveis.
Figura 2.1: Projeções para número de dispositivos ou conexões no cenário global por tipo de
rede e volume de dados em exabytes por mês.
2.1. REDES 5G
8
A figura 2.1(b) exibe a taxa de crescimento anual composta (CAGR — Compound Annual
Growth Rate) do tráfego global de dados de dispositivos móveis em exabytes por mês, entre
os anos de 2017 e 2018, e as projeções até 2022. O crescimento será de 46% nessa janela
de tempo, e atualmente o volume já é grande o suficiente para pressionar a infraestrutura das
redes 4G, já em vias de substituição pela tecnologia sucessora.
A quinta geração não é simplesmente um aumento de velocidade em relação a sua antecessora. Trata-se de uma redefinição em termos de aplicações, utilização eficiente de recursos,
modelos e arquiteturas para dar suporte a carga de dados e dispositivos diversos com diferentes tecnologias de comunicação à rádio. Deverão ser contemplados arcabouços heterogêneos
com redes definidas por software, virtualização de funções de rede, comunicação à rádio full
duplex e D2D (Device-to-Device) (Panwar et al., 2016). A figura 2.2 ilustra um exemplo da pluralidade que arquiteturas da rede 5G podem atingir. Esta mesma figura representa também uma
arquitetura multi-camadas.
Figura 2.2: Arquitetura para redes 5G composta de macrocélula com pequenas células fixas e
móveis, comunicação D2D e direta.
Nesta arquitetura, uma macrocélula com uma macro estação base (Macro Base Station —
MBS) na camada superior recebe requisições de serviços das camadas inferiores, que estão
divididas em pequenas células com pequenas estações bases (Small Base Station — SBS) para
diferentes perfis de aplicação. No caso de uma pequena célula móvel, por exemplo um ônibus,
os ocupantes do mesmo têm acesso à rede externa através de uma SBS acoplada no ônibus,
que por fim se comunica com a MBS da macrocélula. Dispositivos móveis como smartphones
podem realizar comunicação direta com a MBS ou constituírem pequenas células dinâmicas
de comunicação D2D, nas quais apenas alguns destes dispositivos fazem conexão com a MBS
2.1. REDES 5G
9
enquanto os outros fazem retransmissão de requisições e respostas.
SBSs podem ser instaladas em ambientes diversos como residências, hospitais e indústrias,
constituindo naturezas diferentes de aplicações e pequenas células. A depender do alcance e
número de usuários, células podem ser distinguidas como pode ser observado na tabela 2.2
adaptada de Panwar et al. (2016).
Femtocélula
Pico-célula
Microcélula
Macrocélula
10 - 20 m
< 20
200 m
20 - 40
2 km
> 100
30 - 35 km
Muitos
Alcance
Usuários
Tabela 2.2: Raio de alcance e quantidade de usuários atendidos por tipo de célula.
A distinção e uso de pequenas células contribuem com aumento do alcance da macrocélula
e também com:
• Maiores taxas de transferência: Dispositivos indoor (em ambientes internos) podem ser
melhor atendidos por SBS locais que realizam a comunicação externa com a MBS, pois
isso diminui efeitos de atenuação que existiriam na comunicação direta entre dispositivos
e MBS;
• Melhor uso do espectro de comunicação a rádio: Pois há uma quantidade menor de
dispositivos em comunicação direta com a MBS;
• Economia energética: A comunicação intermediada por uma SBS diminui o raio de alcance necessário para transmissão de dados, o que impacta significativamente no uso de
bateria dos dispositivos;
• Redução de custo: Uma SBS tem menores custos operacionais e de instalação se comparada a uma MBS.
Entre os problemas a serem pontuados pela quinta geração, é explicitável o uso otimizado
de recursos computacionais e energéticos. Nas atuais redes de telefonia móvel, estações bases
são projetadas para funcionar em horários de pico, e seu processamento é destinado apenas
aos usuários conectados. O consumo energético para horários de pico ou de quase inatividade
são semelhantes (Correia et al., 2010), e isso aumenta os custos de operação da rede.
Durante o dia, estações bases em áreas comercias ficam sobrecarregadas, enquanto áreas
residenciais apresentam pouca atividade (Wu et al., 2015). Os cenários se invertem para diferentes momentos do dia. Um maior aproveitamento e balanceamento de carga poderia ser
alcançado se o poder computacional ocioso fosse distribuído, ao invés de ter uso restrito aos
usuários conectados.
Como demanda de uso eficiente de frequência de banda, também se busca solução para o
uso redundante de dois canais (operando em frequências diferentes) para comunicação com as
2.2. REDES DEFINIDAS POR SOFTWARE
10
estações base. Os dispositivos possuem um canal levando dados (uplink ) até a estação, e outro
no sentido contrário (downlink ). Esta prática é considerada ineficiente, e portanto, espera-se
que redes 5G apresentem comunicação full-duplex com único canal para envio e recebimento
de dados, sem que haja co-interferência entre os processos.
Até então, as arquiteturas das redes de telefonia móvel não haviam sido projetadas para
fazer distinção entre usuário indoor e outdoor (em ambientes externos). A comunicação é
realizada diretamente com as estações base, a despeito de localização, e isso implica em graves
atenuações e perda de qualidade de sinal se o usuário estiver cercado por paredes ou algum
outro obstáculo. Como a quinta geração introduz uma SBS como intermédio entre usuários e
MBS, a distinção torna-se prática, e consequentemente espera-se ganho de qualidade.
Em termos de redes sem fio heterogêneas (Damnjanovic et al., 2011), compostas por tecnologias como Bluetooth, 3G, Wi-Fi, etc., o arcabouço de soluções da 5G deve implementar
contribuições significativas. Já existe certo suporte na 4G, mas sua arquitetura não foi desenvolvida inicialmente para tal. Atualmente, é permitido apenas que um dispositivo tenhas os
canais de uplink e downlink associados a mesma estação base.
A quinta geração deve implementar um desacoplamento no qual usuários podem ter os
canais associados a estações bases diferentes. Segundo Boccardi et al. (2016), o desacoplamento pode trazer melhorias de redução de potência de transmissão, redução de interferência,
maiores taxas de transmissão, e além disso, redução de custos e tratamento distinto de balanceamento de carga para uplink e downlink.
A experiência de mobilidade e processos de handover também exigirão atenção, uma vez
que transferências entre diferentes tecnologias de comunicação sem fio devem se tornar mais
comuns. No deslocamento entre áreas comerciais e residenciais por exemplo, as sessões devem ser mantidas, sem que haja percepção de descontinuidade ou queda de taxas de transferência.
O conjunto de soluções da 5G precisa garantir os serviços dos usuários mesmo em cenários
de alta mobilidade, com velocidades de até 500 km/h (Zhang et al., 2017). Para uma quantidade
crescente de dispositivos e redes cada vez mais densas, heterogêneas e com exigências de
escalabilidade e baixa latência, as redes definidas por software estão se demonstrando de uso
fundamental pela quinta geração.
2.2
Redes Definidas Por Software
Como forma de inovação, SDNs vêm para mudar uma atual integração vertical das redes tradicionais de computadores. Decisões de como gerir e lidar com o tráfego e o encaminhamento
dos dados conforme estas decisões eram ações aglutinadas em elementos como roteadores,
comutadores e gateways, mas no contexto de SDNs, tomadas de decisão e encaminhamento
passam a ser dividas entre plano de dados e de controle.
2.2. REDES DEFINIDAS POR SOFTWARE
11
A divisão visa principalmente a flexibilização da programabilidade e reconfiguração frente à
falhas diversas e variações abruptas de tráfego, tendo em vista os mecanismos de resposta e
auto-reconfiguração praticamente inexistentes das redes IP (Kreutz et al., 2015). Nas SDNs,
o plano de controle é detentor da inteligência computacional, logicamente centralizada em um
controlador.
As decisões de encaminhamento são realizadas no controlador e transmitidas para comutadores (switches) programáveis, que simplesmente executam o encaminhamento. Os dispositivos de encaminhamento constituem o plano de dados e não estão sujeitos aos encargos
computacionais das tomadas de decisões.
Uma vez que há uma centralização lógica em um elemento controlador, visão e controle
global da rede (da perspectiva do controlador) são alguns dos benefícios que podem ser mencionados. É importante enfatizar que a centralização é lógica e não física. Isso permite que
controladores robustos sejam desenvolvidos em sistemas distribuídos (Jain et al., 2013), garantindo confiança em termos de escalabilidade, desempenho, tolerância à falhas, etc. A figura 2.3
exibe a arquitetura de aplicações SDN envolvendo plano de dados, plano de controle, camada
de aplicações e as interfaces norte e sul.
Figura 2.3: Arquitetura de aplicações de redes definidas por software.
A interface norte, ou northbound interface, oferece um arcabouço de desenvolvimento para
aplicações que consomem e monitoram serviços da rede, abstraindo complexidades de comunicação entre plano de controle e a camada de aplicação. Uma vez que esta interface é
inteiramente definida por software e as aplicações são extremamente diversas, não existem
2.2. REDES DEFINIDAS POR SOFTWARE
12
padronizações ou protocolos amplamente adotados para interações entre plano de controle e
camada de aplicação (Nunes et al., 2014). Os desenvolvedores possuem liberdade de implementação e tipicamente apresentam soluções ad hoc.
A interface sul, também conhecida como southbound interface, define o conjunto de instruções entre plano de controle e elementos no plano de dados, responsáveis pelos encaminhamentos. Nesta interface, determinadas funções do plano de dados são definidas de acordo com
o hardware dos elementos no plano, e consequentemente é possível encontrar protocolos como
OpenFlow, Open vSwitch Database (OVSDB), OpFlex da Cisco e muitos outros.
O OpenFlow faz papel da interface sul, e portanto liga os dispositivos do plano de dados ao
controlador. Uma arquitetura simplificada da interação entre controlador, o protocolo e o switch
é exibida na figura 2.4. Para encaminhamento de dados, os switches possuem tabelas que
armazenam conjuntos de entradas de fluxo e cada entrada contém campos de compatibilidade,
contadores, e um conjunto definido de ações a serem aplicadas aos pacotes de dados que
apresentarem compatibilidade com um dado fluxo (ONF, 2015).
Figura 2.4: Arquitetura simplificada de aplicação do OpenFlow.
Descrição dos componentes do Switch OpenFlow:
• Grupo: Lista de ações a serem aplicadas em um pacote de dados qualquer;
• Tabela de grupos: Armazena conjuntos de grupos;
• Tabela de fluxo: Elemento parte do pipeline que armazena entradas de fluxo;
2.2. REDES DEFINIDAS POR SOFTWARE
13
• Tabela de medições: Contém entradas de medição que permitem a implementação de
limitadores de largura de banda como métrica de qualidade de serviço;
• Porta: Ponto de entrada ou saída de pacotes de dados, seja esta física, lógica, ou reservada pelo protocolo;
• Caminho dos dados: Conjunto dos componentes envolvidos no encaminhamento e processamento, isto é, tabelas de fluxo, tabela de grupos e as portas;
• Canal de controle: Via de comunicação e gerenciamento entre o switch e o controlador;
• Pipeline: Cadeia de tabelas de fluxo para verificação de compatibilidade, encaminhamento e modificação de pacotes.
Discutindo brevemente sobre o OVSDB e o OpFlex, observa-se que é possível encontrar
protocolos com características muito semelhantes ou distintas do OpenFlow. O OVSDB por
exemplo é um complemento do OpenFlow, de modo que seus elementos de controle podem
criar múltiplas instâncias de switches virtuais, ajustar políticas de qualidade de serviço, gerenciar filas e coletar estatísticas.
Por outro lado, o OpFlex mantém as funções de controle nos dispositivos de encaminhamento pela premissa de que o controlador pode se tornar o gargalo das aplicações SDN. O que
se tem centralizado em seus controladores são as políticas de controle da rede. As políticas
são formas de controle para assegurar que os usuários não utilizem mais largura de banda que
a permitida, e acessem apenas endereços e serviços permitidos.
2.2.1
Controladores
Até o presente momento, as redes tradicionais de computadores eram programadas com instruções de baixo nível ou sistemas operacionais proprietários para redes (Kreutz et al., 2015).
Muitos dos problemas resolvidos recebiam soluções ad hoc que tratavam das eventuais complicações de baixo nível que pudessem surgir.
Como abstração às complicações de programação de baixo nível, as SDNs introduzem os
controladores, também considerados sistemas operacionais para redes em virtude do desencargo gerado para os desenvolvedores com relação ao tratamento de atividades dos subníveis
das aplicações de redes. O número de controladores vem crescendo desde então, visando
oferecer mais desempenho, segurança e escalabilidade. A tabela 2.3 contém uma lista de controladores open source com suporte ao OpenFlow.
Muitos desses controladores se encontram sob escrutínio da academia e da indústria de tecnologia. No trabalho de Shalimov et al. (2013) uma avaliação é feita para NOX, POX, Beacon,
Floodlight, MuL, Maestro e Ryu. Nem todo controlador consegue atender exigências mínimas
para atuar em um ambiente de produção, e os autores mostram que dentre os avaliados, o Beacon apresentou maior escalabilidade com taxas de transferência de aproximadamente 7 bilhões
2.3. HANDOVER
14
Controlador
Linguagem de Programação
POX
NOX
MUL
Maestro
Trema
Beacon
Jaxon
Floodlight
Ryu
NodeFlow
ovs-controller
Flowvisor
RouteFlow
Python
Python/C++
C
Java
Ruby/C
Java
Java
Java
Python
JavaScript
C
C
C++
Tabela 2.3: Lista de controladores open source com suporte ao OpenFlow.
de fluxos por segundo, com possibilidade de crescimento proporcional ao número de núcleos
disponíveis ao controlador. POX e Ryu não suportam multi-threading, e portanto não são alternativas escaláveis. Os resultados para métricas como latência, segurança e confiabilidade
podem ser verificados no trabalho dos autores.
Recorrentemente surgem discussões sobre controle distribuído ou centralizado, mas é fácil
perceber que a centralização em um único elemento da rede aumenta as chances de colapso
total do sistema, além de também não ser uma solução escalável. Logo, é admissível uma centralização lógica, mas com a instanciação física do controlador em diversas máquinas, como por
exemplo em um cluster centralizado, o que aumentaria consideravelmente as taxas de transferência de fluxos, ou em conjunto de máquinas geograficamente espaçadas, aumentando a
tolerância do sistema à falhas.
Os controladores podem também ter natureza reativa ou proativa. No primeiro caso, os
dispositivos de encaminhamento de dados precisam obrigatoriamente fazer consultas ao controle para cada tomada de decisão. No modo proativo, o controlador passa para os dispositivos
apenas as políticas de controle da rede.
2.3
Handover
Como já explicado, o handover se dá pela transferência de um usuário conectado a um ponto
de acesso para outro. De modo geral, o processo pode ser dividido em 3 fases: preparação,
execução e finalização. A preparação abrange a análise de uma série de informações do usuário, como posição, serviços consumidos, provável rota futura, pontos de acesso vizinhos e a
qualidade dos serviços disponíveis nestes.
As informações permitem que os melhores pontos de acesso sejam selecionados, e para tal,
2.3. HANDOVER
15
a sofisticação das técnicas pode abranger até mesmo algoritmos de aprendizado de máquina
(Al et al., 2016). Na fase de execução são trocadas mensagens de sincronização e reconhecimento entre os elementos envolvidos no processo, isto é, o usuário, os pontos de acesso e as
entidades superiores que coordenam o processo de maneira geral.
No contexto de uma rede de telefonia móvel sem fio com SDN, em um cenário hipotético
o controlador poderia solicitar e receber informações de usuários e, quando exigido, tomar a
decisão de handover, cabendo aos dispositivos apenas encaminhar as mensagens do processo
para as respectivas entidades envolvidas. Quando o usuário já está devidamente sincronizado
em seu novo ponto de acesso, temos a efetivação da transferência e fase de finalização.
Os tipos de handover também podem variar. Nas redes 5G é possível ter transferências entre duas SBS pertencentes à mesma macrocélula, entre macrocélulas diferentes e até mesmo
para um outro tipo de tecnologia de comunicação à rádio, como exibe a figura 2.5. Se as estações bases estão na mesma macrocélula, o handover é intra-macrocélula, como acontece
para a transferência entre SBS1 e SBS2. Na transferência de SBS2 para SBS3, o dispositivo
está migrando de célula e portanto sofrendo um handover inter-macrocélula. Quando o dispositivo desconecta das torres da rede 5G e é realocado em um outro tipo de tecnologia de
comunicação, como por exemplo a 4G, temos o handover multi-RAT (Radio Access Tecnology ).
Figura 2.5: Handover intra-macrocélula, inter-macrocélula e multi-RAT.
Transferências intra-macrocélulas são relativamente menos custosas quando comparadas a
inter-macrocélulas, uma vez que no primeiro caso apenas as SBS estão envolvidas no processo.
A nível inter-macrocélula, não só as SBSs precisam ser analisadas, as MBSs também estão
envolvidas e isso consequentemente aumente a complexidade do handover, que pode se tornar
ainda mais custoso para transferências multi-RAT.
3
Nossa proposta
Neste capítulo apresentaremos a modelagem matemática para a alocação de usuários em torres de telefonia móvel. A partir daqui, conforme a literatura, a terminologia utilizada será eNB
(Evolved Node B) para torres e UE (User Equipment) para usuários ou dispositivos da rede.
3.1
Descrição do modelo
Conforme o modelo multiobjetivo de Taleb et al. (2015), a proposta visa aprimorar a experiência
de conexão e mobilidade em redes móveis, descritas pela arquitetura EPS (Evolved Packet System), como ilustra a figura 3.1. O elemento S-GW (Serving Gateway ) é responsável por rotear
pacotes, gerenciar mobilidade e processos de handover no plano do usuário (entre eNBs ou
outras redes). HSS (Home Subscriber Server ) armazena informações de identificação e endereçamento dos usuários UEs, contém também funcionalidades de autentificação e autorização.
O PDN-GW (Packet Data Network Gateway ) atua como intermédio para redes externas, como
por exemplo serviços de nuvem de terceiros ou a Internet propriamente dita, neste caso representada como uma nuvem constituída de diferentes data centers. Na MME (Mobile Management
Entity ), estão englobadas funcionalidades de gerência de mobilidade dos UEs e retenção de informação de localização, interagindo com a HSS, também realiza autentificação. As torres, ou
eNBs, fazem ponte entre UEs e os demais componentes da rede.
No trabalho de Taleb et al. (2015), é realizada uma modelagem matemática para minimização do custo de comunicação entre eNBs e a fonte de seus dados, neste caso os data centers.
Também é minimizada a quantidade de handovers que os usuários na rede são submetidos
(problema multiobjetivo). No contexto de SDNs, considera-se aqui as infraestruturas virtuais de
rede, nas quais componentes como S-GW e PDN-GW possuem conjuntos de funcionalidades
virtuais que podem ser alocadas para entidades distintas, a depender da demanda e comportamento dos usuários. No problema de minimização de custo de comunicação, uma forma de
16
3.1. DESCRIÇÃO DO MODELO
17
Figura 3.1: Arquitetura EPS para redes LTE.
solução é a alocação das funcionalidades virtuais do PDN-GW em data centers mais próximos das eNBs. Para a minimização de handovers, basta realizar alocação das funcionalidades
virtuais do S-GW em regiões mais distantes, o que criará áreas de coberturas maiores.
Dado um conjunto de eNBs N e um conjunto de data centers DC, o modelo completo de
Taleb et al. (2015) é formulado como:
min ( f (hi j , xi j ), g(cis , yis ))
(3.1)
s. a yis + y js ≤ 1 + xi j
∀i, j ∈ N, ∀s ∈ DC
(3.2)
yis − y js ≤ 1 − xi j
∀i, j ∈ N, ∀s ∈ DC
(3.3)
∑ yis = 1
∀i ∈ N
(3.4)
yis , xi j ∈ B
∀i, j ∈ N, ∀s ∈ DC
(3.5)
s∈DC
em que, as funções objetivos f e g são definidas por:
f (hi j , xi j ) = min ∑ ∑ hi j (1 − xi j )
(3.6)
g(cis , yis ) = min ∑ ∑ cis yis
(3.7)
i∈N j∈N
i∈N s∈DC
neste modelo, a variável binária xi j vale 1 se a eNBi e a eNB j estão conectadas ao mesmo
data center e 0 caso contrário; já a variável y js vale 1 se a eNB j está conectada ao data center
s e 0 caso contrário. A função multiobjetivo (3.1) utiliza dois critérios f e g. A restrição (3.2)
impõe que duas eNBs não conectadas não devem pertencer ao mesmo data center, isto é,
(xi j = 0) =⇒ (yis = 0) ∨ (y js = 0). A restrição (3.3) determina que duas eNBs conectadas
não devem pertencer a data centers distintos, isto é, (xi j = 1) =⇒ (yis = y js ). A restrição
(3.4) estabelece que toda eNB deve se conectar a apenas 1 data center. Por fim, (3.5) define o
domínio binário das variáveis.
Com relação aos critérios da função multiobjetivo, na equação (3.6), temos a variável hi j
representando a frequência média de handovers entre as torres eNBi e eNB j . Torres ligadas
ao mesmo data center fazem parte da mesma área de cobertura, onde não há handover entre
3.1. DESCRIÇÃO DO MODELO
18
eNBs. Logo, o valor ótimo para a equação (3.6) é obtido quando todas as torres pertencem a
mesma área. Para a equação (3.7), o objetivo é selecionar apenas as torres mais próximas dos
data centers no conjunto DC, garantindo sempre o menor caminho e consequentemente custo
de recebimento e envio de mensagens. O valor de cis é o custo de envio de mensagens entre
eNBi e o data center s.
Como a alocação de usuários em torres não foi considerada no modelo multiobjetivo, a proposta deste trabalho incrementará a modelagem original. Será portanto adicionada a alocação
de UEs em eNBs, considerando distância, quantidade média de handovers em cada eNB, e os
requisitos de largura de banda de usuários e torres. Vale ressaltar que os critérios caminho mínimo e quantidade mínima de handovers apresentam características opostas, uma vez que para
se ter o menor custo, a área de cobertura precisa ser a menor possível, indo em contradição
a redução da quantidade de handovers, que demanda maior área. Dessa forma, é necessário
encontrar soluções de meio termo para as duas situações e uma possível abordagem são as
técnicas de otimização multiobjetivo (Marler and Arora, 2004).
3.1.1
Modelo proposto
Para contribuir com o modelo, será introduzida a alocação de UEs em eNBs, que pode ser feita
de acordo com largura de banda disponível, distância e média de handovers em cada torre.
A figura 3.2 ilustra um problema que não é tratado pelo modelo de Taleb et al. (2015). Este
exemplo mostra a disposição de 5 eNBs, distanciadas horizontalmente e espaçadas por 50
unidades de distância. Considere que uma largura de banda Li = 20 Mbps para cada eNB foi
fixada. Cada UE tem um requisito mínimo de largura de banda lk = 3 Mbps. Isso implica que
cada torre não poderá oferecer serviços para mais do que 6 usuários simultaneamente. Note
também que um UE se desloca linearmente com o passar do tempo, fazendo com que uma
nova solução seja recalculada dinamicamente.
Figura 3.2: Disposição das eNBs ao longo do eixo de posições.
Neste caso, as seguintes restrições são propostas:
z(bki , dki , hi ) = ∑ ∑ bki (dki + hi )
(3.8)
k∈U i∈N
hi =
hi j
(N − 1)
j∈N\{i}
∑
∀i ∈ N
(3.9)
3.1. DESCRIÇÃO DO MODELO
19
∑ bki = 1
∀k ∈ U
(3.10)
∑ lk bki ≤ Li
∀i ∈ N
(3.11)
∀i ∈ N
(3.12)
i∈N
k∈U
bki ∈ B
No modelo, uma nova variável binária bki mapeia um usuário k de um conjunto U conectado
a eNBi , de modo que para bki = 1, k está conectado, e do contrário bki = 0. Na equação (3.8),
um novo critério de otimização estabelece que os usuários devem se conectar às torres mais
próximas e com menor média hi de handovers. O cálculo de hi é dado pela equação (3.9),
que utiliza os valores de hi j para cada eNB j no conjunto N . A distância entre k e eNBi é dada
por dki . As restrições adicionais do modelo são dadas em (3.10–3.12). Na restrição (3.10),
cada usuário deve se conectar a exatamente uma eNB. A restrição (3.11) determina que cada
eNBi pode disponibilizar no máximo uma largura de banda Li , que não pode ser ultrapassada
pela soma das larguras de banda mínimas lk , exigidas por cada usuário conectado. Por fim, a
restrição (3.12) define o domínio binário das variáveis.
O valor da distância dki pode ser obtido pela equação (3.13) ou (3.14), a depender do sistema de localização. Para posições Cartesianas, dki = dcart é a distância Euclidiana entre k,
no ponto pk = (xk , yk , zk ), e eNBi em pi = (xi , yi , zi ). Para coordenadas geográficas de latitude
e longitude, a distância é dada pela Equação de Haversine para superfícies esféricas, isto é,
dki = dharv . Neste caso (ψi , βi ) representa respectivamente latitude e longitude de eNBi . Analogamente (ψk , βk ) é referente ao usuário. O raio da esfera é denotado por R, adotaremos R =
6371 km (raio da Terra).
q
(xi − xk )2 + (yi − yk )2 + (zi − zk )2
s
!
2 ψi − ψk
2 βi − βk
sin
+ cos (ψk ) cos (ψi ) sin
dharv = (2R) arcsin
2
2
dcart =
(3.13)
(3.14)
Considerando as equações (3.6), (3.7) e (3.8) como critérios de uma função multiobjetivo,
o modelo proposto pode ser implementado no framework de programação linear CPLEX (IBM,
2017). Alguns ajustes precisam ser realizados, dado que o CPLEX não foi desenvolvido especificamente para otimizações multiobjetivo. Uma possível abordagem é o método da soma
ponderada, descrito nas expressões (3.15) e (3.16). Uma vez que a modelagem possui três
funções objetivo, o método da soma ponderada fornece uma conversão mono-objetivo pela
equação (3.15). Dado um conjunto com m critérios de otimização, cada critério Fi será ponderado por um peso wi ∈ [0, 1]. Variar os valores de wi significa atribuir importâncias a problemas
específicos, pois a equação (3.16) determina uma combinação convexa. Se w2 = 0.6, então
3.1. DESCRIÇÃO DO MODELO
20
g(cis , yis ) terá maior contribuição de piora da solução ótima, consequentemente valores cada
vez menores de cis serão considerados (priorização de minimização de custo).
m
∑ wiFi(x)
(3.15)
∑ wi = 1
(3.16)
i=1
m
i=1
Com isso, será proposta a seguinte formulação linear:
min ob j = w1 × f (hi j , xi j ) + w2 × g(cis , yis ) + w3 × z(bki , dki , hi )
(3.17)
s. a (3.2 − 3.5) e (3.10 − 3.12)
Para simplificar o entendimento, a notação e descrição das variáveis utilizadas na modelagem
pode ser observada na tabela 3.1.
Notação
Descrição
hi j
hi
xi j
yis
cis
bki
dki
dcart
dharv
ψ
β
R
N
DC
U
Li
lk
Frequência média de handovers entre eNBi e eNB j
Valor médio de handovers em eNBi
Variável que indica se eNBi e eNB j estão conectadas
Variável que indica se eNBi está conectada ao data center s
Custo de envio de mensagem entre eNBi e s
Variável que indica se usuário k está alocado em eNBi
Distância entre k e eNBi
Distância Euclidiana
Distância pela fórmula de Haversine
Latitude
Longitude
Raio da Terra
Conjunto de torres (eNBs)
Conjunto de data centers
Conjunto de usuários
Largura de banda máxima oferecida por eNBi
Largura de banda mínima exigida por k
Tabela 3.1: Notação de constantes e variáveis utilizadas na modelagem do problema.
4
Resultados e Discussões
4.1
Resultados
O modelo de Programação Linear Inteira foi implementado e todos os experimentos foram executados no solver IBM ILOG CPLEX Optimization Studio v12.5.0 em um computador Intel Core
i5-6200U (2.30GHz e 4 cores) com 4GB de RAM em um Sistema operacional Ubuntu 16.04
LTS.
4.1.1
Tempo de execução
Na Tabela 4.1, estão dispostos os tempos médios de execução para diferentes combinações
dos pesos w1 , w2 e w3 na equação (3.17). Para este caso de teste, foram considerados 10
data centers e uma amostra de 60 torres da cidade de Maceió, Alagoas, na base fornecida pela
Telebrasil, que dispõe latitude e longitude de antenas de diversas operadoras no Brasil. Dez
usuários foram dispostos arbitrariamente (e mantidos) em posições próximas das torres para
que as distâncias fossem calculadas. Uma vez que dados de handover e custo de comunicação
entre data centers não estão disponíveis, 30 instâncias foram geradas aleatoriamente. O tempo
de execução de cada instância foi computado e ao final, a média foi calculada com os tempos
das instâncias para as diferentes configurações de pesos.
As configurações (1, 0, 0), (0, 1, 0) e (0, 0, 1) verificam o tempo de execução de f (xi j , hi j ),
g(cis , yis ) e z(bki , dki , hi ) isoladamente na equação (3.17). Em um caso de atribuição de maior
prioridade a um objetivo específico, é observável que o tempo de execução aumenta consideravelmente em (0.1, 0.8, 0.1) quando os custos de comunicação entre eNB e data center precisam
ser estritamente menores. Nas configurações mais uniformes como (0.4, 0.3, 0.3), os tempos
de execução são similares. As combinações de pesos (0.9, 0.1, 0) e (0.1, 0.9, 0) correspondem
ao tempo médio de execução quando considerado apenas o modelo de Taleb et al. (2015).
21
4.1. RESULTADOS
22
w1
w2
w3
1
0
0
0.8
0.1
0.1
0.4
0.3
0.3
0.9
0.1
0
1
0
0.1
0.8
0.1
0.3
0.4
0.3
0.1
0.9
0
0
1
0.1
0.1
0.8
0.3
0.3
0.4
0
0
Tempo médio de execução (segundos)
0.75
1.09
1.13
2.04
4.44
2.42
2.69
2.70
2.42
1,69
4,17
Tabela 4.1: Tempo médio de execução para diferentes combinações de pesos. Número de
diferentes instâncias computadas = 30, N = 60, DC = 10, U = 10.
4.1.2
Alocação de usuários
Para alocação de usuários, foi utilizado um cenário baseado em dados reais de latitude e longitude de um UE em movimento. As figuras 4.1(a) e 4.1(b) exibem um deslocamento de 13.7 km,
percorrido em um intervalo de 42 minutos a partir do ponto indicado na figura 4.1(a). O sentido
do movimento é do ponto de partida para as torres com maior numeração, figura 4.1(b). A eNB
que UE está alocado deve mudar conforme sua posição. A distância neste cenário é dada pela
equação 3.14 (Haversine) e os dados de latitude e longitude foram coletados do histórico de
localização do Google Maps. No total, 21 torres de teste (fictícias) foram posicionadas longo do
percurso.
(a) Percurso percorrido pelo UE.
(b) Disposição das eNBs ao longo do percurso.
Figura 4.1: Rota seguida pelo UE ao longo do tempo, partindo do ponto inicial e seguindo no
sentido das eNBs de maior numeração.
4.1. RESULTADOS
23
A figura 4.2 exibe as eNBs onde o UE foi alocado para o percurso de 13.7 km. De acordo
com suas informações de GPS, no instante inicial sua posição era próxima de eNB1 eNB2 , com
distâncias respectivas de 0.08 km e 0.45 km. A média de handover destas torres é de 5.3 para
a primeira e 3.75 para segunda. O modelo proposto considera menor distância e média de
handover, logo, é observável no gráfico a alocação do usuário em eNB2 . Durante os 10 últimos
minutos, eNB19 , eNB20 e eNB21 se encontram mais próximas, a uma distância respectiva de
0.78, 0.91 e 0.53 quilômetros. Na mesma ordem, as médias de handover são 3.8, 6.25, 5.5, o
que justifica a permanência de UE em eNB19 durante esse trecho do percurso.
Figura 4.2: Alocação do usuário nas eNBs ao longo do tempo.
4.1.3
Gerenciamento de largura de banda
Para verificar as restrições de largura de banda definidas pelo modelo, simularemos um segundo cenário de mobilidade para um UE se deslocando linearmente e 19 UEs em posições
estáticas (20 em total), além de 5 eNBs. As restrições de largura de banda para eNBs e UEs
são respectivamente Li = 20 Mbps e lk = 3 Mbps (valores hipotéticos). O modelo não contempla
diretamente tempo, mas as posições (que influenciam o valor de dki ) variam com o passar do
mesmo, e neste exemplo a posição x será modificada pela função (x = t ), de modo que t é um
instante qualquer — em outras palavras, o modelo matemático é executado a cada unidade de
tempo. O gráfico na figura 4.3 mostra a torre eNBi que um usuário UE (nomeadamente UE1 ) foi
alocado. A equação (3.8) leva em consideração a posição atual de UE1 e da eNB mais próxima.
A partir do momento que se torna muito custoso se manter conectado a eNB de origem, o processo de handover é realizado. Como pode ser observado na figura 4.3, a transição de eNB1
para eNB2 é realizada nas proximidades da posição x = 30. As transições se repetem conforme
o usuário se dirige para as outras torres.
4.1. RESULTADOS
24
Figura 4.3: Torre (eNBi ) cujo usuário (UE1 ) está alocado em função de sua posição (x).
Os gráficos nas figuras 4.4(a) e 4.4(b) apresentam respectivamente a quantidade de UEs
alocados e largura de banda disponível em cada eNB no instante t . Os valores mudam de
acordo com o deslocamento de UE1 . Podemos observar na figura 4.4(a) que inicialmente a
torre eNB1 possui 2 UEs conectados. Sabemos também que UE1 se desloca linearmente, com
sua posição determinada por x = t . Logo, para t = 0, UE1 está em x = 0, e consequentemente
alocado em eNB1 . Observando a disponibilidade de largura de banda de eNB1 na figura 4.4(b)
no mesmo instante t = 0, para 2 usuários conectados, cada um com uma exigência de 3 Mbps,
é verificável que a torre dispõe de apenas 14 Mbps, de um total L1 = 20 Mbps.
(a) UEs alocados em uma dada eNB no instante (t).
(b) Largura de banda disponível em cada eNB no instante (t).
Figura 4.4: Quantidade de usuários alocados e largura de banda disponível em cada eNB. Um
usuário está se deslocando e alterando a configuração da rede para cada instante (t).
4.1. RESULTADOS
25
A reorganização da rede pode ser verificada a medida que UE1 se desloca. Como constatado previamente, a transferência de eNB1 para eNB2 ocorre nas proximidades de x = 30, de
modo que se verifica na figura 4.4(a) para t ≈ 30 a perda de um UE em eNB1 (de 2 para 1) e o
ganho na torre eNB2 (de 3 para 4). O ganho ou perda de largura de banda pode se verificar na
figura 4.4(b) para o mesmo instante de referência.
A disponibilidade de largura de banda de eNB4 e eNB5 está a todo momento baixa, uma vez
que cada uma está operando com 6 usuários. Ao se aproximar destas torres, e é observável
na figura 4.3 que de fato isso acontece, UE1 certamente deverá ser atendido. Mesmo operando
na sua capacidade limite em algumas torres, a rede realiza comutação de UEs, garantindo que
todos sejam atendidos. Para qualquer instante t , a soma total dos usuários conectados em
todas eNBs é igual a 20.
5
Considerações Finais
Este trabalho apresentou um modelo de alocação de usuários em torres para redes de telefonia
móveis considerando processos de handover e redes definidas por software. Os parâmetros
utilizados foram: distancia entre torre e usuário, média de handover, largura de banda disponível
e largura de banda exigida. O modelo expande uma modelagem de minimização de custo de
comunicação entre torres e data centers e minimização dos processos de handover entre áreas
de cobertura. A finalidade é o aprimoramento de experiência de conectividade e mobilidade,
com possíveis aplicações em redes 5G. Nos resultados para alocação de usuários em torres
foi verificado que as conexões de fato consideram menores distâncias, média de handover e
disponibilidade de largura de banda, mesmo em situação mobilidade.
Como trabalhos futuros, elencam-se o aprimoramento do modelo com a introdução de novas
restrições e incorporação de custos de operações da rede, integração com simuladores como o
Mininet para redes definidas por software, e a implementação de diferentes heurísticas para a
busca das soluções de alocação.
26
Referências bibliográficas
I.F. Akyildiz, W. Su, Y. Sankarasubramaniam, and E. Cayirci. Wireless sensor networks: a
survey. Computer Networks, 38(4):393 – 422, 2002.
Zoraze Al, Nicola Baldo, Josep Mangues-Bafalluy, and Lorenza Giupponi. Machine learning
based handover management for improved QoE in LTE. NOMS 2016 - 2016 IEEE/IFIP
Network Operations and Management Symposium, jul 2016.
Ala Al-Fuqaha, Mohsen Guizani, Mehdi Mohammadi, Mohammed Aledhari, and Moussa
Ayyash. Internet of Things: A Survey on Enabling Technologies, Protocols, and Applications.
IEEE Communications Surveys & Tutorials, 17(4):2347–2376, jun 2015.
Federico Boccardi, Jeffrey Andrews, Hisham Elshaer, Mischa Dohler, Stefan Parkvall, Petar
Popovski, and Sarabjot Singh. Why to Decouple the Uplink and Downlink in Cellular
Networks and How To Do It. IEEE Communications Magazine, 54(3):110–117, mar 2016.
Min Chen, Shiwen Mao, and Yunhao Liu. Big Data: A Survey. Mobile Networks & Applications,
19(2):171–209, APR 2014.
CISCO. Cisco Visual Networking Index: Global Mobile Data Traffic Forecast Update,
2017–2022. https://www.cisco.com/c/en/us/solutions/collateral/
service-provider/visual-networking-index-vni/white-paper-c11-738429.pdf,
feb 2019. White paper, acessado em maio de 2019.
Luis M. Correia, Dietrich Zeller, Oliver Blume, Dieter Ferling, Ylva Jading, István Gódor,
Gunther Auer, and Liesbet Van Der Perre. Challenges and Enabling Technologies for Energy
Aware Mobile Radio Networks. IEEE Communications Magazine, 48(11):66–72, nov 2010.
Aleksandar Damnjanovic, Juan Montojo, Yongbin Wei, Tingfang Ji, Tao Luo, Madhavan
Vajapeyam, Taesang Yoo, Osok Song, and Durga Mallad. A Survey on 3GPP
Heterogeneous Networks. IEEE Wireless Communications, 18(3):10–21, jun 2011.
Xiaoyu Duan and Xianbin Wang. Authentication handover and privacy protection in 5G hetnets
using software-defined networking. IEEE Communications Magazine, 53(4):28–35, apr 2015.
27
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
28
Ericsson. More than 50 billion connected devices.
https://www.akos-rs.si/files/Telekomunikacije/Digitalna_agenda/
Internetni_protokol_Ipv6/More-than-50-billion-connected-devices.pdf, feb
2011. White paper, acessado em maio de 2019.
GSMA Intelligence. Understanding 5G: Perspectives on future technological advancements in
mobile.
https://www.gsmaintelligence.com/research/?file=141208-5g.pdf&download,
dec 2014. White paper, acessado em maio de 2019.
Bo Han, Vijay Gopalakrishnan, Lusheng Ji, and Seungjoon Lee. Network function virtualization:
Challenges and opportunities for innovations. IEEE Communications Magazine, 53(2):
90–97, feb 2015.
Chi-Yao Hong, Srikanth Kandula, Ratul Mahajan, Ming Zhang, Vijay Gill, Mohan Nanduri, and
Roger Wattenhofer. Achieving High Utilization with Software-driven WAN. SIGCOMM
Comput. Commun. Rev., 43(4):15–26, aug 2013.
IBM. IBM ILOG CPLEX Optimization Studio Getting Started with CPLEX.
https://www.ibm.com/support/knowledgecenter/SSSA5P_12.8.0/ilog.odms.
studio.help/pdf/gscplex.pdf, apr 2017. Online, acessado em maio de 2019.
Sushant Jain, Alok Kumar, Subhasree Mandal, Joon Ong, Leon Poutievski, Arjun Singh,
Subbaiah Venkata, Jim Wanderer, Junlan Zhou, Min Zhu, Jonathan Zolla, Urs Hölzle,
Stephen Stuart, and Amin Vahdat. B4: Experience with a Globally Deployed Software
Defined WAN. In Proceedings of the ACM SIGCOMM Conference, 2013.
Diego Kreutz, Fernando M. V. Ramos, Paulo Verissimo, Christian Esteve Rothenberg, Siamak
Azodolmolky, and Steve Uhlig. Software-Defined Networking: A Comprehensive Survey.
Proceedings of the IEEE, 103(1):14–76, jan 2015.
Slawomir Kuklinski, Yuhong Li, and Khoa Truong Dinh. Handover management in SDN-based
mobile networks. 2014 IEEE Globecom Workshops, GC Wkshps 2014, pages 194–200, mar
2015.
Jiseong Lee and Younghwan Yoo. Handover cell selection using user mobility information in a
5G SDN-based network. 2017 Ninth International Conference on Ubiquitous and Future
Networks (ICUFN), pages 697–702, jul 2017.
R.T. Marler and J.S. Arora. Survey of multi-objective optimization methods for engineering.
Structural and Multidisciplinary Optimization, 26(6):369–395, apr 2004.
Peter Mell and Tim Grance. The NIST Definition of Cloud Computing. Communications of The
ACM, 53(6):50, jun 2010.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
29
Saraju P. Mohanty, Uma Choppali, and Elias Kougianos. Everything you wanted to know about
smart cities: The Internet of things is the backbone. IEEE Consumer Electronics Magazine, 5
(3):60–10, jul 2016.
Bruno Astuto A. Nunes, Marc Mendonca, Xuan-Nam Nguyen, Katia Obraczka, and Thierry
Turletti. A Survey of Software-Defined Networking: Past, Present, and Future of
Programmable Networks. IEEE Communications Surveys & Tutorials, 16(3):1617–1634, feb
2014.
ONF. OpenFlow Switch Specification. https://www.opennetworking.org/wp-content/
uploads/2014/10/openflow-switch-v1.5.1.pdf, apr 2015. Online; Acessado em maio
de 2019.
Nisha Panwar, Shantanu Sharma, and Awadhesh Kumar Singh. A survey on 5G: The next
generation of mobile communication. Physical Communication, 18:64 – 84, 2016. Special
Issue on Radio Access Network Architectures and Resource Management for 5G.
Jonathan Prados-Garzon, Oscar Adamuz-Hinojosa, Pablo Ameigeiras, Juan J. Ramos-Munoz,
Pilar Andres-Maldonado, and Juan M. Lopez-Soler. Handover implementation in a 5G
SDN-based mobile network architecture. pages 1–6, sep 2016.
Li Qiang, Jie Li, and Changcheng Huang. A software-defined network based vertical handoff
scheme for heterogeneous wireless networks. 2014 IEEE Global Communications
Conference, 2014.
Li Qiang, Jie Li, and Corinne Touati. A User Centered Multi-Objective Handoff Scheme for
Hybrid 5G Environments. IEEE Transactions on Emerging Topics in Computing, 5(3):
380–390, apr 2016.
Alexander Shalimov, Dmitry Zuikov, Daria Zimarina, Vasily Pashkov, and Ruslan Smeliansky.
Advanced Study of SDN/OpenFlow Controllers. In Proceedings of the 9th Central & Eastern
European Software Engineering Conference in Russia, pages 1:1–1:6. ACM, 2013.
Vishal Sharma, Fei Song, Ilsun You, and Han-Chieh Chao. Efficient Management and Fast
Handovers in Software Defined Wireless Networks Using UAVs. IEEE Network, 31(6):78–85,
nov 2017.
Tarik Taleb, Miloud Bagaa, and Adlen Ksentini. User mobility-aware Virtual Network Function
placement for Virtual 5G Network Infrastructure. In 2015 IEEE International Conference on
Communications (ICC), 2015.
Telebrasil. Mapa de ERBs Brasil (antenas).
http://www.telecocare.com.br/telebrasil/erbs/. Online, acessado em maio de
2019.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
30
Ms. Lopa J. Vora. Evolution of Mobile Generation Technology: 1G to 5G and Review of
Upcoming Wireless Technology 5G. International Journal of Modern Trends in Engineering
and Research, 2(10):281–290, oct 2015.
Jun Wu, Zhifeng Zhang, Yu Hong, and Yonggang Wen. Cloud Radio Access Network (C-RAN):
A Primer. IEEE Network, 29(1):35–41, jan 2015.
Xiaohuan Yan, Y. Ahmet Şekercioğlu, and Sathya Narayanan. A survey of vertical handover
decision algorithms in Fourth Generation heterogeneous wireless networks. Computer
Networks, 54(11):1848–1863, aug 2010.
Haijun Zhang, Na Liu, Xiaoli Chu, Keping Long, Abdol-Hamid Aghvami, and Victor C. M. Leung.
Network Slicing Based 5G and Future Mobile Networks: Mobility, Resource Management,
and Challenges. IEEE Communications Magazine, 55(8):138–145, aug 2017.
